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Mercado de Produtos de Eucalipto em São Paulo

 

            Ao encerrar o primeiro ano em que foram feitas publicações sistemáticas das cotações e índices de preços pagos ao produtor rural de eucalipto no Estado de São Paulo, procurou-se fazer uma síntese do comportamento desses parâmetros durante parte da década que se encerrou, ressaltando seus principais aspectos e analisando, em especial, o mercado em 2010 e suas perspectivas para 2011.
 

            Pela evolução dos índices de preços calculados pelo IEA verificou-se que durante a década houve uma tendência de elevação das cotações até 20051. Em 2006 houve uma queda acentuada e depois elas se recuperaram até 2008, tornando a declinar novamente em função da crise econômica mundial.
 

            Ressalve-se que, como a origem desses dados é muito diferente, e a cooperação técnica IEA/Fundação Florestal/Florestar São Paulo só passou efetivamente a coletar dados a partir de 2007/08, essa evolução e os valores anteriores a essa data devem ser considerados com uma certa reserva, mesmo porque os dados de 2005 parecem estar muito acima do que se poderia esperar do mercado na época.
 

            Para se ter um acompanhamento mais consistente do mercado optou-se por redefinir os índices de preços e reiniciar a série a partir de 2007, quando a série histórica do IEA teve início, e esse ano pode ser considerado normal em termos de mercado, sem pressões de demanda ou choques de oferta2.
 

            O resultado desse novo índice pode ser visualizado na tabela 1 que mostra que, no ano de 2009, o setor foi afetado pela crise econômica mundial do final de 2008, quando o PIB brasileiro ficou estagnado, e nos Estados Unidos e nos países da Europa, foi negativo. Já para o ano de 2010, o setor se recuperou com a retomada do crescimento econômico, principalmente nos países ditos emergentes (Tabela 1).
 
 

Tabela 1 - Índices Anuais Acumulados de Preços de Eucalipto para o Produtor, Estado de São Paulo, 2008 a 2010

 

Índice

2007
2008
2009
2010

Laspeyres

100,00 
107,81 
97,39 
108,58 

Paasche

100,00 
107,63 
96,75 
107,85 

Fisher

100,00 
107,72 
97,07 
108,21 
 
Fonte: INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Mercados florestais. São Paulo: IEA, 2011. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/floresta/mercados.php>. Acesso em: fev. 2011.



Importante destacar que os valores dos índices calculados para o ano de 2010 são uma primeira estimativa, uma vez que ainda não foram consolidadas as informações de quantidades de madeira para processo e energia.

 

- O Mercado em 2010
 

            Ao analisar por grupos de produtos, durante o ano passado (2010), o mercado para madeira de eucalipto, no Estado de São Paulo, apresentou um aumento das atividades consumidoras de lenha, face ao aquecimento das atividades ligadas à construção civil e à indústria da carne.
 

            Os grandes consumidores de energia proveniente de madeira continuaram sendo: cerâmicas, frigoríficos, indústrias alimentícias (óleo vegetal, suco de laranja, alimentos processados, torrefadoras e secagem de grãos), granjas, rações, curtumes, indústria de fertilizantes, além do consumo urbano, representado por panificadoras, docerias, restaurantes (churrascarias e pizzarias) entre outros.
 

            Os demais setores consumidores como celulose e painéis/ chapas retomaram suas produções, tendo atingido os patamares vigentes antes da crise de 2008, com um retardamento um pouco mais longo nos painéis por conta da reação um tanto demorada do mercado internacional.
 

            Os mercados para tratamento e serraria, bastante atrelados à construção civil e à pecuária, continuaram firmes, mantendo estáveis as cotações dos produtos destinados a essas finalidades.
 

            De janeiro para agosto houve uma subida praticamente linear das cotações do eucalipto com tendência à estabilização a partir de maio. Desde setembro prevaleceu uma leve tendência à baixa em algumas regiões, onde a oferta cresceu (Tabela 2).

 

Tabela 2 - Cotações para o Produtor, Estado de São Paulo, 2010
(R$/m3)

 

Produto

Jan.
Fev.
Mar.
Abr.
Maio
Jun.
Jul.
Ago.
Set.
Out.
Nov.
Dez.
Média

Energia

51,55
58,84
58,04
58,44
58,82
57,15
57,41
57,09 
  57,14 
  57,73 
56,81
57,26
57,19 

Processo

45,51
45,90
48,91
48,52
49,65
50,82
50,71
50,95 
  48,72 
  50,45 
48,35
48,25
48,90 

Tratamento*

64,00
65,50 
67,50 
68,00
70,86
71,00
75,64
74,94 
77,79 
  75,64 
74,20
73,67
71,56 

Serraria*

120,83
122,86
124,06 
124,06
126,25
121,40
120,85
121,41 
  121,13 
  121,13 
122,74
119,40
122,18 
 

Fonte: INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Mercados florestais. São Paulo: IEA, 2011. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/floresta/mercados.php>. Acesso em: fev. 2011.
 


            Houve, portanto, uma recuperação das cotações aos níveis pré-crise de final de 2008.
 

            Nos últimos três anos, 2008 a 2010, o que mais acusou os efeitos da crise foi 2009, como era de se supor, principalmente no setor agroindustrial – celulose e painéis/ chapas, em face da retração dos seus principais mercados apesar de o mercado de celulose ter se recuperado bem mais cedo (Tabela 3).
 

Tabela 3 - Cotações Médias Anuais para o Produtor, Estado de São Paulo, 2008-2010
(R$/m3)

 

Destinação

2008
2009
2010

Energia

53,96
51,77
57,19

Processo

50,01
43,68
48,90

Tratamento

70,15
65,94
71,56

Serraria

124,17
123,42
122,18
 
 
Fonte: INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Mercados florestais. São Paulo: IEA, 2011. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/floresta/mercados.php>. Acesso em: fev. 2011.


 


            As cotações referentes a 'tratamento' e 'serraria' devem ser consideradas como indicativas, visto que o número de informações referentes a elas ainda é reduzido e a amplitude de variação das cotações é muito grande.
 

            Por um lado, as queimadas que atingiram boa parte do Estado, inclusive algumas florestas, acabaram não gerando nenhuma pressão altista, porém, contribuíram para manter as cotações. Por outro, continuou havendo substituição de lenha por bagaço de cana e resíduos gerais.
 

            Nas regiões citrícolas, a substituição foi por laranjais erradicados, além de recentemente haver a entrada também de óleos vegetais, para a produção de calor e vapor, o que inibiu aumentos mais expressivos nas cotações.
 

            A procura por mudas estava estabilizada até outubro/novembro por causa da seca, mas retomou seu ritmo e os viveiros estão fornecendo mudas com uma demanda firme, sinal que a atividade de plantio foi retomada, principalmente após o início das chuvas.
 

            De modo geral, as associações de reposição florestal continuaram arrecadando cerca de 10% do seu estimado potencial, persistindo a existência de uma diferença muito grande entre o que essas entidades estimaram de volume de consumos regionais e o que a Secretaria de Energia estimou no Balanço Energético.
 

            Assim, as perspectivas para o ano de 2011 são de continuidade dessas condições de mercado, com um relativo aumento na demanda por parte do setor de painéis e chapas que aumentarão significativamente a produção industrial.

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1INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Mercados florestais. São Paulo: IEA, 2011. Disponível em: <http:// www.iea.sp.gov.br/out/floresta/mercados.php>. Acesso em: fev. 2011.

2CASTANHO FILHO et al. Índice de preço de eucalipto para o estado de São Paulo. Informações Econômicas. São Paulo, v. 40, n. 3, mar. 2010.

Palavras-chave: mercado, eucalipto, preços, índice de preços.

 


 

 

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Data de Publicação: 22/02/2011
Autor(es): Eduardo Pires Castanho Filho (castanho@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor