voltar s






Índice de Preços de Resinas de Pínus para o Produtor, Estado de São Paulo, 2009-2011

 

      Este artigo tem como objetivo contribuir para a consolidação do índice de preços de resinas de pínus, para o produtor no Estado de São Paulo. A disponibilidade desse tipo de indicador de mercado é componente essencial para fomentar a existência de reajustes de contratos de exploração e um mercado futuro de resinas, permitindo trazer maior liquidez aos investimentos realizados. Para que exista um mercado que possibilite a liquidação financeira dos títulos, a legislação existente estabelece que:
 

I – sejam explicitados os referenciais necessários à clara identificação do preço ou do índice de preços a ser utilizado no resgate do título;

II – sejam nomeadas a instituição responsável pela apuração ou divulgação do índice, a praça ou o mercado de formação do preço e o nome do índice;

III - os indicadores de preço sejam apurados nas partes contratantes por instituições idôneas e de credibilidade, tenham divulgação periódica e ampla disseminação ou facilidade de acesso, de forma a estarem facilmente disponíveis para as partes contratantes.


            Nesse sentido, o IEA utilizou séries já homogeneizadas em enquetes anteriores conduzidas pela Associação Brasileira de Resinadores (ARESB), testando a consistência dos resultados obtidos, principalmente no tocante às variações, componentes essenciais para a qualidade do indicador.
 

            A metodologia empregada para o cálculo dos índices de preços recebidos pelos produtores de resinas de pínus considerou os preços relativos ponderados pelas quantidades de matérias-primas destinadas para o agronegócio da resina, utilizando o índice de Fischer (que é a média geométrica dos índices de Laspeyres e de Paasche), para os valores com médias anuais que correspondem ao período do ano de 2005 até 2011. Para tal cálculo, utilizou-se o conceito da base móvel, ou seja, comparou-se o período atual com o período imediatamente anterior. Para o ano de 2011, utilizou-se o índice de Laspeyres comparando os preços de cada mês (período atual) com os valores de 2010 (base fixa). Quando as quantidades relativas a 2011 estiverem consolidadas, o índice considerará esse ano e assim por diante.
 

            Os dados utilizados foram os coletados e processados pela ARESB, que desenvolve esse trabalho desde os anos 1990.
 

            A partir de abril de 2011, os valores das cotações serão também de responsabilidade do IEA, para efeito da manutenção do índice de preços, mas as cotações da ARESB continuarão entrando na sua composição.
 

            No caso das estatísticas de produção, houve um lapso de recuperação e consolidação dos dados pela ARESB para a safra 2008/09, para a qual adotou-se uma interpolação, segundo a tendência entre as safras 2007/08 e 2009/10, sendo que as outras safras foram absorvidas das estatísticas da entidade a partir de 2005, ano em que começou a existir coleta sistemática para pínus tropical.
 

            Para os anos de 2010 e 2011, utilizou-se o índice de Laspeyres para cálculo mensal, comparando os preços de cada mês (período atual) com os preços do mês anterior (base móvel). Foram utilizadas duas bases: na primeira, o índice acumulado mensal tomando como base 100 o ano de 2005 e, na segunda, o cálculo índice mensal com base móvel, sendo os preços e quantidades de dezembro de 2009 como base inicial (base 100). Os resultados são os mesmos, porém, a visualização pode interessar mais ou menos grupos que têm interesses diferentes.
 

            Para construção dos índices de preços foram utilizadas as cotações de resinas de Pinus elliottis e de Pinus caribeae (tropical), obtendo-se os resultados para os índices apresentados na Tabela 1 e 2.
 

Tabela 1 - Índice Acumulado Anual de Preços de Resina de Pínus, São Paulo, 2005-2010

Índices/Ano

2005

2006

2007

2008

2009

2010

Laspeyres

100

110,11

105,82

85,81

85,38

191,84

Paasche

100

110,18

105,88

85,78

85,32

191,85

Fisher

100

110,14

105,85

85,80

85,35

191,84

Fonte: Dados da pesquisa.


Tabela 2 - Índice Anual de Preços de Resina de Pínus, São Paulo, 2005-2010

Índices/Ano

2005

2006

2007

2008

2009

2010

Laspeyres

100

110,11

96,11

81,09

99,50

224,69

Paasche

100

110,18

96,10

81,02

99,46

224,87

Fisher

100

110,14

96,10

81,05

99,48

224,78

Fonte: Dados da pesquisa.



            Na sequência são apresentados os índices de Laspeyres calculados para os quatro primeiros meses de 2011 e os últimos meses de 2010, que assumem particular importância para a decisão de estabelecimento de mercado futuro, visto que refletem o comportamento do produto em ambiente de recuperação econômica imediatamente pós-
-agravamento de crise (Tabela 3).
 
 

Tabela 3 - Índices de Laspeyres Mensais de Preços de Resina de Pínus, São Paulo, Maio/2010-Abril/2011

Índ./Mês/ano

maio/10

jun/10

jul/10

ago/10

set/10

out/10

nov/10

dez/10

jan/11

fev/11

mar/11

abr/11

Laspeyres (1)

116,42

120,67

111,27

107,65

107,98

110,55

104,80

116,80

100,25

100,99

101,06

96,14

Laspeyres (2)

130,22

157,14

174,85

188,22

203,24

224,69

235,47

275,03

275,71

278,43

281,39

270,54

Fonte: Dados da pesquisa.



            A análise evolutiva dos índices permitiu constatar que esses produtos tiveram uma oscilação dos preços e das quantidades durante os últimos cinco anos. Esse comportamento, não obstante, contribuiu para que essa atividade continuasse como uma importante fonte de geração de emprego e renda regional da agricultura paulista.
 

            Observa-se que o índice capta, para os anos de 2008 e 2009, uma queda nas cotações como um dos reflexos da crise econômica que teve início no final de 2008. Contudo, desde julho de 2009, o mercado começou a apresentar sinais de recuperação, notadamente, em função das perspectivas favoráveis para 2010. Nesse sentido, vale ressaltar que no primeiro trimestre de 2010 já se observaram crescimentos que repuseram a atividade nos patamares de 2008, com crescimento expressivo para o final do ano e início de 2011.
 

            A melhoria no processo de coleta e o tratamento das informações relativas às cotações dos principais produtos da silvicultura paulista têm permitido aprimorar os instrumentos à disposição do produtor rural e dos demais integrantes da cadeia produtiva, visando modernizar as relações de mercado e de financiamento setorial.
 

            A produção e a sistematização desse primeiro índice de cotações de resinas de pínus, que vem sendo realizado pelo IEA com seus parceiros institucionais, são um sinal evidente de modernização, induzindo, com o tempo, ao desenvolvimento de um mercado futuro desses produtos.
 

Palavras-chave: índice de preços, economia florestal, pínus, sistemas de informações.

 

 

 

enviar Envie este texto por email


Data de Publicação: 23/05/2011
Autor(es): Eduardo Pires Castanho Filho (castanho@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Mario Pires De Almeida Olivetti (olivette@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor