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Em Declínio o Cultivo do Trigo em São Paulo

 

                O balanço de oferta e demanda mundial de trigo de abril, elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos para o ano de 2011/2012, projeta produção mundial de 694,3 milhões de toneladas de trigo, o que significa um aumento de 7,0% comparativamente ao volume estimado para o ano anterior. A oferta mundial total deverá se expandir em 9,0% e a utilização total deverá crescer 5,0%. Nessa situação, os estoques finais crescerão menos, 4,0%; mesmo assim, as 206,3 milhões de toneladas estimadas para o estoque final significará o maior estoque final dos últimos três anos.
 

            Com base nestas estimativas, é de se esperar que não ocorra sobressalto na evolução das cotações internacionais do produto no curto prazo. De acordo com informações da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), na última semana de março a cotação FOB – Golfo do México do trigo estadunidense tipo hard - estava 14% inferior à verificada no mesmo período do ano passado. Da mesma forma, o preço do trigo argentino tipo pão FOB - portos argentinos, local de origem da maior parte do trigo importado pelo Brasil - estava 26% menor que os praticados em março de 2011. Portanto, o mercado internacional, ao contrário dos anos anteriores, não está sinalizando perspectivas de bons preços por ocasião da safra brasileira.
 

            Nos últimos anos, durante o período indicado para o plantio aqui no Brasil, os preços eram alvissareiros e os triticultores plantavam e, quando chegava a época da colheita, os preços despencavam, comportamento que já caracterizava um padrão sazonal, e então as frustrações foram sucessivas, levando ao desestímulo da cultura. Nesses anos, os prejuízos têm sido minimizados, tanto dos produtores, que em função de atender os requisitos da indústria moageira tiveram que lançar mão de programas como PEP (Programa de Escoamento da Produção), como do próprio governo, por meio de exportações, possíveis em função de conjunturas especiais do mercado internacional, devido à quebra de safras de países exportadores, bem como de dificuldades políticas de alguns países importadores. Excepcionalmente, o Brasil, já historicamente um dos maiores importadores mundiais de trigo, alternando com Egito e eventualmente a China, participou do mercado internacional como exportador de trigo, com volumes expressivos no período de 2008 a 2011, respectivamente de 384,1 mil toneladas, 640,4 mil toneladas, 2,3 milhões de toneladas e 1,3 milhão de toneladas.
 

            No mercado interno, os preços também não são satisfatórios nesse momento de início do período de plantio, no nível de produtor. No Estado do Paraná, principal produtor brasileiro, na última semana de março o preço praticado foi de R$25,00 por 60 kg, 4,0% inferior ao de março de 2011.
 

            A comercialização da safra de 2011 foi problemática. Segundo informações da CONAB, 58,1% da safra nacional sofreu intervenção pelo Programa de Escoamento da Produção, mas foi negociada apenas 36,8% da safra por meio desse programa. Na última semana de março, os estoques públicos de trigo totalizavam 1,1 milhão de toneladas, remanescentes que poderão ser consumidos em parte no auge da entressafra do produto, de maio a outubro.
 

            Os levantamentos de previsão de safra da CONAB para 2011/12 ainda não estão contemplando as culturas de inverno, mas no Paraná o primeiro levantamento do Departamento de Economia Rural (DERAL) aponta uma redução de 17% na área a ser cultivada.
 

            A produção paulista não chega a 2,0% do total nacional, mas São Paulo é a unidade da federação de maior consumo do produto, tanto por deter a maior concentração populacional, como também pelo seu importante parque industrial moageiro, além da importância do porto de Santos. Mesmo assim, os produtores estão buscando culturas alternativas como aveia, sorgo, milho safrinha e até cevada (aqueles que conseguem fazer contratos com cervejarias). Essas culturas são de menor risco de mercado que o trigo, e também preenchem a função de formar palhada, necessária para o sistema de plantio direto.
 

            Em São Paulo, a perspectiva é de que a área destinada ao cultivo de trigo continue em declínio. Em 2011, segundo o levantamento final do Instituto de Economia Agrícola, foram cultivados 53,4 mil hectares, e em 2012 espera-se uma queda acentuada. Na região (Escritório de Desenvolvimento Rural) de Itapeva, atualmente a principal região tritícola do Estado, a expectativa é de que a área cultivada com trigo, que já foi de 45 mil hectares há quatro anos, fique por volta de 20 mil hectares nesse ano. Os produtores paulistas estão encontrando dificuldade de satisfazer as exigências da indústria moageira no que se refere à qualidade do trigo.

Palavras-chave: previsão de safra, mercado de trigo.

 

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Data de Publicação: 19/04/2012
Autor(es): José Roberto Da Silva (jrsilva@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor