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Área Cultivada com Trigo em 2012 Ainda Pode Aumentar

 

            A partir de fevereiro desse ano, o real iniciou um movimento de desvalorização, intensificado no mês de maio que se finda, indo de encontro às expectativas da indústria brasileira que vem sofrendo com o ingresso de produtos importados de outros países. O movimento é tênue, mas é um alento. Devido à instabilidade provocada pela crise da economia internacional, notadamente na Europa, ainda é cedo para o fato poder ser encarado como uma tendência. Da mesma forma que na indústria, alguns segmentos da agricultura podem ser beneficiados com a desvalorização do real (Figura 1).
 
 

 
Figura 1 – Taxa de Câmbio, Brasil, 2007 a 2012.
Fonte: Dados da pesquisa.
 
 

            A elevação do dólar, que no mês de maio registra variação de 9,0%, pode favorecer a competitividade do trigo nacional. A produção brasileira de trigo vem sofrendo sucessivas frustrações no momento de comercializar o produto, em virtude da indústria preferir o produto importado, devido à valorização do real.
 

            Além da questão do câmbio, outro fator que tem dificultado a comercialização do trigo nacional é o da qualidade. Mesmo não sendo autossuficiente no abastecimento interno, nos últimos três anos o Brasil tem exportado quantidades significativas do produto, o que foi possível em função de quebra de safra em alguns países grandes produtores e exportadores nesse período, como Austrália, Rússia e Ucrânia. Entretanto, essa situação não é sustentável, uma vez que, normalizada a produção desses países, fica dificultada a colocação dos estoques remanescentes que foram preteridos pelo mercado.
 

            O zoneamento agrícola feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) em suas recomendações de época de semeadura de trigo para as principais regiões produtoras do Brasil aponta como mais tardias algumas áreas nos três Estados da região Sul. No Paraná, o limite é 1º de julho; no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a data limite é 21 de junho. Nos outros Estados com alguma expressão na produção de trigo, a data limite recomendada ocorre bem mais cedo: 20 de fevereiro para Goiás, 28 de fevereiro para Minas Gerais, 10 de março para Mato Grosso, 10 de maio para Mato Grosso do Sul e 20 de maio para São Paulo. Para esses Estados, a desvalorização do real chegou tarde.
 

            Em São Paulo, contudo, de acordo com recomendações do Instituto Agronômico de Campinas, na região sul, que concentra a maior área de cultivo de trigo do Estado, a semeadura deve ser feita entre 15 de março e 31 de maio, sendo tolerada até 15 de junho. Portanto, o triticultor paulista dessa região ainda tem duas semanas para expandir a área, caso se sinta estimulado pela elevação da taxa de câmbio, de forma que a queda esperada na área de cultivo ainda poderá ser parcialmente revertida.
 

            Com relação à qualidade, é bom lembrar que nessa safra entra em vigência o novo sistema de classificação do trigo, a fim de fomentar a produção de cultivares que melhor atendam a demanda da indústria brasileira. A Instrução Normativa n. 38 de 2010 entra em vigor a partir de 1º de julho de 2012. As classes existentes até agora, conforme constam em relatório semanal de conjuntura da CONAB, relativo ao período de 23 a 27 de abril de 2012, são: trigo melhorador, trigo pão, trigo brando, trigo para outros usos e trigo durum. A partir de 1º de julho, as classes serão: melhorador, pão, uso doméstico, básico e outros usos. Com exceção da classe de trigo melhorador, cujas exigências permanecem as mesmas, ou seja, o valor mínimo da força do glúten (W) continua sendo de 300 (10-4 J) e o valor mínimo do número de queda (falling number) de 250 segundos, as exigências para as outras classes foram alteradas. Assim, para a classe pão, o valor mínimo do W passa de 180 para 220, e o valor mínimo para o número de queda de 200 para 220; para a classe uso doméstico, o W mínimo será de 160 e o número de queda de 220; para a classe básico, o W será de 100 e o número de queda de 200; e para a classe outros usos, não haverá exigência com relação a esses parâmetros.
 

            Os diversos segmentos da cadeia produtiva do trigo estão cientes dessas mudanças desde o ano passado. Já para a atual safra, cujo plantio está em andamento, os triticultores deveriam, e devem, amparados pelas instituições de pesquisa, procurar os materiais de plantio que satisfaçam esses parâmetros.
 

Palavras-chave: trigo, área cultivada, classificação de trigo.

 

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Data de Publicação: 01/06/2012
Autor(es): José Roberto Da Silva (jrsilva@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor