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Milho: perspectiva da safra internacional, 2017/18

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA)1, a produção mundial de milho 2017/18 estará 3,4% menor que a safra anterior, situando-se em 1,039 bilhão de toneladas. Esse volume está abaixo do registrado para o consumo mundial, que foi de 1,065 bilhão de toneladas (Figura 1), o que pode contribuir para elevar os preços do cereal no mercado internacional, em 2018.


Com base em informações do USDA, Ribeiro2 noticiou, na primeira dezena de setembro, que a colheita dos Estados Unidos, maior produtor e exportador mundial, estava mais avançada no Texas, principal alvo do furacão Harvey3, onde 60% da área de milho tinha sido colhida4, enquanto, por outro lado, a Carolina do Norte apresentava lentidão em relação à safra do ano passado.   Mas, passados quase dois meses, o relatório do USDA de 2017 registra um declínio de 5,7% na colheita de milho dos Estados Unidos (Tabela 1), em decorrência das adversidades climáticas, frio e excesso de chuva, conforme o site Notícias Agrícolas5, segundo o qual 

Frio congelante em vários estados, notadamente na Dakota do Norte e Minnesota, e chuvas em parte do Cinturão do Milho, como em áreas de Illinois, aumentam a insegurança quanto ao aumento do atraso, da colheita da commodity.

Essa informação é confirmada por Santos et al.6, que explica que o excesso hídrico afetou o cinturão de produção do milho nos Estados Unidos, nas regiões central e nordeste de Nebraska e Ohio.


Com uma demanda doméstica praticamente igual à da safra anterior (Tabela 2), espera-se que, em 2018, os estoques estadunidenses de milho sejam reduzidos, assim como o volume do cereal destinado à exportação, o que abre espaço para os milhos argentino e brasileiro.


Dentre os principais corn players, somente a Argentina, terceiro maior exportador mundial de milho, registra, nas estimativas do USDA, aumento de 2,4%, no volume produzido de milho, com relação à safra 2016/17 (Tabela 1).

No entanto, esse número ainda está na fronteira dos acontecimentos, pois, as estimativas do USDA, no início de novembro, preveem pequena queda na área 2017/18 colocará a produção de milho argentino em 42,0 milhões de toneladas, ou seja, 1,0 milhão de toneladas acima da estimativa do ano anterior do USDA. Segundo o USDA7, a redução na área cultivada tem duas causas:

1) Até outubro haviam áreas próprias ao cultivo que ainda estavam com muita umidade, embora em tempo de serem semeadas.

2) Mudança no preço relativo soja e milho: uma parte da área era esperada para ser plantada com milho devido aos retornos mais elevados. No entanto, nos últimos 3 meses e meio, os preços futuros da soja aumentaram 6%, enquanto os preços do milho caíram 3%. Na maioria dos casos, em que o milho está próximo dos portos ou perto dos centros de consumo, ainda é mais lucrativo do que a soja, porém a diferença de lucratividade ficou significativamente menor para o milho do que para a soja. Além disso, os custos de produção de milho são 50% maiores que os da soja. Os produtores que cultivam em sua própria terra provavelmente continuarão com a rotação projetada, enquanto aqueles que alugam terras estarão mais inclinados a plantar soja nas condições atuais do mercado.

Segundo o USDA a produção do Brasil, segundo maior exportador mundial, deve recuar 3,6%, em relação à safra anterior em decorrência de queda na produtividade (Tabela 1).

Apesar das incertezas com relação à safra brasileira de verão 2017/18, a estimativa para intenção de plantio, da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), é de que a produção de milho situe-se entre 13% e 17% aquém da safra anterior (2016/17), devido à baixa cotação dos preços desse cereal, que deverá influenciar os produtores na tomada de decisão de reduzir a área plantada. No entanto, como atenta o Notícias Agrícolas, há expectativas de preços firmes para o milho até o primeiro trimestre de 2018, pois

Na B3 (antiga BM&F/Bovespa), os contratos futuros de milho, em 31 de outubro de 2017, com vencimento em março de 2018, fecharam em R$34,00). Ou seja, uma alta de 9,7% até o final do primeiro trimestre de 20188.

O destino final das cotações, determinante para a decisão dos produtores, fica, ainda, a depender do escoamento dos grãos produzidos pela “safrona” brasileira de inverno 2016/17 e das estimativas de intenção de plantio na região do cerrado.

 

1UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE - USDA. Foreign Agricultural Service (FAS). Grain: world markets and trade. United States: USDA/FAS, nov. 2017. Disponível em: <https://apps.fas.usda.gov/psdonline/circulars/grain.pdf>. Acesso em: nov. 2017.

 

2RIBEIRO, C. Colheita do milho começa dentro da média no Estados Unidos. São Paulo: Globo Rural, 11 set. 2017. Disponível em: <http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/Milho/noticia/2017/09/colheita-de-milho-comeca-dentro-da-media-nos-eua.html>. Acesso em: nov. 2017.

 

3Em 25 de agosto de 2017, o furacão Harvey, categoria 4, atingiu o Texas causando a maior inundação a vista nos Estados Unidos.

 

4No entanto essa região é pecuarista e a produção de milho, que corresponde a pouco mais de 2% da produção do país, destina-se à produção animal.

 

5LORENZON, G. Apesar do clima, demanda fraca e estoques nos EUA fazem milho recuar em Chicago. Campinas: Notícias Agrícolas, 3 nov. 2017. Disponível em: <https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/milho/201900-apesar-do-clima-demanda-fraca-e-estoques-nos-eua-fazem-milho-recuar-em-chicago.htm
l#.Wf-6MGhSzIU>. Acesso em: 3 nov. 2017.

 

 6SANTOS, C. E. et al. Anuário brasileiro do milho 2017. Santa Cruz do Sul: Editora Gazeta Santa Cruz, 2017. 72 p.

 

7Op. cit. nota 1.

 

8EXPECTATIVA de preços firmes para o milho até meados do primeiro trimestre de 2018. Campinas: Notícias Agrícolas, 3 nov. 2017. Disponível em: <https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/milho/201855-expectativa-de-precos-firmes-para-o-milho-ate-meados-do-primeiro-trimestre-de-2018.html#.Wf-u5GhSzIU>. Aces-so em: 5 nov. 2017.

 

 

Palavras-chave: milho, safra 2017/18, oferta e demanda.


 

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Data de Publicação: 22/11/2017
Autor(es): Maximiliano Miura (miuramax@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Silene Maria de Freitas (silene@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor