Balança Comercial dos Agronegócios Paulista e Brasileiro de Janeiro a Julho de 2018


1 - BALANÇA COMERCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

No acumulado de janeiro a julho de 2018, as exportações do Estado de São Paulo1 somaram US$29,56 bilhões (21,7% do total nacional) e as importações2 US$35,02 bilhões (34,2% do total nacional). Em relação ao mesmo período de 2017, o valor das exportações paulistas cresceu 2,0% e o das importações 14,9%, elevando o deficit comercial para US$5,46 bilhões (Figura 1).

 

 

Ao se analisar o comportamento mensal no mês de julho de 2018, as exportações do Estado de São Paulo somaram US$3,94 bilhões e as importações US$5,28 bilhões, registrando um deficit de US$1,34 bilhão. Na comparação com julho de 2017, o valor das exportações paulistas caiu 9,6%, enquanto o valor das importações cresceu 13,1% (Tabela 1).

 

Em uma análise setorial, no acumulado dos sete primeiros meses de 2018, na comparação com o mesmo período do ano anterior, o agronegócio3 paulista apresentou queda nas exportações (-9,1%), atingindo US$9,97 bilhões enquanto as importações subiram (+4,2%), somando US$2,95 bilhões, reduzindo em 13,8% o saldo comercial em relação a 2017, registrando US$7,02 bilhões (Figura 2). 

 

 

Há que se destacar que as exportações paulistas nos demais setores da economia - exclusive o agronegócio - somaram US$19,59 bilhões, e as importações US$32,07 bilhões, gerando um deficit externo desse agregado de US$12,48 bilhões. Assim, conclui-se que o deficit do comércio exterior paulista só não foi maior devido ao desempenho do agronegócio estadual, cujo saldo manteve-se positivo (US$7,02 bilhões).

A tabela 2 apresenta os resultados mensais da balança comercial do agronegócio paulista. Nota-se um aumento de 5,7% nas exportações no mês de julho de 2018 em relação ao mês anterior. Tal resultado é derivado do aumento expressivo do volume exportado do grupo de carnes (+204,2%), mesmo com redução de importantes grupos da pauta das exportações paulistas, complexo sucroalcooleiro (-6,8%) e complexo soja (-27,9%). A comparação de julho de 2018 com julho de 2017 mostra queda de 3,3%.

 

 

Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio paulista, no período de janeiro a julho de 2018, foram: complexo sucroalcooleiro (US$2,94 bilhões), seguido do complexo soja (US$1,52 bilhão), carnes (US$1,26 bilhão), sucos (US$1,24 bilhão) e produtos florestais (US$1,06 bilhão). Esses cinco agregados representaram 80,4% das vendas externas setoriais paulistas (Tabela 3).

         Ainda de acordo com a tabela 3, na comparação com o mesmo período de 2017, houve importantes variações nos valores exportados dos principais grupos de produtos da pauta paulista, com destaque para o complexo sucroalcooleiro (-39,3%), complexo soja (+29,5%), carnes (+24,6%), sucos (+30,3%) e produtos florestais (+8,3%). Além desses produtos, o café, tradicional produto do agronegócio paulista, com exportações de US$288,18 milhões em 2018, apresentou queda de 32,3% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

 

 

A participação das exportações do agronegócio paulista no total do Estado diminuiu 4,2 pontos percentuais, enquanto a participação das importações recuou 0,9 ponto percentual, comparando-se os sete primeiros meses de 2018 e de 2017 (Figura 3).

 

 

 

 

 

2 - BALANÇA COMERCIAL DO BRASIL

A balança comercial brasileira registrou superavit de US$34,04 bilhões no período de janeiro a julho de 2018, com exportações de US$136,46 bilhões e importações de US$102,42 bilhões. O menor superavit comercial em relação a 2017 (-19,9%) resultou do aumento nas importações (+22,0%) superior ao das exportações (+7,9%) (Figura 4).

 

 

No tocante aos dados mensais, no mês de julho de 2018, as exportações e as importações apresentaram crescimento expressivo na comparação com junho, respectivamente, de 14,0% e 30,2%. Na comparação com o mês de julho de 2017, as exportações brasileiras cresceram 21,9%, totalizando US$22,87 bilhões, enquanto as importações cresceram 49,5% no mesmo período, somando US$18,64 bilhões. Assim, o resultado da balança comercial brasileira apresentou superávit de US$4,23 bilhões no mês, porém 32,8% menor do registrado em julho de 2017 (Tabela 4).

 

 

Nos sete primeiros meses de 2018, as exportações do agronegócio brasileiro aumentaram 5,0% em relação ao mesmo período do ano anterior, atingindo US$59,21 bilhões (43,4% do total). Já as importações do setor recuaram 0,6%, somando US$8,30 bilhões (8,1% do total). O superavit do agronegócio nesse período foi de US$50,91 bilhões, sendo 6,0% superior ao mesmo período do ano passado (Figura 5).

Portanto, o comércio exterior brasileiro só não foi deficitário devido ao desempenho do agronegócio, uma vez que os demais setores da economia, com exportações de US$77,25 bilhões e importações de US$94,12 bilhões, produziram nos primeiros sete meses deste ano um deficit de US$16,87 bilhões.

 

 

 

A tabela 5 apresenta os resultados mensais da balança comercial do agronegócio nacional. Na comparação do mês de julho de 2018 com o mês anterior, as exportações avançaram 6,2%, enquanto as importações aumentaram 21,2% também na comparação com o mês de junho.

 

 

 

 

Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio brasileiro, no acumulado de janeiro a julho de 2018 foram: complexo soja (US$27,26 bilhões), seguido dos produtos florestais (US$8,11 bilhões), carnes (US$8,05 bilhões), complexo sucroalcooleiro (US$4,18 bilhões) e café (US$2,47 bilhões). Esses cinco grupos agregados representaram 84,6% das vendas externas setoriais brasileiras (Tabela 6).

 

 

 

A participação do agronegócio nos totais do País diminuiu em termos das exportações (-1,2 ponto percentual) e também no tocante às importações (-1,8 ponto percentual) (Figura 6).

 

 

3 - DESEMPENHO DO ESTADO DE SÃO PAULO NO BRASIL

A participação paulista no total da balança comercial brasileira apresentou ligeira diminuição nas exportações (-1,2 ponto percentual) e nas importações (-2,1 pontos percentuais) (Figura 7). Isso ocorreu, pois enquanto as exportações paulistas cresceram 2,0% de janeiro a julho de 2018, as exportações brasileiras cresceram mais fortemente no mesmo período, alcançando 7,9%, o mesmo ocorrendo com as importações, tendo aumento em São Paulo de 14,9%, inferior ao do Brasil de 22,0%.

Em relação ao agronegócio brasileiro, as exportações setoriais de São Paulo no período analisado representaram 16,8%, ou seja, 2,7 pontos percentuais inferior ao mesmo período de 2017, enquanto as importações representaram 35,5%, sendo 1,6 ponto percentual superior ao verificado nos sete primeiros meses de 2017 (Figura 8). 

 

 

 

 

 

1Estado produtor (Unidade da Federação exportadora), para efeito de divulgação estatística de exportação, é aquele onde foram cultivados os produtos agrícolas, extraídos os minerais ou fabricados os bens manufaturados, total ou parcialmente. Neste último caso, o estado produtor é aquele no qual foi completada a última fase do processo de fabricação para que o produto adote sua forma final.

 

2Estado importador (Unidade da Federação importadora) é definido como aquele do domicílio fiscal do importador.

 

3Os grupos de produtos dos agronegócios podem ser vistos em: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO - MAPA. Agrostat. Brasília: MAPA. <http://www.agricultura.gov.br/portal/page/portal/Internet-MAPA/pagina-inicial/servicos-e-sistemas/sistemas/agrostat>. Acesso em: ago. 2018. 

 

 

Palavras-chave: agronegócio, balança comercial, exportações, importações, comércio exterior.


Data de Publicação: 17/08/2018

Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Carlos Nabil Ghobril (nabil@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Marli Dias Mascarenhas Oliveira (marli@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor