Floricultura: tendência crescente nas exportações

            O Brasil ocupou, em 2004, cerca de 0,3% do mercado internacional de produtos da floricultura. Esta fatia é maior do que os 0,2% de 2003,considerando-se o valor de US$9,4 bilhões movimentados nesse ano, segundo dados do COMTRADE (Commodity Trade Statistic Database, United Nations)1.
            O cenário atual é muito favorável aos produtos da floricultura, em que pesem as dificuldades, para pequenos exportadores como o Brasil que se estão empenhando na conquista de novos mercados. O movimento internacional, em dólar, cresceu 6% na média anual entre 1999 e 2003. Já o valor comercializado aumentou, de 2002 a 2003, 12% no grupo de flores cortadas para buquês; 8% no de folhas, folhagens e galhos; e 20% no de demais itens de plantas vivas1.
            A exportação de produtos da floricultura brasileira, em termos de valor, está crescendo, anualmente, desde 2001, após longo período de estagnação na década de noventa. Entre 2003 e 2004, teve variação positiva de 30% e de 21%, respectivamente, segundo dados da SECEX/MDIC2.
            Gradativamente, o ranking de importância dos parceiros comerciais está mudando de posição, de maneira geral, assim como o de grupos de produtos. O valor da exportação de flores frescas para buquês, em declínio até 2000, está aumentando a ritmos acelerados. Novos países – Emirados Árabes, Índia, Tailândia, etc. – estão entrando como parceiros comerciais da floricultura brasileira, assim como outros (Bélgica, Canadá, Holanda, Estados Unidos e Japão) destacam-se pela magnitude das transações ou despontam pelo ritmo de sua expansão.
            Grande parte desse resultado pode ser atribuída ao empenho do governo brasileiro em incentivar as exportações do setor, desde o início de 2001, e à determinação das empresas em conquistar novos mercados. Muitos produtores do setor têm know-how e tecnologia de ponta para atender os clientes com produtos de qualidade, seja em forma de mudas, bulbos e flores frescas seja em forma de folhagens.
            Os agentes da cadeia produtiva devem estar atentos aos pequenos movimentos e sinais de ajuste no cenário internacional – objetos de análise deste artigo – para capitalizar de forma ágil novas oportunidades, além de incentivar as ações de praxe já realizadas, como a promoção do seu produto nas vitrines de outros países, e efetivar contratos.
            Em 2004, destacou-se o grupo de flores frescas cortadas para buquês, aumentando consideravelmente a sua participação na pauta de exportações do setor, de 13% para 21%, embora as vendas externas em termos de valor tenham crescido como um todo e por grupo de produtos3 – exceto o de folhagens. Os demais grupos diminuíram sua importância relativa em comparação com a do ano anterior (figura 1).

Figura 1 – Participação porcentual do valor da exportação de produtos da floricultura brasileira, por grupo, 2003 e 2004
 

 

Fonte: Elaborada pelos autores com base em SECEX (2005).
 

            Em 2003 e 2004, oito parceiros comerciais compraram o equivalente a 93% do valor da exportação do setor. Nesse cenário, a Bélgica ocupou o sétimo lugar no ranking de importadores do produto brasileiro. A Holanda, primeiro lugar no ranking, diminuiu a sua participação relativa entre os países de destino do produto brasileiro, passando de 51% para 49%. Por outro lado, os Estados Unidos dobraram a sua fatia, passando de 11% para 22%, seguidos do Japão cujo desempenho cresceu de 4% para 5%. O Uruguai, presente em 2003, foi deslocado pela entrada da Bélgica no cenário como cliente de peso de mudas de ornamentais (figura 2).

Figura 2 – Participação porcentual do valor da exportação de produtos da floricultura brasileira, por destino, 2003 e 2004

 
 

Fonte: Elaborada pelos autores com base em SECEX (2005).
 

            Por outro lado, nove países compraram, em 2004, 93% do valor acumulado da exportação brasileira, considerando o ranking4 de países de destino por grupo de produtos – o que define os mais importantes parceiros comerciais e produtos, simultaneamente. São eles: Holanda, Estados Unidos, Itália, Japão, Reino Unido, Dinamarca, Bélgica, Uruguai e Alemanha. Destes, Holanda e Estados Unidos importaram os quatro grupos de produtos do Brasil ao longo do ano. Os sete primeiros países/produtos desse ranking totalizaram 78,0% do valor da exportação do setor no ano passado, ou seja: Holanda/mudas (21,9%), Holanda/bulbos (19,8%), EUA/flores (12,4%), Itália/mudas (7,9%), Holanda/flores (6,1%), EUA/mudas (5,5%) e Japão/mudas (4,9%) (figura 3).

            As exportações dos produtos da floricultura, em termos monetários, em 2004 foram sempre maiores do que as de 2003 em todos os meses, embora tenham ocorrido quedas freqüentes nos grupos de folhagens (oito vezes) e de bulbos (seis vezes) e uma queda mensal no caso de mudas. O grupo de flores para buquês foi destaque neste cenário, apresentando variação positiva ao longo de 2004.
            A magnitude da variação na exportação mensal do setor em 2004, em relação ao ano anterior, foi maior de janeiro a julho e em dezembro, ficando o valor exportado dos demais meses apenas ligeiramente superior ao de 2003 (tabela 1).

            As exportações mensais do setor apresentaram em 2004 dois picos ao longo do ano – julho e dezembro. No primeiro caso, o pico foi 'puxado' pela magnitude do valor do grupo de bulbos e, no segundo, pelo de mudas e de flores para buquês. O grupo de bulbos apresentou nos dois anos uma sazonalidade mensal acentuada, com valores bem acima da média anual em junho, julho e agosto. Embora em menor grau, o grupo de mudas apresentou valores superiores à média anual em janeiro, fevereiro e dezembro. Os grupos de flores para buquês e de folhagens apresentaram, de maneira geral, valores de exportação mensal muito próximos de suas respectivas médias mensais (figura 4).

            Na floricultura, é árdua a conquista do mercado externo, de um lado dominado pelos competidores de peso e, de outro, por inúmeros concorrentes espalhados pelo mundo. Os preços relativos de insumos e produtos, a qualidade de produtos e serviços, a credibilidade, a confiabilidade e a eficácia no marketing e na promoção dos produtos são fatores determinantes para definir o desempenho futuro do setor para os floricultores brasileiros. A análise do desempenho de 2004, sob vários ângulos, fornece indicativo de que o valor da exportação de produtos da floricultura brasileira continuará a crescer em 2005.
            É razoável esperar que o setor cresça, em 2005, cerca de 20% em termos de valor exportado, atingindo, portanto, o patamar de US$ 28 milhões. Isto se considerarmos que mercados (como Holanda, Estados Unidos e Japão) e produtos (como mudas e bulbos já tradicionais e, sobretudo, flores frescas para buquês) tenham crescido anualmente, em termos de valor, e que outros 10 países5 estejam chegando como novos parceiros da floricultura brasileira, além da entrada ou expansão de grupo de produtos em alguns países de destino6; o valor da exportação mensal acumulada até fevereiro de 2005 tenha crescido 24% em relação ao mesmo período de 2004, com destaque para o grupo de bulbos (+497%); e a FloraBrasilis já tenha tido tempo hábil para registrar a marca do produto brasileiro junto ao cliente-alvo – como as rosas do Ceará, presente em leilão de Aalsmeer na Holanda.7

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1. Citado por LAWS, Nancy. 2003: a strong year for floriculture. FloraCulture International, Batavia, v.15, n.2, p.26-29, 2005.

2 Considerou-se nesta análise o grupo de produtos especificados na Nomenclatura Comum do Mercosul, NCM 06 da SECEX/MDIC - Secretaria de Comércio Exterior, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Exportação, Importação e Saldo da Balança Comercial brasileira de plantas vivas e produtos da floricultura, janeiro a dezembro de 2003 e 2004. Disponível em http://aliceweb.mdic.gov.br/consulta_nova/resultadoConsulta.asp. Acesso em 05 de abril de 2005.

3 O Capítulo 06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é composto por quatro agrupamentos de produtos: de Bulbos (bulbos, tubérculos, rizomas, etc.), de Mudas (mudas de plantas ornamentais, de orquídeas, etc.), de Flores (flores cortadas para buquês, frescas ou secas) e Folhagens (folhas, folhagens e musgos para floricultura).

4 O ranking foi construído considerando a participação porcentual do valor da exportação por grupo de produtos e por país de destino conjuntamente.

5São em ordem de importância: Paraguai, Emirados Árabes, Índia, Equador, Guiana, Tailândia, Estônia, República Tcheca, Peru e Jordânia.

6A Bélgica surgiu, em 2004, como país de destino de mudas de ornamentais do Brasil, pulando no ranking dos parceiros comerciais da floricultura brasileira de 21ª, em 2003, para 7ª posição, com variação de 1.525 % no valor da exportação a esse destino. Os novos produtos, para novos países de destino ou para clientes desde 2003, movimentaram US$ 1,0 milhão em 2004.

7 Artigo registrado no CCTC-IEA sob número HP-24/2005.

Data de Publicação: 11/04/2005

Autor(es): Ikuyo Kiyuna (ikuyo@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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