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Perspectivas De Consumo De Alimentos Para Animais Em 2002

            A cadeia agroindustrial de alimentação animal ocupa posição de destaque no contexto do agronegócio, pois possibilita na forma de ração a conversão de produtos básicos em alimentos protéicos, carne, leite e ovos, lã e couro. Na realidade, a demanda de rações é derivada da intensidade de utilização humana de proteínas animais sob diferentes formas e do contingente de animais de lazer, guarda e companhia que dela se utilizam.
            A cadeia engloba as próprias criações, o complexo protéico-animal, fábricas de ração, segmentos produtores de grãos e forragens, bens de capital, moinhos de cereais, fábricas de óleo, indústrias química e farmacêutica, fábricas de máquinas, equipamentos e de embalagens, entre outros.
            O complexo protéico-animal vem, há algum tempo, passando por profundas modificações sobretudo no tocante à formulação de rações. As grandes atividades de criação já não utilizam mais rações prontas: elas são preparadas no próprio local de consumo. A ração pronta, por sua vez, tem se destinado mais aos segmentos emergentes e que utilizam volumes menores (pet food, aqüicultura e eqüinocultura, em especial), pouco representativos ainda mas que apresentam potencialidade considerável.
            Estabelecida em 1940, a indústria de rações ganhou impulso na década de 60, com o início da avicultura comercial, e intensificou-se na década seguinte graças aos avanços das raças híbridas, especialmente no aspecto nutricional – conversão alimentar – das aves.
            Houve, portanto, no complexo agroindustrial da alimentação animal uma estreita vinculação entre rações (fábricas) e avicultura que se faz presente até hoje, embora de uma forma diferenciada, graças à integração e utilização de premixes e concentrados, para mistura na própria granja e não mais sob a forma de ração pronta.
            Segundo o SINDIRAÇÕES (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal), o dinamismo do mercado de rações tem sido o grande direcionador de inovações, fazendo com que o setor produtivo registrasse em 2001 um faturamento de US$ 7,0 bilhões, referente à movimentação de 38,8 milhões de toneladas com a utilização de 60 % da produção brasileira de milho e farelo de soja.
            A avicultura respondeu por 56% do total consumido, seguida de suinocultura com 31%; bovinocultura (8%); pequenos animais (3%); eqüinos (0,8%) e aqüicultura (0,4%). O restante (1,5%) corresponde a outras destinações. A mesma fonte aponta o Brasil como o 3o colocado no ranking mundial de alimentos balanceados, ficando atrás apenas dos Estados Unidos (141,6 milhões de toneladas) e da China (57 milhões de t).
            É bastante complexo o relacionamento da alimentação animal com os diferentes agentes econômicos. Ao mesmo tempo em que é incorporada pelo setor agropecuário na forma de insumos, também se abastece de outros do próprio setor para a sua fabricação. Além disso, pode ter nos resíduos agrícolas e agroindustriais fontes alternativas de matérias-primas para a sua formulação. Fábricas de óleos vegetais e moinhos de cereais por sua vez têm estreita relação com a alimentação animal, fornecendo farelos, principalmente.
            O milho é o principal macroelemento (62%) utilizado na formulação de rações. Em 2001, foram convertidas em ração 23,9 milhões de toneladas, correspondendo a mais da metade da produção brasileira do cereal. Depois do milho, o farelo de soja é o segundo insumo mais importante da ração. Em 2001, a demanda foi superior a 7,0 milhões de toneladas, ou seja , mais de 40% do total produzido.
            A aqüicultura tem sido uma das atividades primárias que mais crescem no mundo, graças ao uso de tecnologia nas explorações conduzidas com alimentação suplementar. A piscicultura também é um empreendimento promissor, com produtividade elevada frente a outras explorações, mas ainda carente de pesquisa. A proliferação de pesque-pagues deu alento à criação de peixes de determinadas espécies e, hoje, é significativa a instalação de criatórios por grandes empresas, principalmente na região nordeste. Contudo, nos segmentos emergentes estão as melhores oportunidades: a linha de pet food ainda é pouco consumida no país, mas tem apresentado notória expansão . Cresceu 17% em relação a 2.000.
            A eqüinocultura tem apresentado evolução no consumo de ração (340 mil toneladas em 2001), embora em ritmo mais lento em relação às outras atividades emergentes. Animais, particularmente os criados em haras, têm merecido atenção dos fabricantes: é um mercado limitado, mas de alto valor econômico e exigente em padrão de qualidade.
            Pet food, representado por um plantel de 23 milhões de cães e 10 milhões de gatos, segundo estimativas da ANFAL (Associação Nacional de Fabricantes de Alimentos para Animais), tem um consumo efetivo de 1.2 milhão de toneladas, mas representa apenas 28% do contingente de animais. Este segmento apresenta faturamento superior a 1 bilhão de reais. Ração para animais de estimação é comercializada em pet shops, supermercados, lojas de conveniência e cooperativas e se constitui numa mercadoria típica de grandes centros urbanizados.
            A estrutiocultura (criação de avestruz), que hoje já conta com cerca de 45 mil aves, poderá alcançar pleno abate dentro de 5 anos, segundo especialistas do setor. A exploração atualmente está sob controle do Ministério da Agricultura, tendo saído do âmbito do IBAMA. Prova da sua importância é que já existe ração comercial, de diferentes marcas, destinada a este tipo de ave. Considerando que cada avestruz adulta consuma 1,5 kg/dia, estima-se no curto prazo uma demanda de 25 mil toneladas anuais para a atividade.
            Para a bovinocultura, houve aumento de 21% na produção de ração no último ano. No tocante ao desenvolvimento tecnológico, tanto a pecuária de leite quanto a de corte têm potencial para crescer. O mercado externo de carnes em geral tem sido promissor.
            O cenário a ser enfrentado pelos componentes da cadeia produtiva de alimentação animal aponta a necessidade da reconversão da produção de rações prontas, em vista da tendência de aumento da participação da integração para a obtenção de proteinas, levando os grandes empresários a fabricarem sua própria ração. É forte a tendência de aumento da participação da integração nos setores tradicionais e mais significativos em termos de volumes consumidos - suínos e aves – e mesmo da pecuária. Devem crescer, portanto, as necessidades de premix e concentrados para adição na ração a ser elaborada nos próprios locais de consumo, criando inclusive possibilidades para a ampliação da fabricação destes insumos.
            De acordo com o SINDIRAÇÕES, em 2002 poderão ser produzidas cerca de 42 milhões de toneladas de ração, ou seja, um acréscimo de 7% em relação ao ano precedente.
            Em resumo, as modificações que ocorreram nas atividades tradicionais exigem inovações na produção de rações prontas, direcionadas para a exploração de segmentos potenciais de menor representatividade em termos quantitativos, mas de grande importância econômica.

 

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Data de Publicação: 05/06/2002
Autor(es): Sebastião Nogueira Junior (senior@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Afonso Negri Neto (afonsonegri@yahoo.com.br) Consulte outros textos deste autor
Elizabeth Alves e Nogueira (enogueira@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor