Floricultura: desempenho do comércio exterior no primeiro trimestre de 2005

            A análise do desempenho do comércio exterior brasileiro de produtos da floricultura em 2004, sob vários ângulos, fornece indicativo de que o valor da exportação do setor continuará a crescer em 20051. De onde – quais parceiros comerciais e quais produtos – virá esse crescimento?
            No primeiro trimestre de 2005, o valor das exportações da floricultura brasileira cresceu 23% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da SECEX2. Embora não seja no ritmo de 2004 (35%), esse crescimento ganha importância se considerarmos que o setor tinha expandido também em 2003 (21%) e em 2002 (22%). O setor cresceu 122% até 2005, atingindo US$ 6,6 milhões no trimestre, tomando como referência o valor exportado no primeiro trimestre de 2000 – período anterior ao programa de incentivo à exportação, a FloraBrasilis. O valor das importações de produtos da floricultura cresceu 17% de 2004 a 2005, um ritmo menor do que o das exportações no período analisado. A curva do saldo da balança apresentou coeficiente angular próximo ao do valor exportado (25%) (figura 1). 


 

            Por grupo3 de produtos, o valor das exportações teve a seguinte distribuição: mudas (61%), flores (28%), bulbos (7%) e folhagens (4%). O grupo que apresentou maior variação no valor exportado, em relação ao mesmo período de 2004, foi o de bulbos (+468%), seguido de flores (+24%) e de mudas (+17%). Por outro lado, o grupo de folhagens apresentou variação negativa (-18%). O saldo da balança comercial, por grupo, foi superavitário, exceto o de bulbos (figura 2).

            Três países importaram o equivalente a 80% do valor das exportações brasileiras do setor. São eles: Holanda (38%), Estados Unidos (26%) e Itália (15%), que apresentaram crescimento de 27%, 18% e 15%, respectivamente, comparado com o mesmo período de 2004. Embora ocupem menores fatias, destacaram-se, pelo crescimento no período, os seguintes parceiros comerciais: Espanha (+130%), Portugal (+92%), Bélgica (+774%), Canadá (+63%) e Argentina (+83%) (figura 3).

            A evolução das exportações, por grupo de produto, para os Estados Unidos ilustra o desempenho recente do setor brasileiro em termos de expansão do mercado. No primeiro trimestre de 2005, o País passou a exportar o grupo de bulbos, após vários anos sem exportações (exceto em 2003), além de ter aumentado o valor exportado dos grupos de mudas (33%) e de flores (12%) e diminuído o de folhagens (-58%) (figura 4).
            O momento é muito oportuno para os exportadores 'recém-chegados', como o Brasil, entrarem e se expandirem no mercado norte-americano de rosas, uma vez que a quantidade importada do produto nesse mercado cresce anualmente nos últimos 10 anos, segundo dados do USDA4. Outro fator favorável ao Brasil é a valorização, por parte dos consumidores americanos do tipo de rosas exportado pelo País, tipo 'sweetheart', de haste menor e apropriado para buquês. Além disso, a proporção de rosas importadas em relação à produçãodoméstica nos Estados Unidos cresce anualmente, atingindo a relação 2:14.

            Cerca de 36% das flores de corte importadas pelo mercado norte-americano são de rosas, dos quais 58% e 31% são, respectivamente, provenientes da Colômbia e do Equador, países especializados na produção de rosas adaptadas para grandes altitudes, de botão floral grande e haste longa4.
            Ainda é muito cedo para indicar tendências a partir da análise trimestral, mas alguns indicadores no desempenho são significativos. Um é o crescimento de 468% no valor exportado do grupo de bulbos, uma vez que é este um produto com grande variação estacional ao longo do ano (os meses de pico são junho, julho e agosto). Acrescente-se que este aumento ocorreu em função da maior demanda por parte da Holanda - o maior parceiro comercial da floricultura brasileira, com tradição na produção e exportação de flores do grupo de bulbos e também de produtos da floricultora em geral.
            Outro fato positivo no trimestre é a expansão das exportações, em valor, de flores frescas para os principais parceiros comerciais desse produto - Estados Unidos (+12%), Holanda (+31%), Portugal (96%) e Canadá (+121%) -, assim como de folhagens para Holanda (+59%) e Itália (+35%) e de mudas de orquídeas para Japão (+122%) e Taiwan (+56%).5

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1KIYUNA, I.; ÂNGELO, J. A.; COELHO, P. J. Floricultura: tendência crescente nas exportações. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=1742, desde 11/04/2005.

2 Considerou-se nesta análise o grupo de produtos especificados na Nomenclatura Comum do Mercosul, NCM 06 da SECEX/MDIC - Secretaria de Comércio Exterior, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Exportação, Importação e o Saldo da Balança Comercial brasileira de plantas vivas e produtos da floricultura. Disponível em http://aliceweb.mdic.gov.br/consulta_nova/resultadoConsulta.asp. Acesso em 20 de abril de 2005.

3 O Capítulo 06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é composto por quatro agrupamentos de produtos: de Bulbos (bulbos, tubérculos, rizomas, etc.), de Mudas (mudas de plantas ornamentais, de orquídeas, etc.), de Flores (flores cortadas para buquês, frescas ou secas) e Folhagens (folhas, folhagens e musgos para floricultura).

4 Citado por PIZANO, Marta. Roses: Holding the line in Latin America. FloraCulture International, Batavia, v.15, n.4, p.18-23, abr. 2005.

5 Artigo registrado no CCTC-IEA sob número HP-30/2005.

Data de Publicação: 03/05/2005

Autor(es): Ikuyo Kiyuna (ikuyo@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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