Flores: desempenho do comércio exterior no período janeiro-setembro de 2005

            Dois períodos concentram picos de exportação de produtos da floricultura: a) de junho a agosto e b) de dezembro a fevereiro. A análise do desempenho nos primeiros nove meses de 2005 permite apreciar um panorama recente do comércio exterior do segmento, bem como oferece informações estratégicas para a atividade no Brasil.

            O valor acumulado das exportações de produtos da floricultura brasileira, de janeiro a setembro de 2005, atingiu US$ 20,8 milhões, com crescimento de 15,1% em relação a igual período do ano anterior (de US$ 18,1 milhões), segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (SECEX-MDIC)1. Já as importações somaram US$ 4,3 milhões, com variação negativa de 4,5% comparada com o mesmo período de 2004. O saldo da balança comercial cresceu 21,6%, com superávit de US$ 16,5 milhões, seguindo a mesma tendência das exportações (figura 1).
            O grupo de mudas2 destacou-se entre os produtos exportados com o total de US$ 9,5 milhões (45,6% do valor total), o que significa crescimento de 7,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O grupo de bulbos ocupou a segunda fatia (29,6%), porém com maior crescimento (+28,9%), passando de US$ 4,8 milhões para US$ 6,2 milhões. O grupo de flores apresentou participação de 18,6% no valor e também desempenho melhor em relação a 2004 (+19,7%). Já o grupo de folhagens, embora de menor participação na fatia da exportação brasileira (6,2%), surpreendeu com crescimento de 4,1% em relação ao período anterior (figura 2).

            Em termos de resultado mensal, o valor exportado de junho deste ano (US$ 3,4 milhões) foi o maior do período de janeiro de 2003 a setembro de 2005. O desempenho positivo do mês pode ser medido também pela variação em relação ao mesmo mês de 2004 (+36,8 %) (figura 3).

            Entre janeiro e setembro de 2005, as exportações brasileiras tiveram como destino 31 países, dos quais dois parceiros comerciais absorveram 73,5% do valor das vendas externas (tabela 1).
            A Holanda continua como principal parceiro comercial da floricultura brasileira, com US$ 10,2 milhões (48,9% do total) e crescimento de 11,8%. Por grupos de produtos, apresentou a seguinte distribuição: bulbos (47,8%), mudas (40,9%), flores de corte (8,3%) e folhagens (3,0%).
            Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com US$ 5,1 milhões (participação de 24,6%) e crescimento de 28,3% no período. O grupo de flores é o principal produto comercializado (49%). Outros destinos de destaque em termos de volume são Itália (fatia de 7,4%), Japão (4,5%) e Bélgica (3,2%).
            A Espanha merece ser citada pois passou do 11º lugar no ranking em 2004 para a 7ª posição em 2005 (crescimento de 100%), tendo como produtos principais os do grupo de mudas de plantas ornamentais (92%). Destaque também para o Canadá que passou da 13ª para 11ª posição no ranking em 2005, com crescimento de 75,8%. Por outro lado, não houve registro de exportações no período para Emirados Árabes, Paraguai, Israel, Paquistão, Colômbia, Guiana, Tailândia, Estônia, Peru e Jordânia, embora tenham sido parceiros em 2004.

            A Bélgica mantém-se como parceiro promissor do Brasil, com crescimento de 56,9% no período em questão. O salto no valor exportado em junho deste ano também chama a atenção e merece estudo mais aprofundado. Os novos parceiros comerciais detectados em 2005 – Polônia, Hungria, Costa Rica, Cabo Verde e Guatemala – também merecem atenção do setor, principalmente dos órgãos de promoção das exportações.
            Por fim, a exportação brasileira de folhas, folhagens e musgos – grupo de produtos de menor desempenho em 2004 – ganha novo fôlego em 2005.3

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1 Considerou-se nesta análise o grupo de produtos especificados na Nomenclatura Comum do Mercosul, NCM 06 da SECEX/MDIC - Secretaria de Comércio Exterior, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Exportação, Importação e o Saldo da Balança Comercial brasileira de plantas vivas e produtos da floricultura. Disponível em http://aliceweb.mdic.gov.br/consulta_nova/resultadoConsulta.asp. Acesso em 17 de outubro de 2005.
2 O Capítulo 06 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) é composto por quatro agrupamentos de produtos: de Bulbos (bulbos, tubérculos, rizomas, etc.), de Mudas (mudas de plantas ornamentais, de orquídeas, etc.), de Flores (flores cortadas para buquês, frescas ou secas) e Folhagens (folhas, folhagens e musgos para floricultura). No grupo de mudas, estão incluídos os de não-ornamentais como café, cana e videira, em valores ínfimos.
3 Artigo registrado no CCTC-IEA sob número HP-105/2005

Data de Publicação: 16/11/2005

Autor(es): Ikuyo Kiyuna (ikuyo@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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