Flores: oportunidades nos mercados internacional e doméstico

            O valor das exportações de produtos da floricultura atingiu o patamar inédito de US$ 23,6 milhões em 2004, com crescimento de 21% em relação ao do ano anterior (US$ 19,5 milhões), segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (SECEX-MDIC)1.
            Este desempenho é fruto do esforço dos agentes envolvidos no setor – o principal o incentivo à exportação é dado pela Agência de Promoção de Exportações do Brasil (APEX) desde 2001 –, além do melhor aproveitamento das oportunidades no comércio internacional, cujo crescimento médio anual é de 6% entre 1999 e 20032.
            Os mais destacados parceiros comerciais da floricultura brasileira no período 2001-04, em termos de crescimento sustentável, são Holanda e Estados Unidos (os maiores importadores), seguidos de Itália, Alemanha (que reconquistou sua posição no ranking), Chile (destaque entre os países da América do Sul) e Bélgica (crescimento anual de 194%)3. Desses países virão, com maior probabilidade, as oportunidades de crescimento do setor e, conseqüentemente, a maior chance de retorno no curto prazo dos investimentos em promoção do produto brasileiro no exterior.
            O produto brasileiro que mais se destacou no comércio exterior, no período 2001-04, foi 'flores frescas cortadas para buquês', com taxa anual de crescimento de 107%, comparado com a redução de 17% do período 1989-20004.
            Entre os principais clientes brasileiros, a Holanda é o maior exportador de produtos da floricultura. Já os Estados Unidos são também o maior cliente da Colômbia, que é o segundo fornecedor de flores de corte no mercado internacional. No caso do mercado norte-americano, a fatia de flores de corte importadas cresceu em 2004, passando a ocupar 64,1% da categoria5, o que é um fator positivo para os exportadores brasileiros.
            As plantas com raízes lavadas, fáceis de exportar em termos de controle sanitário, têm espaço no mercado internacional. É o caso das Sansevieria spp., popularmente conhecidas como espada-de-são-jorge. O Flower Council da Holanda indica, como uma das tendências para 2006, a utilização de plantas inteiras com raízes lavadas6. Nas metrópoles japonesas, verifica-se a preferência pelas pequenas 'plantas para cuidar', mais adequadas aos pequenos espaços, em substituição a plantas e flores de menor duração.
            As oportunidades no mercado doméstico são muitas, em que pesem as queixas freqüentes do setor. Em primeiro lugar, o setor tem de deixar o discurso de que os produtos da floricultura são bens supérfluos. Como presentes, em ocasiões especiais (aniversários, dia das mães, dia dos namorados, natal, etc.) competem com outros produtos que não são considerados supérfluos (perfumes, vestuários, livros, etc). Como bens de consumo de uso pessoal ou empresarial, é um produto que contribui para o bem estar, qualidade da vida, ambiente de trabalho, menor absenteísmo, criatividade e produtividade no trabalho, atestados pelas inúmeras pesquisas internacionais7.
            Embora se diga correntemente que o padrão de consumo de produtos da floricultura por parte dos brasileiros seja o mesmo dos países em desenvolvimento, há de se reconhecer que existem diferentes nichos de mercado em função do poder aquisitivo, da herança cultural e das diferenças regionais. Os estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, por exemplo, apresentam os maiores índices de consumo per capita de produtos de floricultura no país devido à herança cultural dos colonizadores de origem européia, que valoriza jardins cuidados e floridos o ano inteiro nas habitações8.
            Mesmo dentro da capital paulista, maior centro consumidor do setor, convivem consumidores de diferentes perfis, com grande amplitude de rendimento, demandando produtos diferenciados.
            Uma das formas de lidar com esses diferentes estratos e gostos de consumidores é a criação de Garden Centers, onde produtos de R$1,00 a R$1.000,00 são oferecidos num mesmo espaço no sistema de auto-serviços, com comodidade para os consumidores finais. O sistema conduz ao encurtamento da cadeia de produção e, conseqüentemente, permite diminuir a margem de comercialização, além do ganho em frescor, fundamental para um produto cuja qualidade principal é a beleza.
            Embora lentamente, o brasileiro está aprendendo a consumir flores no dia-a-dia – característica dos consumidores do primeiro mundo – e não apenas como presentes ou em grandes datas comemorativas – padrão típico de países em desenvolvimento. E como o recurso é limitado para todos, está aprendendo a fazer escolha entre as diferentes opções de compra, calculando as vantagens comparativas dos produtos.
            Os produtos que oferecerem beleza, emoção, encantamento e qualidade com durabilidade vão fisgar este consumidor em caráter definitivo. Para isso, no entanto, é necessário profissionalismo, competitividade, suporte em pesquisa e marketing certeiro em todos os elos da cadeia de produção.9

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1 Considerou-se nesta análise o grupo de produtos especificados na Nomenclatura Comum do Mercosul, NCM 06 da SECEX/MDIC - Secretaria de Comércio Exterior, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Exportação, Importação e o Saldo da Balança Comercial brasileira de plantas vivas e produtos da floricultura. Disponível em http://aliceweb.mdic.gov.br/consulta_nova/resultadoConsulta.asp. Acesso em 18 de julho de 2005.
2 LAWS, Nancy. 2003: a strong year for floriculture. FloraCulture International, Batavia, v.15, n.2, p.26-29, 2005..
3 KIYUNA, I. ÂNGELO, J.A.; COELHO, P.J. Flores: de olho no mercado internacional. Agroanalysis, São Paulo, v.25, n.9, p.17, 2005.
4 KIYUNA, I. et al. Competitividade da Floricultura Brasileira Pós FloraBrasilis no Cenário Internacional. Revista da Associação Brasileira de Horticultura Brasileira, v. 23, n.2, ago. 2005, Suplemento, p.526.
5 GERARDO, A. Floriculture and nursery crops outllok. USDA, sept. 23, 2005, 25p.
6 FLOWER Council. Inspiration themes 2006. Disponível em : http://www.flowercouncil.org/us/seasonalthemes/Trends2006/. Acesso em: 17/10/2005.
7 BANERAS, Jordi Castan. A contribuição do paisagismo na qualidade da vida. Palestra, 8º Congresso Brasileiro de Paisagismo, São Paulo, 06/10/2005.
8 MATHIAS, M. Plant production and supply in southern Brazil. FlowerTECH, v.8, n.5, p.2-4, 2005.
9 Artigo registrado no CCTC-IEA sob número HP-99/2005.

Data de Publicação: 21/11/2005

Autor(es): Ikuyo Kiyuna (ikuyo@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor