Mercado Atacadista: comportamento dos preços em novembro de 2018 mostra a alta de valores de carnes com as festas de fim de ano

Este estudo apresenta e analisa a variação dos preços médios do mercado atacadista da Região Metropolitana de São Paulo² (RMSP) no mês de novembro de 2018, discutindo comparações em relação ao mês anterior e há um ano. Pontualmente, também são utilizados períodos maiores para ampliar a discussão das causas e consequências das variações em estudo. Tal esforço compõe uma série analítica divulgada mensalmente pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) desde junho de 2018.

O trabalho reúne preços dos 22 produtos de maior importância no sistema
de comercialização paulista extraídos de um conjunto composto de 55 itens coletados diariamente, sendo 27 produtos de origem animal e 28 de origem vegetal. Essa iniciativa busca apresentar possibilidades de tratamento e análise das informações coletadas
e divulgadas pelo IEA, desde meados da década de 1960. Dessa forma, aqui são agrupados os preços médios mensais coletados diariamente obtidos pelo levantamento em diversos estabelecimentos³ que comercializam produtos alimentícios no nível de comercialização “atacado”. Com base nessa coleta, é calculada a média simples mensal dos preços
mínimos e máximos diários4 de venda dos produtos divulgados no boletim diário de
preços.

No mês de novembro, quando confrontados os preços com aqueles praticados em outubro de 2018, observa-se que, dos 22 produtos relacionados, 13 apresentaram queda de preços e 9 tiveram alta. Esse resultado se inverte quando a comparação é feita com o período de um ano atrás: 13 dos 22 itens estão com cotações valorizadas, enquanto 9 produtos estão com preços inferiores do que os praticados em novembro de 2017 (Tabela 1). 

 

 

Os produtos alho (chinês e nacional), cortes bovinos (ponta de agulha e dianteiro), leite e arroz foram os itens de maior recuo de preços. Em relação ao alho, a queda de preço do nacional era esperada devido à boa oferta do produto no mercado em função da entrada da safra nacional; a redução de preços do produto chinês, possivelmente, é causada pelos altos estoques5.

Para o leite longa vida, houve redução de 10,12% em novembro em relação ao mês anterior e, com isso, continua o processo de queda iniciado em agosto de 2018, conforme discutido na análise do mês anterior6. Existe, porém, a perspectiva de estabilidade, dado que o preço atual está 4,31% maior que há um ano (Tabela 1); considerando a inflação no período, sua cotação está em um patamar parecido com o praticado em novembro de 2017.

O arroz foi outro produto com queda expressiva no mês (-3,08%). Em relação ao preço de um ano atrás, este item apresenta uma valorização de 7,91%. Os estoques altos em função do final da colheita da safra gaúcha e a entrada significativa do produto via MERCOSUL são aspectos considerados na redução de preços7.

Os produtos de maior alta de preços no mês foram: cebola (45,37%), batatas (a escovada se valorizou em 10,93% e a lavada em 27,72, e feijão (cotação 18,91% superior à média do mês anterior). As figuras 1 a 3 mostram o comportamento dos preços ao longo do mês de novembro para esses produtos.

 

A figura 1 apresenta o preço médio de todas as variedades de batata ao longo do mês de novembro; observa-se que a menor cotação (R$66,65) ocorreu no primeiro dia de coleta, no dia 26 foi cotado o maior valor (R$114,93) e a saca de 50 kg do produto fechou o mês a R$84,06. O principal motivo para essa valorização de preços foram as chuvas que prejudicaram o final de colheita da safra de inverno e redução da oferta do produto no mercado8.

Em relação à cebola, é possível identificar na figura 2 uma clara tendência de alta. O produto iniciou o mês cotado a R$30,09 (saca de 20 kg) e fechou novembro a R$40,17, uma variação de 33% mês. O final da colheita da cebola paulista e a consequente redução da oferta são apontados como os principais motivos dessa alta.

A figura 3 mostra a evolução dos preços do feijão em novembro. No início do mês as cotações oscilaram para baixo, mas, a partir do dia 10, a saca de 60 kg do produto foi se valorizando no mercado e fechou o mês cotada a R$142,50, ou seja, dentro do mês, a variação do feijão foi de quase 40%. Desde o mês de agosto, analistas do setor de feijão debatem sobre o efeito da quebra de safra da Bahia, importante estado produtor, devido ao clima desfavorável nesta safra9. Observa-se na figura 3 e na tabela 1 que os preços de novembro de 2018 estão 22,05% mais altos que os praticados um ano atrás. Essa variação de preços também tem reflexos associados à quebra da safra baiana de feijão e em São Paulo, ao início do período de menor oferta com o final da safra de inverno e à expectativa pela safra de verão.

 

Em relação às carnes acompanhadas neste estudo, podem ser observadas duas situações distintas: a) os produtos carne bovina resfriada dianteiro com osso e ponta de agulha estão com preços menores em relação ao mês anterior; e b) os itens carne bovina resfriada traseiro com osso, carne suína ½ carcaça e frango resfriado apresentaram alta de preços quando comparados a outubro (Tabela 1 e Figuras 3 e 4).

 

Os itens de origem animal que apresentaram queda de preços em novembro (Figura 4) referem-se aos cortes de carne bovina de menor valor, chamados de “carne de segunda”. Os produtos provenientes dessas duas partes do boi, como, por exemplo, acém e costela, são cortes de menor custo para o consumidor e, portanto, mais adquiridos por grande parte da população para consumo no dia a dia, ou seja, não são produtos comumente procurados para consumo em festas e confraternizações, como o Natal e o Ano Novo.

Os cortes bovinos mais utilizados nessas comemorações são os provenientes do “traseiro com osso”, como, por exemplo, contrafilé e picanha. Essa parte bovina, conforme a figura 5, apresentou aumento de preços em novembro de 2018, e essa mesma situação ocorre com carne suína ½ carcaça e frango resfriado. O único produto dentre os cinco de origem animal que está com preço de novembro de 2018 (valores nominais) inferior ao de um ano atrás é o suíno: o preço atual é 2,17% inferior ao praticado em novembro de 2017.

Portanto, esses resultados indicam que as festas de fim de ano e o recebimento do 13º salário podem impulsionar o consumo de carnes bovinas mais nobres. Assim como de suínos e de frango, a maior procura sem incremento na oferta impulsiona a alta de preços.

 

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1Este é um trabalho mensal que visa acompanhar as variações de preços do mercado atacadista de alimentos na Região Metropolitana de São Paulo. Para viabilização desse estudo, os autores agradecem o empenho dos técnicos Aldo Fernando de Lucca e Magali Aparecida Schafer de Lucca, responsáveis pelo levantamento diário de preços, e dos estagiários Beatriz Pontes Ruiz, Caio Daniel Pinto de Lima e Fernando Buzzo Leite, que completam a equipe de coleta de dados. Também agradecem a colaboração do assessor técnico Daniel Kiyoyudi Komesu na formatação de tabelas e gráficos.

 

2Também conhecida por Grande São Paulo, foi instituída em 1973 e reorganizada em 2011 pela L.C. n. 1.139/2011, e é composta por 39 municípios. Sendo, a norte: Caieiras, Cajamar, Francisco Morato, Franco da Rocha e Mairiporã; a leste: Arujá, Biritiba-Mirim, Ferraz de Vasconcelos, Guararema, Guarulhos, Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes, Poá, Salesópolis, Santa Isabel e Suzano; a sudeste: Diadema, Mauá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano do Sul; a sudoeste: Cotia, Embu das Artes, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Juquitiba, São Lourenço da Serra, Taboão da Serra e Vargem Grande Paulista; e a oeste: Barueri, Carapicuíba, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus e Santana de Parnaíba. Ver em: EMPRESA PAULISTA DE PLANEJAMENTO METROPOLITANO - EMPLASA. Sobre a RMSP. São Paulo: EMPLASA. Disponível em: <https://www.emplasa.sp.gov.br/RMSP>. Acesso em: jul. 2018.

 

3Entende-se por estabelecimento atacadista um local físico separado onde se processam vendas no atacado, isto é, vendas em grande quantidade para empresas (em oposição a vendas em pequena quantidade para o consumidor final). Os compradores utilizam os bens adquiridos para: a) revender almejando lucro (comércio atacadista ou varejista); b) produzir outros bens (indústria); ou c) usar para fins institucionais (por exemplo, restaurantes industriais). Conforme: PINO, F. A. et al. Levantamentos de preços por amostragem: mercado atacadista de produtos agrícolas na cidade de São Paulo. Agricultura em São Paulo, São Paulo, n. 47, v. 2, p. 1-19, 2000. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/OUT/verTexto.php?codTexto=416>. Acesso em: out. 2018.

 

4Os preços coletados referem-se ao pagamento à vista, incluindo todos os gastos (beneficiamento, industrialização, preparo, acondicionamento, transporte, comissões, impostos, etc.).

5MORAIS, J. Agrônomo faz alerta para produção de alho. ANAPA News, 19 nov. 2018. Disponível em: <http://anapa.com.br/agronomo-faz-alerta-para-producao-de-alho/>. Acesso em nov. 2018.

 

6MARTINS, V. A.; ANGELO, J. A. Arroz e feijão seguem direções opostas no mercado atacadista de São Paulo - outubro de 2018. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 13, n. 11, p. 1-6, nov. 2018. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/TerTexto.php?codTexto=14541>. Acesso em: nov. 2018.

 

7SANTOS, C. E. Preços mantém trajetória de queda no início de dezembro. Planeta Arroz, 5 dez. 2018. Disponível em: <https://www.planetaarroz.com.br/noticias/17689/_Precos_mantem_trajetoria_de_queda_no_
inicio_de_dezembro>. Acesso em: dez. 2018.

 

8A produção de batata no estado de São Paulo ocorre em três safras: da seca, das águas e de inverno. O final da colheita do plantio de inverno acontece em outubro, podendo se estender até meados de novembro e a das águas está em período de desenvolvimento. Com isso, o mês de novembro é um período de pouca oferta de batata no mercado.

 

9FEIJÃO: quando a quebra de safra da Bahia afetará os preços? Notícias Agrícolas, 13 ago. 2018. Disponível em: <https://www.noticiasagricolas.com.br/noticias/feijao-e-graos-especiais/219174-feijao-quando-a-quebra-da-safra-da-bahia-afetara-os-precos.html>. Acesso em: nov. 2018. 

 

 

 

 

Palavras-chave: mercado atacadista, preços, alimentos, São Paulo exterior.


Data de Publicação: 13/12/2018

Autor(es): Vagner Azarias Martins (vagneram@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor