Amendoim: exportações em alta e a importante participação dos municípios paulistas

 

A produção paulista de amendoim há muitas décadas ocupa destaque no cenário nacional ao responder entre 80% e 90% da produção brasileira do grão, e por sua ampla participação nas exportações do amendoim em grão e do óleo de amendoim. Essa liderança construída pela interação entre diferentes atores e organizações envolvendo a produção, beneficiamento, industrialização e comercialização tem como resultado a consolidação da atividade e a expansão dos seus mercados, em especial, o externo.

No ano de 2018, o volume das exportações de amendoim em grão cresceu 35% em relação ao ano anterior, desempenho positivo também verificado para as demais mercadorias. Dessa forma, este artigo discute a evolução das exportações brasileiras de amendoim, seus destinos, os países importadores e os principais municípios paulistas que participam desse comércio. Para tanto, foram trabalhadas informações referentes às exportações das mercadorias que se destacam na pauta de exportações da cadeia de produção do amendoim, considerando o período de 2014 a 2018.

Os últimos quatro anos registram incremento nas exportações de amendoim em grão (Figura 1). No ano de 2017, particularmente, foram exportadas 153 mil toneladas, 45% a mais que em 2016, que representaram US$195 milhões. Em 2018, além do aumento nos volumes exportados, foi registrado o acréscimo de 18% em valores, totalizando US$230 milhões.

Dentre os principais destinos está a Rússia, com 37% do volume total exportado, seguida da Argélia com 17% e dos Países Baixos (Holanda) com 11%. Considerando o total em valores exportados, a Rússia responde por 33%, Holanda por 13% e Argélia por 16%1, indicando que o produto exportado para a Rússia alcança menor valor por unidade, mantendo, assim, tendência já registrada em anos anteriores2, 3.

          Ao se considerar as exportações de amendoim em grão, no ano de 2018 e por munícipios, os localizados no Estado de São Paulo ocupam posição de destaque. Tanto assim que é possível observar que os dez principais municípios do país de origem são paulistas e representam 97% do volume total exportado.

 

Em 2018, nessa dezena de municípios tem destaque Tupã, que respondeu por 23% do volume total das exportações de amendoim, seguido por Jaboticabal com 18%, Taquaritinga 13%, Dumont 11%, Borborema 10%, Pompeia 10%, Marília 7%, Sertãozinho 2%, Quintana 2% e Herculândia 1%. Dentre os principais municípios, pelo menos quatro deles se destacam com posicionamento constante nos volumes exportados (Figura 2). Também, é possível observar que o município de Taquaritinga intensificou suas exportações, principalmente a partir de 2016, assim como o município de Borborema em 2017, e de Marília em 2018.

Outra mercadoria que tem espaço na pauta de exportação corresponde aos amendoins conservados e preparados. Em 2018, as exportações dessa mercadoria cresceram 8% em valores, totalizando US$22 milhões e alta de 26% na quantidade exportada, somando 16 mil toneladas. Essas condições indicam retração das cotações praticadas quando comparadas ao ano anterior, 2017. Porém, é possível observar que o ano 2016 apresenta resultados mais favoráveis, com a exportação de 17 mil toneladas para US$24 milhões (Figura 3).

Os amendoins conservados e preparados têm como principal destino a Rússia que, em 2018, respondeu por 42% dos valores exportados, seguida pela Ucrânia e Estados Unidos, ambos com 9%, Chile com 7% e Peru com 6%, além de Colômbia e Uruguai com 5% e, de outros 58 países. A ampla participação da Rússia, assim como percebida no comportamento das exportações de amendoim em grão, toma espaço, especialmente, a partir de 20154.

 

 

Para o óleo de amendoim, reunindo as mercadorias em bruto e outros óleos, o ano de 2018 em comparação a 2017 apresenta alta de 33% nos volumes exportados, totalizando 63 mil toneladas, e de 16% quando considerados os valores que alcançaram US$72 milhões. Esses resultados são semelhantes aos registrados no ano de 2015, quando foram exportadas 59 mil toneladas que corresponderam a US$75 milhões. Porém, é possível observar que as cotações do último ano são inferiores tanto às registradas em 2015 quanto às totalizadas nos anos anteriores. A figura 4 apresenta a evolução das exportações de óleo de amendoim com destaque para a mercadoria óleo em bruto que, até 2016, respondeu por praticamente 100% do total exportado. Já nos anos de 2017 e 2018, a mercadoria outros óleos de amendoim começou a tomar espaço e foi responsável, respectivamente, por 23% e 21% dos totais exportados para o produto óleo de amendoim.

 

Os principais destinos das exportações do óleo de amendoim, tradicionalmente, são a China, com praticamente 60% do total brasileiro enviado, e a Itália com 39%. Quando considerados os principais municípios exportadores, destaca-se Catanduva, que nos últimos cincos anos exportou entre 22 e 27 mil toneladas ao ano, sendo que em 2018, respondeu por 42% do total das exportações brasileiras de óleo de amendoim. Outros dois munícipios paulistas também figuram entre os principais exportadores, Jaboticabal e São Paulo, que juntos em 2018, foram origem de 56% das exportações do Brasil para esse produto (Figura 5).

 

A consolidação do comportamento de alta das exportações brasileiras da pauta de mercadorias relacionadas à produção de amendoim tem como origem a ampla participação da produção do grão no Estado de São Paulo, caracterizada pela forte inserção socioeconômica nas regiões da Alta Paulista e Mogiana. Essa importância regional impulsiona a atividade exportadora em municípios como Tupã, Pompeia e Marília, e a produção nos Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDRs) ou regionais agrícolas de Presidente Prudente e Tupã (que juntas representam em torno de 30% da produção paulista de amendoim), e também de Marília, Assis e Lins5. Da mesma forma, as atividades vinculadas ao amendoim estão presentes na dinâmica da economia dos municípios de Jaboticabal, Dumont, Borborema e Catanduva, assim como nas regionais agrícolas de Jaboticabal, Barretos e São José do Rio Preto, responsáveis por mais de 25% da produção paulista de amendoim6. A reunião e discussão da evolução das exportações de amendoim reforçam a ampliação da atividade no Estado de São Paulo e de sua importante inserção regional, evidenciando os resultados de ações implementadas nas diferentes etapas de produção, beneficiamento, industrialização e comercialização.

 

1MINISTÉRIO DA ECONOMIA. Secretaria de Comércio Exterior. Sistema Comex Stat. Brasília: ME/SECEX, 2018. Disponível em: http://comexstat.mdic.gov.br/pt/home. Acesso em: 22 mar. 2019.

 

2SAMPAIO, R. M. Amendoim em grão: Rússia é o principal destino das exportações brasileiras. Análises e Indicadores do Agronegócio, v. 13, n. 9, p. 1-6, set. 2018. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/ftpiea/aia/
AIA-54-2018.pdf. Acesso em: 21 mar. 2019.

 

3SAMPAIO, R. M. Amendoim: exportações do grão em alta e do óleo em queda. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 12, n. 3, p. 1-4, mar. 2017. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/ftpiea/AIA/
AIA-11-2017.pdf. Acesso em: 21 mar. 2019.

 

4Op. cit. nota 1.

 

5CAMARGO, F. P. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do estado de São Paulo, 2º levantamento, ano agrícola 2018/2019 e levantamento final, ano agrícola 2017/2018, novembro de 2018. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 14, n. 2, p. 1-13, fev. 2019. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/
ftpiea/AIA/AIA-07-2019.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019.

 

6Op. cit. nota 5.

 

Palavras-chave: amendoim em grão, óleo de amendoim, Estado de São Paulo, comércio exterior. 


Data de Publicação: 04/04/2019

Autor(es): Renata Martins (renata@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor