Balança Comercial dos Agronegócios Paulista e Brasileiro de Janeiro a Maio de 2019


 

1 - BALANÇA COMERCIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

Nos primeiros cinco meses de 2019, as exportações do Estado de São Paulo1 somaram US$20,02 bilhões (21,6% do total nacional) e as importações2 US$24,62 bilhões (34,8% do total nacional), registrando deficit comercial de US$4,60 bilhões (Figura 1). Em relação ao mesmo período de 2018, houve queda nas exportações (-5,3%) e pequeno aumento nas importações (0,6%); essa conjunção de desempenhos resultou em maior deficit na balança paulista neste período em 2019 na comparação com igual período de 2018.

 

1.1 - Análise Setorial do Agronegócio

Na análise setorial do agronegócio, o resultado de janeiro a maio de 2019, na comparação com o mesmo período de 2018, indica que o agronegócio3 paulista apresentou queda nas exportações (-17,5%), atingindo US$5,83 bilhões, e também nas importações
(-3.7%), somando US$2,08 bilhões, registrando dessa forma superavit de US$3,75 bilhões (Figura 2). Embora positivo, o saldo dos primeiros cinco meses de 2019 é inferior (-23,6%) ao superavit do mesmo período de 2018, quando alcançou US$4,91 bilhões.

 

Há que se destacar que as exportações paulistas nos demais setores da economia - exclusive o agronegócio - somaram US$14,19 bilhões nos cinco primeiros meses de 2019, e as importações US$22,54 bilhões, gerando um deficit externo desse agregado de US$8,35 bilhões. Dessa forma, conclui-se que o deficit do comércio exterior paulista neste período só não foi maior devido ao desempenho do agronegócio estadual, cujo saldo se manteve positivo (US$3,75 bilhões).

 

1.2 - Exportações do Agronegócio Paulista por Grupos de Produtos

         Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio paulista, de janeiro a maio de 2019, foram: complexo sucroalcooleiro (US$1,40 bilhão, sendo que desse total o açúcar representou 83,4% e o álcool 16,6%), seguido do complexo soja (US$826,85 milhões), do setor de carnes (US$755,00 milhões, em que a carne bovina respondeu por 84,4%), dos produtos florestais (US$744,49 milhões, com participações de 56,5% de papel e 34,4% de celulose), e de sucos (US$634,79 milhões, dos quais 96,9% referentes a sucos de laranja). Esses cinco agregados representaram 74,9% das vendas externas setoriais paulistas (Tabela 1).

         Ainda de acordo com a tabela 1, na comparação com o mesmo período de 2018, houve importantes variações, todas negativas nos valores exportados dos principais grupos de produtos da pauta paulista, com destaque para o complexo sucroalcooleiro (-31,3%), complexo soja (-24,9%), carnes (-8,5%), produtos florestais (-3,2%) e dos sucos (-27,9%). Além des-



ses produtos, o café, tradicional produto do agronegócio paulista, com exportações de
US$247,23 milhões em 2019, apresentou alta de 13,5% em relação a 2018. Essas variações
nas receitas do comércio exterior são derivadas pela composição das oscilações tanto de preços como de volumes exportados.

 

1.3 - Participação dos Agronegócios na Balança Comercial Paulista

A participação das exportações do agronegócio paulista no total do estado diminuiu 4,3 pontos percentuais, enquanto a participação das importações caiu 0,4 ponto percentual, comparando-se os resultados dos primeiros cinco meses de 2019 aos de 2018 (Figura 3).

 

2 – BALANÇA COMERCIAL DO BRASIL

A balança comercial brasileira registrou superavit de US$22,11 bilhões nos primeiros cinco meses de 2019, com exportações de US$92,85 bilhões e importações de US$70,74 bilhões. Esse resultado indica redução de 8,7% no superavit comercial em relação ao mesmo período de 2018, devido ao recuo das exportações (-0,9%) e o aumento das importações (1,8%) (Figura 4).

2.1 - Análise Setorial do Agronegócio

Na análise setorial, as exportações do agronegócio brasileiro de janeiro a maio de 2019 apresentaram pequena redução (-1,2%) em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$39,82 bilhões (42,9% do total nacional). Já as importações se mantiveram praticamente estáveis (-0,3%) no período, registrando US$5,97 bilhões (8,4% do total nacional).

O superavit do agronegócio no período foi de US$33,85 bilhões, sendo 1,4% inferior na comparação com o mesmo período de 2018 (Figura 5).

 

Portanto, o comércio exterior brasileiro só não foi deficitário devido ao desempenho do agronegócio, uma vez que os demais setores da economia, com exportações de US$53,03 bilhões e importações de US$64,77 bilhões, produziram no período de 2019 um deficit de US$11,74 bilhões.

 

2.2 - Exportações do Agronegócio Brasileiro por Grupos de Produtos

         Os cinco principais grupos nas exportações do agronegócio brasileiro, de janeiro a maio de 2019, foram: complexo soja (US$15,98 bilhões), produtos florestais (US$6,15 bilhões, com participações de 62,0% de celulose e 24,1% de madeira), carnes (US$6,10 bilhões, com a carne de frango representando 45,3% desse total, e as carnes bovina e suína

42,5% e 9,2%, respectivamente), café (US$2,20 bilhões) e o complexo sucroalcooleiro (US$2,14 bilhões, dos quais 87,6% de açúcar). Esses cinco grupos agregados representaram 80,8% das vendas externas setoriais brasileiras (Tabela 2).

 


 

2.3 - Participação dos Agronegócios na Balança Comercial Brasileira

A participação do agronegócio nos totais do país apresentou ligeiro recuo nas exportações e importações (-0,1 e -0,2 ponto percentual, respectivamente) na comparação dos primeiros cinco meses de 2019 e 2018 (Figura 6).

 

 

 

3 – PARTICIPAÇÃO DO ESTADO DE SÃO PAULO NO BRASIL

A participação paulista no total da balança comercial brasileira apresentou ligeiras variações no período analisado, com queda de 1,0 ponto percentual nas exportações e 0,4 ponto percentual nas importações na comparação com o mesmo período de 2018 (Figura 7).

As exportações setoriais de São Paulo de janeiro a maio de 2019 representaram 14,6% em relação ao agronegócio brasileiro, 2,9 pontos percentuais abaixo do mesmo período de 2018, já as importações representaram 34,8%, que representa 1,3 ponto percentual a menos que o verificado no ano anterior (Figura 8).

 

  

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1Estado produtor (Unidade da Federação exportadora), para efeito de divulgação estatística de exportação, é a Unidade da Federação onde foram cultivados os produtos agrícolas, extraídos os minerais ou fabricados os bens manufaturados, total ou parcialmente. Neste último caso, o estado produtor é aquele no qual foi completada a última fase do processo de fabricação para que o produto adote sua forma final.

 

2Estado importador (Unidade da Federação importadora) é definido como a Unidade da Federação do domicílio fiscal do importador.

 

3Os grupos de produtos dos agronegócios podem ser vistos em: MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Agrostat. Brasília: MAPA, 2019. Disponível em: http://agrostat2.agricultura.gov.br/index.htm. Acesso em: jun. 2019. 

 

Palavras-chave: agronegócio, balança comercial, exportações, importações, comércio exterior.


Data de Publicação: 17/06/2019

Autor(es): Carlos Nabil Ghobril (nabil@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Marli Dias Mascarenhas Oliveira (marli@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor