Acompanhamento Semestral da Variação da Cesta de Mercado de Alimentos no Município de São Paulo


 

Mensalmente, o Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA-SP), divulga os preços médios de 88 produtos alimentícios que compõem uma cesta de mercado padrão das famílias paulistanas. Desse estudo, são calculados indicadores de variação de produtos de origem animal, vegetal e total.

Na tabela 1 são apresentados os valores acumulados em número índice (dez./2018=100) do primeiro semestre de 2019. O acumulado do índice que mede a variação da cesta de mercado total (IPCMT) foi de 4,53%. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IPCA-IBGE), no mesmo período, foi de 2,23%2, valor bem inferior ao IPCMT. Isso indica que, nos primeiros seis meses do ano, a cesta de mercado de alimentos do paulistano variou acima da inflação oficial do Brasil. Quando se separam os índices de acompanhamento dos produtos da cesta de origem animal (IPCMA) e os de origem vegetal (IPCMV), observa-se que o conjunto de produtos que mais contribui para o valor final foi o vegetal, com acumulado de 5,36%, enquanto os produtos de origem animal acumularam uma variação de 3,66%.

 

 

         Na figura 1 é possível visualizar mês a mês a contribuição dos grupos de origem animal e vegetal (em barras) e o valor do IPCMT (em linha). Nos três primeiros meses do ano, a variação mensal do IPCMV foi 2,67%, 3,64% e 2,96%, respectivamente, enquanto o IPCMA foi superior a 1% somente no mês de janeiro. Nos três meses seguintes, a situação foi bem diferente para o indicador que acompanha os produtos vegetais, sendo apurados valores negativos de variação, -0,71%, -2,26% e -0,51%, respectivamente. Em relação aos produtos de origem animal, o IPCMA continuou apontando variações positivas e, com este resultado, o indicador de produtos de origem animal fechou o primeiro semestre de 2019 com variações positivas em todos os meses.

 

         Para um melhor entendimento das variações ocorridas neste semestre, a figura 2 apresenta os resultados por subgrupo para os índices de acompanhamento animal e vegetal.

         No mês de janeiro, observa-se que o único subgrupo de produtos que teve variação negativa foi “ovos”, com redução de 7,80% em relação a dezembro de 2018, motivada possivelmente pelas férias escolares, o que leva à redução da demanda pelo produto. Outro produto de origem animal, o frango inteiro, também apresentou alta significativa no mês (7,96%). Em relação aos subgrupos de produtos vegetais “frutas”, “hortaliças” e “produtos básicos”, observaram-se altas significativas de 2,71%, 3,70% e 2,44%, respectivamente. Destaca-se a variação positiva dos produtos abacaxi (16,65%), em função da entressafra da variedade pérola, e de banana prata (7,19%), em virtude da pouca oferta. Entre as “hortaliças”, o alho nacional, fora de época de produção, teve aumento no mês de janeiro de 10,26%, a alface teve seu preço impactado pelo clima muito seco de janeiro, aumentando 11,76%, e a cenoura, em entressafra, foi a hortaliça de maior variação positiva no mês, com 19,11%. Mas, sem dúvida, a variação por produto que mais pesou na cesta de mercado do paulistano ocorreu no subgrupo “produtos básicos”, já que o preço do quilograma do feijão subiu em janeiro 17,99% em relação a dezembro de 2018.

         O mês de fevereiro registrou a maior alta da cesta de mercado neste primeiro semestre (2,23%) com todos os subgrupos em alta (Figura 2). Os “ovos”, que apresentaram forte redução de preços em janeiro, tiveram alta de 5,02% em fevereiro com aumento de demanda, e os subgrupos “carnes” e “leites e derivados” apresentaram variações de 0,39% e 1,22%, respectivamente. Os aumentos mais relevantes destes grupos no mês foram dos produtos processados, como a salsicha, com 4,08%. Contudo, a variação mensal do IPCMT foi novamente influenciada pelo produto feijão do subgrupo vegetal “produtos básicos”. O dispêndio por este item, que já havia aumentado 17,99% em janeiro, subiu mais 59,35% em fevereiro, impactando de forma intensa o valor da cesta de mercado no mês e no inicio de 2019. A redução de área em anos consecutivos e a menor produtividade são apontadas como fatores preponderantes para esta alta3.

         A alta no dispêndio da cesta de mercado continuou em março. Neste mês, o subgrupo “hortaliças” foi o grande responsável pelo aumento, com variação mensal de 8,62%. O preço das frutas mamão e manga subiram no mês 7,59% e 7,93%, respectivamente. A baixa oferta do mamão papaya e a entressafra da manga justificam essas altas. No subgrupo “hortaliças”, os aumentos foram mais intensos: batata (27,09%) e tomate (13,95%) foram protagonistas do índice positivo de variação da cesta de mercado em virtude da baixa oferta destes itens4.

         A situação em abril foi bastante peculiar, pois naquele mês foram observadas as maiores variações positivas do semestre por subgrupos. Os “ovos” tiveram aumento de 12,56%, e as “hortaliças” de 13,37%), ainda contabilizando aumentos expressivos de batata e cebola. Entretanto, a variação mensal da cesta de mercado foi negativa em 0,30%. Essa queda de dispêndio foi ocasionada pelo grupo “produtos básicos”, com recuo de 4,66%, reflexo da redução de 11,95% dos preços do feijão e de 11,16% no açúcar, tendo este último excesso de oferta.

         A maior queda de valor de dispêndio da cesta de mercado no município de São Paulo ocorreu no mês de maio (-1,27%), quando apenas os subgrupos “carnes” e “leites e derivados” apresentaram variações positivas, mas não expressivas, com 0,19% e 0,55%, respectivamente. A boa notícia para os consumidores paulistanos vieram dos demais subgrupos: “ovos” (-6,47%), “frutas” (-3,35%), hortaliças (-7,60%) e produtos básicos (-2,05%). As frutas banana nanica, mamão e tangerina poncã, em período de safra, apresentaram quedas significativas de preços. A batata e o tomate, após um período intenso de aumentos, reverteram à tendência e registraram queda. Dos produtos básicos, o feijão, após aumentos nos primeiros meses do ano, vem em processo de redução de preços desde o mês anterior.

         Em junho, o IPCMT, índice que mede a variação de dispêndio da cesta de mercado, voltou a apresentar variação positiva. Nesse mês, o valor da cesta aumentou 0,29%. Este valor positivo não foi motivado por aumentos expressivos em itens individuais, e sim por aumentos moderados nos subgrupos “carnes” (1,28%), “leites e derivados” (0,74%) e “ovos” (0,59). Possivelmente, o período seco, característico desta época do ano, influenciou nos resultados. O subgrupo “hortaliças” também apresentou variação positiva (2,05%): o tomate para mesa, ainda em entressafra teve aumento de 8,47% no mês. As quedas de preços no mês foram apuradas nos subgrupos “frutas” (-2,72%), com destaque para a redução de 5,11% no preço da maçã nacional, e “produtos básicos” (-0,77%), ainda com destaque para o feijão, com redução mensal de preços médios de 16,37%.

         Em resumo, o acumulado de variação da cesta de mercado de alimentos das famílias paulistanas no primeiro semestre de 2019 superou a inflação de igual período em mais de 100%. Entretanto, o comportamento dos preços teve dois períodos distintos. O primeiro trimestre (janeiro a março) foi marcado por aumentos intensos nos produtos de origem vegetal, e no segundo trimestre observaram-se dois meses consecutivos de variação negativa, abril (-0,30%) e maio (-1,27%). Este cenário de queda foi motivado pela redução de preços de produtos de grande peso na cesta de mercado, como, feijão e açúcar.

 

 

 

1Um bom trabalho de acompanhamento de preços necessita de uma correta coleta de preços no campo e, por isso, o autor reconhece o fundamental trabalho realizado pelos técnicos Andréia Brazão, Cristina Almeida Paes e Valdecir Luchiari na coleta diária de preços em centenas de equipamentos varejistas. Também agradece o apoio na consolidação dos dados do assessor técnico Daniel Kiyoyudi Komesu.

2INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Índice de preços ao consumidor amplo. Rio de Janeiro: IBGE, 2019. Disponível em: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/economicas/precos-e-custos/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html?=&t=destaques. Acesso em: ago. 2019.

 

3SILVA, E. Depois de dois anos de redução no plantio, preço do feijão subiu em 2019. Revista Globo Rural, São Paulo, 22 jun. 2019. Disponível em: https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Agricultura/Feijao/noticia/2019/06/depois-de-dois-anos-de-reducao-no-plantio-preco-do-feijao-subiu-em-2019.html. Acesso em: ago. 2019.

 

4BOLETIM HORTIGRANJEIRO. Brasília: CONAB, v. 5, n. 4, abr. 2019. Disponível em: https://www.conab.gov.br/info-agro/hortigranjeiros-prohort/boletim-hortigranjeiro. Acesso em: ago. 2019.

 

 

 

 

Palavras-chave: cesta de mercado, varejo, preços, índices, município de São Paulo.


 

Data de Publicação: 13/08/2019

Autor(es): Vagner Azarias Martins (vagneram@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor