Economia solidária na agricultura familiar, em encontro no Vale do Ribeira

            Uma 'Cartilha informativa sobre alternativas de organização social e linhas de financiamentos para agricultores familiares' foi divulgada durante o 'Encontro de economia solidária na agricultura familiar do Vale do Ribeira', que aconteceu nos dias 27 e 28 de outubro em Registro (SP). O evento foi idealizado pelo Programa da Agenda de Ecoturismo do Vale do Ribeira, com promoção do Centro de Estudos Ecológicos Gaia Ambiental e apoio das Secretarias de Desenvolvimento Territorial e de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
            O encontro buscou capacitar, interagir (com) e informar as comunidades e agricultores familiares sobre formas de organização, crédito, agroindústria, comercialização e turismo solidário, de maneira a fortalecer as bases comunitárias e trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável, segundo Devancyr Apparecido Romão, pesquisador do IEA e coordenador do Programa da Agenda de Ecoturismo do Vale do Ribeira.
            Durante o evento, foram mostradas experiências positivas de atividades no Vale do Ribeiro, como a da Associação Guapiruvu (AGUA), em Sete Barras, que apresentou a Cooperativa do Guapiruvu (COOPERAGUA) com atividades ligadas à economia solidária. Trata-se de modelo de desenvolvimento sustentável denominado 'eco-desenvolvimento', ou seja, por meio da visão de reduzir o consumo, reciclar, não degradar. Uma das principais conquistas da Associação é o Projeto Assentamento Agroambiental em área de 3 mil hectares, dividida em agrofloresta, agroecologia e planos de manejo.

Cooperostra - Trata-se de experiência no Mandira, em Cananéia, um remanescente de quilombo reconhecido pelo Estado a partir de levantamento feito pelo Instituto de Terras do Estado de São Paulo (ITESP). A comunidade é considerada Reserva Extrativista, em área de mangue, criada pelo governo federal em 2002. A Cooperostra, criada em 1997, reúne 38 caiçaras que adotaram a coleta como profissão.
            O trabalho da cooperativa envolve a criação de viveiros, em parceria com a Fundação Florestal. Garante assim a continuidade da espécie e a qualidade do produto, a agregação de valor comercial e a melhor aceitação das ostras no mercado consumidor. A Cooperostra já ganhou o reconhecimento internacional, com os prêmios Eco 99 (1999) da Shell do Brasil e Eco Rio +10 (2002).

Cresol - Outro exemplo é a Cooperativa de Crédito com Interação Solidária (CRESOL), que surgiu para resolver problemas de agricultores da região como organização, produção e comercialização. As necessidades de comunidades nos municípios de Rio Branco do Sul e Itaperuçu ampliaram as demandas para saúde, crédito e educação. O Programa Nacional de Agricultura Familiar (PRONAF) ajudaria na solução da falta de crédito.
            Em 2001, foi criada a primeira Cooperativa de Microcrédito na região com 270 sócios. Atualmente, já são quatro cooperativas de crédito no Vale do Ribeira, com cerca de 2000 sócios e movimento de R$ 2 milhões.

Cartilha - Para ter acesso à 'Cartilha informativa sobre alternativas de organização social e linhas de financiamentos para agricultores familiares', clique aqui .

Data de Publicação: 31/10/2005

Autor(es): José Venâncio De Resende (venancio@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor