O IEA no workshop “Cachaça: tradição e perspectivas”

            A pesquisadora Adriana Renata Verdi, do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), apresentará, no dia 16 de março em Monte Alegre do Sul (SP), o trabalho Arranjos Produtivos Locais" e novas possibilidades de competitividade e sustentabilidade dos territórios da cachaça no Estado de São Paulo”, durante o workshop “Cachaça: tradição e perspectivas”, patrocinado pelo Consórcio Intermunicipal do Circuito das Águas Paulista. O evento, organizado pelo IEA e o Pólo APTA Regional Leste Paulista, tem o objetivo de promover o debate sobre os obstáculos e as potencialidades da Cachaça na Região do Circuito das Águas Paulista.
            O estudo abrange temas como dinâmicas do setor de cachaça no país; dinâmicas territoriais do setor; e a viabilização de estruturação de Arranjos Produtivo Local na principal aglomeração produtiva do Estado de São Paulo.  O estudo mostra “a necessidade de criação de recursos específicos que garantirão maior conquista de mercado e agregação de valor à cachaça do Circuito das Águas Paulista”. Existem “possibilidades reais e potenciais de estruturação de um modo de governança territorial mais eficiente. Trata-se de discutir os dispositivos territoriais mais pertinentes ao compartilhamento do saber e da cultura local, bem como à maior difusão das inovações e à resolução dos conflitos, dos entraves da produção e comercialização da produção entre os agentes presentes no território”.
            O pólo da cachaça de alambique dessa região constitui o maior aglomerado de produtores da bebida no Estado de São Paulo com uma centena de alambiques instalados nos municípios de Águas de Lindóia, Amparo, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro. “A produção e a comercialização da cachaça constituem uma tradição regional. Mais de meio século dedicado ao processo produtivo da bebida proporcionou a elevada especialização da mão-de-obra regional, a difusão de conhecimentos tácitos e de todo um sistema de representações sociais associados ao desenvolvimento desta atividade econômica”, dizem os organizadores.
            “A cachaça é geralmente desenvolvida em pequenas propriedades e absorvedora de mão-de-obra, portanto, detentora de importância social. A produção de cachaça constitui uma fonte de novas perspectivas de desenvolvimento regional, pois, além de empregar, tem a capacidade de articulação com outros setores econômicos, como por exemplo, o turismo rural. A permanência e o desenvolvimento desta atividade econômica pode constituir a base para a atração de novos investimentos para a região do Circuito das Águas, como toda uma infra-estrutura direcionada ao turismo, condizente com a preservação do ambiente e preocupada com a manutenção e o resgate dos costumes e das tradições regionais.”
            Além disso, “a produção de cachaça de alambique, realizada por pequenos produtores, detém uma aceitação crescente no mercado interno e externo, sendo responsável também pela maior capacidade de agregação de valor ao produto em relação à produção industrial. Apesar deste potencial de mercado e de desenvolvimento local detido pela cachaça de alambique, reforçam-se as dificuldades dos pequenos produtores da região do Circuito das Águas Paulista em relação ao próprio processo produtivo, ao marketing e à comercialização, bem como o processo de valorização das terras e de exclusão da população rural”.
            Mas a região detém recursos que podem ser mais bem explorados pelos agentes envolvidos com a produção regional. “Esse contexto impõe a necessidade de criação de políticas públicas e difusão das informações para as micro e pequenas empresas de cachaça na região”. Por isso, o evento é uma oportunidade de “apresentar os principais gargalos e potencialidades da atividade da cachaça na região do Circuito das Águas Paulista para os agentes envolvidos com o setor, contribuindo para a viabilização da pequena produção no mercado e para a sustentabilidade desta atividade na região. As informações foram obtidas mediante a realização de pesquisa junto aos produtores e instituições envolvidas com a cachaça regional”. A pesquisa foi desenvolvida em 2005 e 2006 pelo Instituto de Economia Agrícola com o apoio do Pólo APTA Regional Leste Paulista.
            O evento é destinado a micro e pequenas empresas produtoras de cachaça e a instituições como prefeituras municipais; casas da agricultura; centros de pesquisa; laboratórios de análises; Consórcio Intermunicipal Circuito das Águas Paulista; Sebrae e associações de produtores, além de certificadoras, agências de turismo, empresas produtoras de insumos e equipamentos, comerciantes, produtores e consumidores.
            A incrição, gratuita, deve ser feita previamente  pelo e-mail pololestepaulista@aptaregional.sp.gov.br, pelos telefones (19) 3899-1286 e 3899-1022 (com Patrícia Turco) e ainda pelo fax (19) 3899-1311.

Data de Publicação: 16/02/2007

Autor(es): José Venâncio De Resende (venancio@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor