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Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado De São Paulo, Ano Agrícola 2012/13, 4º Levantamento, Abril de 2013

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), realizou, entre 1 e 24 de abril de 2013, a 4ª previsão e estimativa da safra agrícola para as principais culturas do Estado de São Paulo (Tabela 1).

 

Os resultados foram obtidos por meio de levantamento, seguindo método subjetivo2, nos 645 municípios do Estado de São Paulo. Para as culturas da laranja e do café, as informações são provenientes da compatibilização de dois levantamentos: métodos subjetivo e por amostragem, ambos realizados no campo.

 

A colheita de grãos nesta safra deve somar 7,7 milhões de toneladas, o que representa acréscimo de 3,3% em relação ao ano anterior, devido aos maiores volumes produzidos e esperados para o trigo (38,3%), soja (24,4%), feijão da seca (23,6%), feijão de inverno (16,3%) e amendoim das águas (13,5%). Apresentaram decréscimo em suas produções, principalmente, soja safrinha (68,8%), triticale (64,6%) e algodão (44,2%), em menor proporção, mamona, arroz, amendoim da seca, milho (primeira safra) e milho safrinha (segunda safra) (Tabela 1).

 

Para a elaboração dos índices que refletem a evolução da agricultura paulista no ano agrícola 2012/13 em comparação ao de 2011/12, foram selecionadas as atividades mais significativas em valor da produção. Os resultados agregados indicam crescimento na produtividade de 1,45%, resultando em 1,74% a mais no volume a ser produzido, em área plantada menor em 0,47% que a da safra passada (Tabela 2). Tal fato reforça que a agricultura paulista avança graças ao aumento da produtividade, garantido safras cada vez maiores, mas com estabilidade da área plantada.

 

O conjunto das culturas anuais apresenta acréscimo na produção (13,3%) e na produtividade (11,9%), por conta especialmente da soja, com crescimento da área plantada (11,2%). Para os grãos, o comportamento é similar. Aumentos são esperados para produção, produtividade e área plantada de 7,4%, 5,8% e 1,5%, respectivamente.

 

Quando são consideradas as culturas perenes e semiperenes, observam-se quedas, registrando -0,58% para a produção, -0,60% para a produtividade e -0,89% para a área plantada (Tabela 2).

 

Para o amendoim, a safra das águas produziu 317 mil toneladas e reflete um aumento de 13,5% em relação ao ano anterior. O aumento é resultado do incremento, em torno de 8% na área plantada, com destaque para os EDRs de Jaboticabal e Presidente Prudente, e de produtividade, 5% superior à registrada na safra anterior. Essas condições foram construídas a partir da maior disponibilidade de área de canaviais em renovação e do investimento do produtor, motivado pelas condições de mercado em 2012, ano em que foram exportadas 60 mil toneladas de amendoim descascado, o maior volume anual registrado nos últimos dez anos. Para a safra da seca, a tendência de retração da área plantada (22,9%) e da produção (16,0%) das últimas safras é mantida.

 

A previsão de safras de abril de 2013 ratifica a diminuição do cultivo de algodão no Estado de São Paulo. A área cultivada é retraída em 43,3% e a produção, estimada em 35,1 mil toneladas, deve ser 44,2% menor, comparativamente à anterior. Esse comportamento reflete, em parte, as condições desfavoráveis no mercado da fibra, já presentes por ocasião da comercialização da produção de 2012. O quadro de desestímulo que se acirrou por ocasião do plantio da safra atual, em virtude do enfraquecimento no consumo, da diminuição no comércio e de elevação nos estoques de passagem da fibra no mercado internacional, é também observado no âmbito doméstico, por meio dos estoques suficientes para refrear elevações nos níveis dos preços.

 

É esperada uma produção de 73,7 mil toneladas de arroz (de sequeiro, várzea e irrigado), 24,5% inferior a obtida na safra passada, por conta principalmente de 28,1% a menos na área plantada, apesar de ganhos de 5,0% na produtividade. A região do Vale do Paraíba é maior produtora do Estado, representando 71,9% da produção. Nas demais regiões paulistas, a concorrência com outras culturas que apresentam maior rentabilidade e, principalmente a entrada do arroz empacotado do Rio Grande do Sul (maior produtor do Brasil) para venda no atacado e varejo, vem desestimulando o cultivo pelos rizicultores paulistas.

 

Na batata da seca, cujo início do plantio é em janeiro, verificam-se no levantamento atual aumentos de área (2,5%) e de produção (6,0%) em relação à safra 2011/12, com previsão de 209,4 mil toneladas. Está previsto para a safra de inverno, que iniciou em abril e com colheita a partir de agosto, aumento de área de 3,1% (12,8 mil hectares); já a produção esperada de 378,1 mil toneladas é praticamente a mesma colhida em 2012. A produtividade deve recuar 2,9%.

 

O plantio de cebola de bulbinho (soqueira) para a safra agrícola 2012/13, por conta da menor produtividade (3,4%) e da redução de área cultivada (38,7%), e volume a ser produzido de 18,3 mil toneladas, deverá ser menor em 41,3% em relação à safra 2011/12. Quanto à cebola de muda, há retração de 15,9% na área plantada e de 1,0% na produção esperada (84,2 mil toneladas), embora o levantamento indique ganhos na produtividade (17,6%).

 

O levantamento de abril aponta aumento da área (6,4%) de feijão da safra da seca, e é esperada produção de 44,6 mil toneladas, 23,6% maior que a safra passada, com a produtividade superior em 16,1%. Situação semelhante é verificada no primeiro levantamento de feijão de inverno, com área esperada maior em 6,1%, da produção de 16,3% (que deve ultrapassar 80 mil toneladas) e de 9,5% na produtividade. Problemas climáticos como a seca no Nordeste do Brasil, que reduziu drasticamente a produção e preços maiores recebidos pelos produtores, são fatores que impulsionam o interesse pelo cultivo.

 

Apesar dos bons preços atuais da mandioca, principalmente decorrentes da estiagem no Nordeste, a área cultivada com mandioca industrial está se reduzindo em São Paulo, face à competição por área com as culturas de milho, soja e cana para indústria e, pelo fato da colheita ser pouco mecanizada. Em consequência, elevam-se os custos de produção com a contratação de mão de obra para colheita. Os dados da previsão de abril indicam quedas na área (5,8%) com 50,5 mil hectares e na produção (8,7%), devendo ser colhidas 923,0 mil toneladas. A produtividade apresenta crescimento de 1,3%. No caso da mandioca de mesa, produzida em menor escala (14,4 mil hectares), a produção deverá ser de 183,7 mil toneladas, 2,3% menor que a safra 2011/12.

 

A cultura do milho de verão (primeira safra) com boa parte da produção colhida apontou redução de 3,1% da área plantada na safra 2012/13. Foram cultivados 541 mil hectares, sendo mais acentuada essa queda no sistema irrigado (-4,4%) do que no sistema sequeiro (-3,0%). Esta redução é explicada pela menor atratividade econômica da cultura em relação à da soja, cuja área cresce. A produção esperada nesta safra é de 3.353,9 mil toneladas, com queda de 1,4%, relativamente à safra 2011/12, porém, apresenta ganhos de produtividade de 1,8%.

 

A cultura do milho safrinha (segunda safra) deve apresentar crescimento de 2,3% da área plantada na safra 2012/13, em razão das expectativas favoráveis do mercado do cereal em 2013, tanto no âmbito interno como no externo, ainda como reflexo do atraso do plantio da safra americana. Os preços de milho no primeiro bimestre de 2013 foram superiores aos do ano precedente, fato que favorece a decisão de ampliação do cultivo pelo produtor. Outro fator importante é o sistema de sucessão de cultura com a soja, que a exemplo da do milho, apresentou rentabilidade elevada, o que reduz acentuadamente as necessidades de financiamento de terceiros para custeio da safra. A redução da produtividade prevista (-2,3%) pode não se concretizar, tendo em vista as incertezas das condições climáticas durante o período de desenvolvimento da cultura.

 

A sojicultura paulista foi ampliada em 11,2% em área cultivada e ultrapassa 606 mil hectares nos quais devem ser obtidos 1,8 milhão de toneladas, quantidade que representa aumento de 24,4% em relação à safra anterior. Considerando a característica de elevada liquidez proporcionada pelo grão e seus derivados – consumo de óleo e a crescente demanda por farelo para a produção de carnes - especialmente nesta temporada, esse aspecto ganhou ainda maior importância em virtude da quebra da colheita norte-americana em 2012. Dessa maneira, a alta nas cotações externas exerce influência significativa para a tomada de decisões do agricultor brasileiro, a exemplo do que vem ocorrendo na presente temporada em resposta às condições favoráveis de mercado.

 

O mercado de tomate de mesa (envarado) foi oscilante nas cotações durante o ano de 2012. Para 2013, a área cultivada deve diminuir 1,8 % e a produção deverá apresentar uma redução de 0,9 %. O Estado de São Paulo é o maior produtor brasileiro de tomate para consumo in natura, responsável por 50% da produção, e o que ocorreu em 2012 foi a intercorrência de vários fatores de ordem climática, tais como o excesso de chuvas em junho de 2012, que afetaram a produção de mudas. Menor oferta de plantas para o cultivo e estações indefinidas, primavera e verão irregulares do ponto de vista de temperatura e precipitação resultaram na queda de disponibilidade de tomate de mesa em alguns períodos, acarretando altas expressivas nos preços desde o plano real (1994-2013).

 

 A produção do tomate para indústria no Estado de São Paulo se dá mediante acordo de preços para o plantio e, em 2012, a média de preços pagos pela indústria foi de R$180,00/tonelada diante do custo de produção de R$165,00/tonelada.

Com a participação de 16% da produção nacional, São Paulo espera um decréscimo de 22,3% em área e 18,2% na produção em relação a 2012. A cultura no Estado de São Paulo vem perdendo a importância em decorrência da participação do Estado de Goiás tanto na produção como no processamento do tomate para indústria.

 

A melhoria nas cotações do trigo e a valorização do dólar podem ter influenciado a decisão dos produtores paulistas de ampliar sua participação na área e consequentemente na produção da cultura do trigo do Estado nesta safra, é o que indica o levantamento IEA-CATI de abril de 2013. De acordo com os dados informados pelos técnicos das Casas de Agricultura, houve crescimento de área (35,3%) e de produção, 147,8 mil toneladas (38,3%) em relação à safra anterior. A produtividade agrícola ficou acima do obtido na safra anterior (2,3%). Os resultados para a cultura do triticale mostram uma acentuada queda de área (60,7%) e de produção (64,6%) e menor redução na produtividade agrícola (10,0%), comparativamente à safra passada.

 

Neste levantamento há indicação de redução na área da banana (0,8%), mas a expectativa de maior produtividade (2,9%), por conta das condições climáticas mais adequadas à cultura, justifica o volume a ser produzido nesta safra, superior a 3,5%, em comparação com a safra agrícola passada, podendo atingir a marca de 1,2 milhão de toneladas da fruta.

 

A previsão de produção de café foi calculada em 4, 277 milhões de sacas de 60 kg de café beneficiado, apresentando decréscimo em relação à safra passada. Frente à estimativa de fevereiro, o presente resultado indica queda no volume de produção em 9,2%. O patamar de produtividade de 21 sc./ha pertence ao chamado ciclo de baixa da cultura, pois na safra anterior (dito ciclo de alta), a produtividade média estimada foi de 25,7 sc./ha. Com 17,9 mil hectares em formação, a cafeicultura paulista possui 8,6% da área produtiva em renovação e/ou expansão, sendo esse indicador importante na avaliação do dinamismo econômico dessa lavoura no estado. 

 

 

O presente levantamento para a cultura da cana-de-açúcar vem corroborar os resultados obtidos no levantamento em fevereiro, demonstrando que as ações dos agricultores nas questões relativas aos tratos culturais e investimentos estão se cristalizando, mantendo a área plantada praticamente inalterada (-0,8%) e aumento na produção (1,2%) e na produtividade (1,4%), obtendo 80,4 t/ha, reflexo de ganhos de 1,1 t/ha em relação à safra passada. Cabe salientar que, se de um lado essas ações refletem positivamente, por outro elas poderão ser alteradas caso haja implicações negativas em relação ao clima e das condições sanitárias. 

 

No caso da laranja, o primeiro levantamento da safra 2013/14 apontou 279,1 milhões de caixas de 40,8 kg para processamento industrial e 48,7 milhões de caixas para mercado in natura, totalizando uma produção comercial de 327,8 milhões de caixas de 40,8 kg de laranja, para o Estado de São Paulo, exclusive 16,2 milhões de caixas de 40,8 kg provenientes de pomares não expressivos economicamente e perdas relativas ao processo produtivo e à colheita.

 

O resultado da primeira estimativa de safra de laranja é produto de parceria entre a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo (SAA), por meio dos órgãos Instituto de Economia Agrícola (IEA) e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), pertencente ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

 

O Estado de São Paulo possui aproximadamente 12.000 citricultores, cujos pomares totalizam 190,8 milhões de plantas em produção e 19,6 milhões de pés ainda sem produção para a atual safra. Estima-se produtividade média em 1,72 caixas de 40,8 kg por planta, o que corresponde a 660 caixas por hectare. Comparativamente à safra passada, esperam-se perdas de área da ordem de 1,8%, de produção de 3,2% e de produtividade de 5,8%.

 

Os resultados deste levantamento, disponibilizados por Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR), encontram-se na tabela 4, e por Região Administrativa (RA) na tabela 5. O 5º levantamento das safras agrícolas do Estado de São Paulo, a ser realizado em junho, deverá trazer informações mais precisas sobre produções e produtividades, para o ano agrícola 2012/13, por conta das condições climáticas.

 

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1Os autores agradecem os técnicos das Casas de Agricultura pelo desempenho no levantamento. Também agradecem os comentários dos colegas pesquisadores do IEA, e dos técnicos de apoio Getúlio Benjamin da Silva e Talita Tavares Ferreira do CPDIEA, Irene Francisca Lucatto do Departamento Administrativo, e a equipe do Núcleo de Informática do IEA.

 

2Entende-se por método subjetivo a informação fornecida pelo técnico da Casa de Agricultura, em função de seu conhecimento regional e/ou da coleta de dados de forma declaratória, fornecida pelo responsável pela unidade de produção.

 

Palavras-chave: previsão de safra, área e produção, Estado de São Paulo.

 

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Data de Publicação: 28/06/2013
Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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