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Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Ano Agrícola 2013/14, Abril de 2014

1 - INTRODUÇÃO

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), realizou, entre 1 e 23 de abril de 2014, o levantamento da previsão e estimativa da safra agrícola para as principais culturas do Estado de São Paulo (Tabela 1).

Os resultados foram obtidos aplicando o método subjetivo2, que consiste da coleta e sistematização dos dados fornecidos pelos técnicos das Casas de Agricultura, em cada um dos 645 municípios do Estado de São Paulo3.

 

2 – INDICADORES GERAIS

A colheita de grãos nesta safra está prevista em 6,1 milhões de toneladas, o que representa decréscimo de 20,1% em relação ao ano anterior, devido principalmente à anomalia climática (fenômeno que combinou escassez de precitipações, temperaturas médias elevadas e maior exposição solar) que influenciou a produtividade. As culturas que apresentaram as maiores quedas em percentual de volumes produzidos e esperados foram: arroz de sequeiro e várzea (-35,8%), milho sequeiro e irrigado, da primeira safra (-30,7%), soja safrinha (-22,3%), amendoim das águas (-17,3%), soja e soja irrigada, primeira safra (-14,8%), milho safrinha (-14,4%), feijão de inverno (-11,0%) e o feijão da seca (- 6,0%). Os maiores percentuais de acréscimos em suas produções foram: triticale (178,0%) e trigo (51,5%) e, em menor proporção, algodão e feijão das águas (Tabela 1).

Para a elaboração dos índices que refletem a evolução da agricultura paulista no ano agrícola 2013/14, em comparação ao de 2012/13, foram selecionadas as atividades mais significativas em valor da produção. Os resultados agregados indicam queda na produtividade de 7,0%, resultando em 7,7% a menos no volume a ser produzido, em uma área plantada menor em 1,6% que a da safra passada (Tabela 2). O conjunto das culturas anuais apresenta menor produção (-11,9%), por conta do decréscimo na produtividade (-11,1%),

 


já que a área plantada se mantém estável (-0,9%). Para os grãos, o comportamento é similar, porém, mais intenso.

Quando são consideradas as culturas perenes e semiperenes, também se observam quedas de produtividade (6,0%), de produção (6,6%) e na área plantada (1,7%) (Tabela 2).

 

3 – ACOMPANHAMENTO DA SAFRA AGRÍCOLA 2013/14

As condições dos mercados interno e externo para o amendoim motivaram o aumento de 11,5% na área plantada para a safra das águas 2013/14, quando comparada à safra anterior. Os Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDRs) de Assis, Barretos, Jaboticabal, São José do Rio Preto e Tupã foram os que mais aumentaram os plantios. Entretanto, as condições climáticas adversas comprometeram o desenvolvimento da cultura, e os resultados, quando comparados à safra das águas 2012/13, apontam reduções em torno de 26% na produtividade e de 17,3% no volume total produzido. A retração da produtividade mostra-se acentuada em EDRs importantes na produção de amendoim, como Assis (38%), Jaboticabal (33%) e Presidente Prudente (29%) e, em menor intensidade, em Tupã (20%), Barretos (14%) e Marília (8%). As condições de menor oferta, de qualidade do grão e do mercado externo resultaram em pequeno ajuste de preços em comparação a 2013, o que influenciará o planejamento da próxima safra que se aproxima. Para a safra da seca as previsões indicam a manutenção da dinâmica registrada nos últimos três plantios, quedas de área e de produção.

A previsão de safras de abril de 2014 para o algodão indica elevações na área cultivada (5,2%) e na produção (7,7%), estimada em 40,0 mil toneladas, visto que a produtividade é 2,4% maior, comparativamente à anterior. Esses números, muito embora o produto venha perdendo espaço no estado, indicam que as condições favoráveis no mercado da fibra, principalmente no âmbito internacional devem ter contribuído para essas elevações.

É esperada uma produção de 68,9 mil toneladas de arroz (de sequeiro, várzea e irrigado), 7,3% inferior à obtida na safra passada, por conta das perdas na produtividade (3,5%), agravada pela menor área plantada (3,9%). Essas perdas não foram maiores por conta da produção irrigada, gerada na região do Vale do Paraíba, maior produtora do estado (corresponde a 75%). Ressalta-se que, nesta região, espera-se produtividade de 5.569 kg/ha, muito superior a do arroz de sequeiro e várzea, com 2.650 kg/ha.

Para batata da seca, com o inicio de plantio em janeiro, verifica-se retração na área cultivada (2,3%), porém, com aumento na produção (4,0%), em relação à safra 2012/13, com previsão de 248,5 mil toneladas, por conta da produtividade maior (6,4%). Na safra de batata de inverno, cujo plantio se iniciou em abril e cuja colheita começou em meados de julho em diante, a previsão é de leve declínio de área cultivada (1,7%). São esperadas 360 mil toneladas a serem colhidas, menor em 2,2%, principalmente pela menor área plantada, já que a produtividade é similar à safra passada.

Para o plantio de cebola de bulbinho (soqueira) para a safra 2013/14, com 3,5% de aumento de área cultivada, a produção prevista é de 20,8 mil toneladas, maior em 14,0% ante a safra anterior, por conta dos ganhos de produtividade em 10,5%. Já para cebola de muda, a produção esperada de 81,7 mil toneladas, 13,6% menor que a safra passada, teve influência significativa da menor área plantada (22,8%), visto que os ganhos em 11,8% na produtividade não compensaram esta perda.

A previsão de safra de tomate de mesa (envarado), realizada em abril de 2014, indica redução de 5,6% na área cultivada frente à safra 2012/13 e queda de 7,1% na produção esperada de 589,9 mil toneladas. A redução do cultivo reflete a instabilidade de preços e de clima ocorrida em 2013, com oscilações nas cotações devido à disponibilidade do produto ofertado na safra em andamento. O Estado de São Paulo contribui com cerca de 25,0% do tomate de mesa e Minas Gerais com 20,0% no Brasil, sendo os dois principais produtores de tomate para consumo in natura.

A previsão da área cultivada com tomate para indústria (rasteiro) deverá diminuir 36,2% em 2014, relativamente a 2013. Espera-se uma diminuição no volume a ser produzido, pouco inferior ao da área (34,8%), mesmo com o crescimento de 2,1% na produtividade (82,3 t/ha), em relação à da safra passada.

O levantamento realizado no campo em abril aponta queda da área plantada (5,7%) com a cultura de feijão, da safra da seca, e espera-se uma produção de 44,9 mil toneladas, 6,0% menor que a safra passada, com a produtividade praticamente inalterada (-0,4%). Situação semelhante é verificada no primeiro levantamento de feijão de inverno (irrigado e sem irrigação), com expectativa de menor área plantada (12,5%) e de produção (11,0%).

Na cultura de mandioca para indústria, há expectativa de quedas na área (2,8%), totalizando 54,9 mil hectares, na produção (4,7%), devendo ser colhidas 922,2 mil toneladas, e na produtividade (3,3%). No caso da mandioca de mesa, produzida em menor escala (15,3 mil hectares), a produção deverá ser de 187,8 mil toneladas, 7,7% menor que a da safra 2012/13. Esse quadro de queda nesta atividade é decorrente da competição por terras, principalmente com as culturas de milho, soja e cana para indústria, como também pelo fato de a colheita ser pouco mecanizada, elevando-se os custos de produção com a contratação de mão de obra.

A cultura do milho sequeiro e irrigado, primeira safra 2013/14, com cerca de 90% da colheita realizada até a época do levantamento, aponta para uma produção prevista em 2,43 milhões de toneladas, queda de 30,7% em relação à safra 2012/13. Essa produção menor é devida tanto aos efeitos climáticos adversos que afetaram o desenvolvimento dos grãos e reduziram sua produtividade em 21,7%, chegando em torno de 5.000 kg/ha, quanto à retração de área plantada (-11,5%), atingindo a marca de 485,8 mil hectares, motivada por decisão do produtor de substituir o plantio do milho pela soja. A produtividade média do milho sequeiro é de 4.615 kg/ha, enquanto a do milho irrigado é de 8.847 kg/ha. Comparadas com a safra anterior, essas produtividades foram menores em 23,3% e 9,7%, respectivamente.

 Quanto à segunda safra do milho, milho safrinha, o levantamento aponta retração de 16,0% de área plantada (277,9 mil hectares) ante a safra 2012/13 e queda de 14,4% na produção (1,22 milhão de toneladas), com ganhos de produtividade em torno de 2%.

A sojicultura paulista foi ampliada em 14,7% em área cultivada e ultrapassa 705 mil hectares, nos quais deverão ser colhidos mais de 1,6 milhão de toneladas do grão, quantidade que representa queda de 14,8% em relação à safra anterior, devido à quebra de 25,8% na produtividade.

A cultura do trigo vem sendo estimulada, dados os bons retornos econômicos, o que determina a decisão dos produtores paulistas de ampliar sua participação na área e nos tratos culturais, resultando em crescimento de área (16,1%). Espera-se que a produtividade agrícola fique acima do obtido na safra anterior em 30,5% e, consequentemente, da produção, superior em 51,5%. Os resultados para a cultura do triticale mostram uma acentuada elevação de área (126,8%), de produção (178,0%) e de produtividade agrícola (22,6%), comparativamente à safra passada.

Para a cultura da banana, há indicação de redução na área (4,4%), na produtividade (6,2%) e no volume a ser produzido nesta safra (9,5%), em comparação com a passada, podendo atingir a marca de 1,1 milhão de toneladas da fruta, seguindo a tendência observada no levantamento em fevereiro. A queda dos preços recebidos ocorrida em 2013 pode estar desestimulando os investimentos na cultura.

O terceiro levantamento subjetivo de safra de café 2013/14 (equivalente a 2014/15) no Estado de São Paulo resultou em estimativa preliminar de colheita de 4,45 milhões de sacas, ligeiramente superior às 4,32 milhões de sacas contabilizadas em levantamento anterior. Esse incremento decorre, em parte, da expansão da área em produção, que evoluiu dos 199,3 mil hectares para os 202,5 mil hectares.

A quantidade colhida prevista nesse levantamento é convergente com aquela obtida pelo levantamento objetivo também ocorrido em abril de 2014, em que se mensurou a produção em 4,23 milhões de sacas. Com a confirmação desses números, a partir dos próximos levantamentos, haverá a inversão do ciclo cafeeiro no estado, pois somarão duas safras consecutivas em ciclo de baixa produção.

Para a cultura da cana-de-açúcar, os resultados apontam diminuição na área nova (9,5%) e na produção (7,8%), com volume de 409,8 milhões de toneladas, principalmente pela queda da produtividade que foi de 7,2%, em relação à safra passada, visto que a área em produção pouco se alterou. Esse quadro sugere a conjunção de dois fatores: o primeiro refere-se à crise do setor em relação ao preço do etanol, o que causa desestímulo ao setor sucroalcooleiro, e o segundo devido às condições climáticas adversas ocorridas no início desta safra, afetando a produtividade.

Para a cultura da laranja, o levantamento realizado no campo em abril de 2014 demonstra a redução na área plantada, comparativamente à safra 2012/13. Na atual safra, registra-se acréscimo de novas plantas, porém, este aumento não compensa a diminuição das plantas em produção, levando à ilação de maior erradicação, por conta da eliminação de pomares comprometidos com a incidência do greening, o que confirma informações anteriores já registradas. Com isso, a área total plantada apresenta-se 3,5% menor que a de 2012/13 (1,9 ponto percentual a mais que o verificado no campo em fevereiro de 2014), atingindo a marca de 486,05 mil hectares, para a safra 2013/14. O volume total a ser produzido poderá atingir 289,6 milhões de caixas de 40,8 kg (cerca de 11.815 mil toneladas), 1,1% maior que a obtida na safra passada, que foi de 286,3 milhões de caixas de 40,8 kg, visto que a florada foi abundante no final do ano passado. Esses números incluem tanto as frutas comerciais, como os frutos provenientes de pomares não expressivos economicamente, e as perdas relativas ao processo produtivo e às de colheita. Espera-se uma produtividade agrícola de 26.390 kg/ha, superior àquela obtida na estimativa final da safra em 4,9%.

Os resultados deste levantamento encontram-se nas tabelas 1 e 3 para o Estado de São Paulo, por EDR na tabela 4 e por Região Administrativa (RA) na tabela 5. O próximo levantamento das safras agrícolas do Estado de São Paulo, a ser realizado em junho, deverá trazer informações mais precisas sobre produções e produtividades, para o ano agrícola 2013/14.

 

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1Os autores agradecem aos técnicos das Casas de Agricultura o desempenho no levantamento. Também agradecem os comentários dos colegas pesquisadores do IEA, e dos técnicos de apoio Getúlio Benjamin da Silva e Talita Tavares Ferreira, do CPDIEA, Irene Francisca Lucatto, do Departamento Administrativo, e a equipe do Núcleo de Informática do IEA.

 

2Entende-se por método subjetivo a coleta e sistematização de dados fornecidos pelos técnicos da Casa de Agricultura, em função de seu conhecimento regional e/ou da coleta de dados de forma declaratória, fornecida pelo responsável pela unidade de produção.

 

3Os questionários do EDR de Campinas, chegaram fora do prazo estabelecido, sem tempo hábil para o processamento e depuração, neste levantamento. Assim as informações do levantamento anterior foram reconsideradas para o fechamento do atual levantamento.

 

Palavras-chave: previsão de safra, área e produção, Estado de São Paulo.



 

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Data de Publicação: 17/06/2014
Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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