Preços Agropecuários têm queda de 0,61% ao encerrar o mês de abril

 

 

O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1, 2 fechou o mês de abril em queda de 0,61%. É a primeira queda mensal desde julho de 2010. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) e o IqPR-A (produtos de origem animal) registraram variações negativas de 0,42% e 1,06%, respectivamente (Tabela 1).
 
 

Tabela 1 - Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, Abril de 2011 e Acumulado nos Últimos 12 Meses.


Índice Acumulado

São Paulo

São Paulo - sem cana

Variação 

Abril/11

Acumulada 

12 meses

Variação

Abril/11

Acumulada 

12 meses

IqPR

- 0,61 % 

26,16 %

- 2,99 %

33,93 %

IqPR-V

- 0,42 % 

26,77 %

- 4,84 %

43,44 %

IqPR-A

- 1,06 %

23,32 %

?

?

Fonte: Instituto de Economia Agrícola


            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, o IqPR e o IqPR-V caem com maior intensidade, na ordem respectiva de 2,99% e 4,84%. No final de sua entressafra e na presença de uma demanda nacional e internacional aquecida pelos seus principais derivados (etanol e açúcar), a cana subiu 2,81% no período analisado (Tabela 1).
 
 

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, Abril de 2011.

Origem

Produto

Unidade

Cotações (R$)

Variação mensal (%)

Variação Abr.11/Abr.10 (%)

Março/11

Abril /11

Amendoim

Sc.25 kg

27,86
32,06
15,07
16,43

Arroz

sc.60 kg

28,48
27,77
-2,50
-18,72

Banana nanica

cx.21 kg

7,73
10,49
35,68
-10,03

Café

sc.60 kg

493,18
491,74
-0,29
88,29

Cana-de-açúcar 

kg de ATR

0,3912
0,4022
2,81
15,18

Feijão

sc.60 kg

88,60
83,06
-6,26
-28,55

Laranja p/ Indústria

cx.40,8 kg

14,73
14,02
-4,80
70,95

Laranja p/ Mesa 

cx.40,8 kg

27,14
21,21
-21,85
28,16

Milho

sc.60 kg

26,65
25,58
-3,99
72,58

Soja

sc.60 kg

43,36
41,87
-3,44
29,12

Tomate p/ Mesa

cx.22 kg

38,80
29,57
-23,78
-5,63

Trigo

sc.60 kg

27,88
30,11
7,99
30,33

ANIMAL

Carne Bovina

15 kg

101,28
100,33
-0,94
25,63

Carne de Frango

Kg

2,03
1,80
-11,33
27,43

Carne Suína

15 kg

49,09
50,81
3,49
-0,55

Leite B

Litro

0,79
0,80
1,72
-1,14

Leite C

Litro

0,68
0,71
5,14
-4,44

Ovos

30 dz

47,39
51,33
8,31
33,94

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            No mês de abril de 2011, 8 produtos apresentaram elevação de preços (4 de origem vegetal e 4 de origem animal) num total de 18 produtos considerados, o que revela realidade de inversão baixista dos preços agropecuários no começo do segundo trimestre do ano, com os resultados parciais da colheita da principal safra nacional. Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas neste mês de abril, em comparação com março foram: banana nanica (35,68%), amendoim (15,07%), ovos (8,31%), trigo (7,99%) e leite C (5,14%) (Tabela 2).
 

            A banana nanica estava com preços muito baixos em março e agora mostra variação dentro do padrão sazonal, com aumento dos preços derivado da menor oferta (cachos demoram mais para formar com a redução da temperatura média e das chuvas) e do incremento de consumo típico do outono.
 

            As perdas na colheita do amendoim produzindo uma safra menor, somada à proximidade das festas juninas onde o consumo desse produto aumenta, vêm produzindo o efeito de elevação dos preços.
 

            Para os ovos, verifica-se a menor oferta num ajuste desproporcional em decorrência da conjuntura anterior de preços baixos associada à pressão de demanda, da agroindústria de massas alimentícias e de panificação e ao período de quaresma, quando há crescimento do consumo desse produto.
 

            No trigo se verifica a elevação dos preços internacionais acima dos movimentos do câmbio, dentro de uma escalada dos preços das commodities no mercado internacional, numa realidade em que o Brasil importa produto para seu abastecimento.
 

            No leite C a proximidade do inverno com as primeiras manifestações do frio no outono já sinaliza redução da oferta do produto, gerando expectativa de elevação dos preços também pressionados pela demanda. Mesma tendência esta indicada para o Leite B.
 

            No mês de abril de 2011, 10 produtos apresentaram queda (8 de origem vegetal e 2 de origem animal). Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços neste mês foram: tomate para mesa (23,78%), laranja para mesa (21,85%), carne de frango (11,33%), feijão (6,26%) e laranja para indústria (4,80%) (Tabela 2).
 

            Apresentando os melhores preços dos últimos anos, a entrada da safra paulista da laranja (2011/12) tem ofertado em excesso frutas abaixo do ponto ideal de maturação, diminuindo o preço recebido pelos seus produtores em abril. No caso específico da laranja para indústria, os contratos de integração firmados ocasionam variações de seus preços com amplitudes menores que as do mercado spot da laranja para mesa.
 

            A configuração da normalidade da oferta de tomate nas principais regiões produtoras para este período do ano teve como efeito a queda dos seus preços, quando a gangorra desse produto perecível aponta para baixo.
 

            Para a carne de frango, a boa oferta frente à demanda estabilizada reflete queda nas cotações das aves. Além de frango no mercado spot, animais oriundos de integrações continuaram apresentando excedentes nos corredores de abate, o que movimentou para baixo os preços recebidos pelos criadores.
 

            No feijão, duas ocorrências simultâneas explicam os maiores preços. Uma diz respeito à colocação no mercado de produtos estocados esperando a continuidade de maiores elevações. Como o feijão "velho" perde mercado na presença de feijão "novo", a proximidade da safra das secas empurra os preços para baixo. De outro lado, a própria entrada da produção dos plantios "do cedo" pelos que anteciparam a safra das secas impacta os preços para baixo.
 
 

Figura 1. Evolução do Índice Acumulado Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, Abril de 2010 a Abril de 2011.

 
Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).


 

            A verificação do comportamento dos preços agropecuários nos últimos doze meses mostra uma tendência crescente, com um pequeno arrefecimento em abril de 2011, tanto para os produtos animais como para os vegetais (Figura 1). Os índices de preços agropecuários mostram-se 26,16% acima do patamar verificado há doze meses, fruto da elevação tanto dos produtos vegetais (+26,77%) como animais (+ 23,32%). Quando se exclui do cálculo a cana-de-açúcar, os preços agropecuários apresentam alta ainda maior (33,93%) dado o incremento superior verificado nos demais produtos vegetais (+43,44%).
 

            Portanto, os preços agropecuários evoluíram em percentuais muito superiores aos dos indicadores da inflação brasileira, como resultado da pressão de demanda derivado do crescimento da massa salarial e da conjuntura altista de importantes preços internacionais. Os maiores preços agropecuários internos, ao derivarem diretamente da demanda, ainda se mantêm muito mais elevados que no ano anterior, ou seja, a queda mensal significa que os preços agropecuários deixaram de subir, mas não reverteu o padrão de patamar elevado em relação ao ano anterior.
 

            No acumulado, as maiores altas de preços verificadas são praticamente todas derivadas da conjuntura internacional de preços mais altos associada à pressão de demanda interna pelo crescimento da massa salarial, com destaque para:
 

a) café (+88,29%), cujas cotações internacionais se elevaram no último ano após longo período de preços baixos;
 

b) milho (+72,58%), onde também os preços internacionais vem sendo mais favoráveis que o ano anterior de preços muito baixos,  com efeito também dos maiores preços do petróleo que viabiliza o metanol;
 

c) laranja para indústria (+70,95%), reflete a valorização dos sucos cítricos nos principais mercados importadores mundiais, onde o consumo aumenta com a recuperação econômica;
 

d) trigo (+30,33%), produto em que o Brasil se constituindo num relevante importador, faz com que os preços internos na entressafra nacional se situem acima do verificado no mesmo período do ano passado;
 

e) soja (+ 29,12%), sendo um produto multi-destinação apresenta preços mais altos devido as pressões de demanda maior dada a melhoria da economia mundial e pela manutenção das aquisições chinesas de soja em grão;
 

f) a carne de frango (+27,43%), mesmo com a recente redução de preços, apresenta este reajuste anual fruto dos custos maiores com ração à base de grãos (milho, por exemplo), da retomada das exportações que vem sendo realizada em volume expressivo a preços que compensam a valorização cambial e da maior demanda interna;
 

g) cana-de-açúcar (+15,18%), cujas cotações internacionais ainda refletem o desajuste da oferta de produtores relevantes como a Índia, além da elevação da demanda de outros mercados.

            Há outro grupo de produtos que refletem a pressão da demanda interna, dado o expressivo aumento da massa salarial, ainda que alguns guardem relação com os preços internacionais mais elevados de substitutos ou correspondem a mercados complementares:
 
 

a) carne bovina (+25,63%), com altas expressivas que decorrem da redução da oferta de boi gordo para o abate, em virtude: do elevado abate de fêmeas entre 2005 e 2007 e assim menor disponibilidade e o encarecimento dos bezerros, garrotes e bois magros para reposição; redução nos confinamentos, além da seca intensa na última entressafra. Por outro lado, o consumo se manteve aquecido, tanto o interno como o externo, o que foi determinante para o comportamento dos preços em 2010;
 

b) laranja para mesa (+28,16%), cuja alta decorre tanto da pressão de demanda interna com valores muito mais altos que os da laranja para indústria como também deriva de que as agroindústrias ao fazerem valer seus contratos para honrarem compromissos de exportação de suco, reduzem a oferta interna numa realidade de safra menor, impactando os preços internos;
 

c) ovos (+33,94%), em que as maiores compras desse insumo pelas agroindústrias de massas alimentícias e de panificação e confeitaria elevou demanda, com reflexo nos preços internos. O aumento de seus custos de produção baseado na elevação dos preços dos grãos foi também um dos fatores que influenciaram este reajuste;
 

d) amendoim (+16,43%), cuja cotação mais alta deriva da pressão de demanda, em especial da agroindústria de balas e confeitos, na qual o amendoim vem sendo crescentemente insumo cada vez mais relevante. Aliado a isso, as perdas no amendoim na colheita da última safra impulsionaram para cima suas cotações.

            Finalmente há um conjunto de produtos em que a oferta conjuntural interna foi elevada, fazendo os preços praticamente se manterem ou verificarem pequenas quedas como a carne suína (-0,55%) e o leite B (-1,14%). Há ainda produtos em que as condições da oferta produziram os preços atuais ainda mais baixos que os do mesmo período do ano passado, sendo esse os casos do arroz (-18,72%), do feijão (-28,55%), da banana nanica (-10,03%), do tomate para mesa (-5,63%) e do leite C (-4,44%). Verifique-se que aí estão quase todos os produtos básicos da alimentação, descaracterizando a realidade de inflação de alimentos da maior parcela da população, ainda que os preços mais altos dos demais produtos (trigo, soja, cana, milho, carne bovina, carne de frango) mostrem maior inflação para produtos da "classe média". Revela também nos preços agropecuários a mudança estrutural da sociedade brasileira, mostrando um sinal relevante e nem sempre percebido pelas políticas públicas, qual seja, o "povo não quer apenas mais comida", mas com renda maior passa a exigir determinado tipo de "comida".
 

            No geral, os preços agropecuários deram uma trégua no movimento de alta que vinha persistente desde meados do ano anterior. Contudo, ainda se mostra cedo para comemorar, uma vez que os chamados produtos sazonais da alimentação caminham para a entressafra como o leite. Noutras palavras, os preços agropecuários realizaram processo de acomodação em abril, e para manterem essa perspectiva se mostra relevante a entrada da safra da cana (açúcar e álcool) e da laranja, ambos com pesos significativos nos índices.

_______________
1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 01/04/2011 a 30/04/2011 e base = 01/03/2011 a 31/03/2011.

2Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

 

 

Data de Publicação: 05/05/2011

Autor(es): Luis Henrique Perez (lhperez@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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