Preços Agropecuários: aumento de 1,70% na primeira quadrissemana de dezembro

                O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 registrou aumento de 1,70% na primeira quadrissemana de dezembro de 2011. Tanto o IqPR-V (produtos de origem vegetal) como o IqPR-A (produtos de origem animal) fecharam com variações positivas, respectivamente de 0,85% e 3,98% (Tabela 1).
 

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana de Dezembro de 2011. 


São Paulo

São Paulo s/cana

IqPR

1,70 

2,62 

IqPR-V

0,85 

1,10 

IqPR-A

3,98 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

 

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice devido a sua importância na ponderação dos produtos, o IqPR e o IqPR-V fecham positivos em 2,62% e 1,10% respectivamente (Tabela 1).
 


Tabela 2 – Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana - Dezembro de 2011.


Origem

Produto

Unidade

Cotações (R$)

Variação quadrissemanal (%)

1ª Nov/11

1ª Dez/11

VEGETAL

Algodão

15 kg

58,31

56,80

- 2,60 

Amendoim

sc.25 kg

35,38

37,35

5,58 

Arroz

sc.60 kg

28,70

30,39

5,91 

Banana nanica

cx.21 kg

14,84

13,72

- 7,58 

Batata

sc.60 kg

28,32

20,77

- 26,66 

Café

sc.60 kg

470,61

471,83

0,26 

Cana-de-açúcar 

kg de ATR

0,4960

0,4994

0,68 

Feijão

sc.60 kg

100,12

110,02

9,89 

Laranja p/indústria

cx.40,8 kg

8,41

9,19

9,24 

Laranja p/Mesa 

cx.40,8 kg

10,23

11,64

13,83 

Milho

sc.60 kg

26,17

25,76

- 1,56 

Soja

sc.60 kg

42,55

41,81

- 1,76 

Tomate p/ Mesa

cx.22 kg

31,51

25,46

- 19,20 

Trigo

sc.60 kg

27,49

26,82

- 2,45 

ANIMAL

Carne Bovina

15 kg

97,38

102,97

5,74 

Carne de Frango

Kg

2,00

2,10

5,14 

Carne Suína

15 kg

51,71

54,42

5,25 

Leite B

Litro

0,9512

0,9423

- 0,93 

Leite C

Litro

0,8739

0,8616

- 1,41 

Ovos

30 dz

41,68

41,82

0,34 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

 
            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas na primeira quadrissemana do mês de dezembro foram: laranja para mesa (13,83%), feijão (9,89%), laranja para indústria (9,24%), arroz (5,91%) e carne bovina (5,74%) (Tabela 2).
 

            Na laranja de mesa a entressafra e os dias quentes de dezembro têm revertido as expectativas para os preços, que agora tendem a elevar-se com a entrada do verão num horizonte até o começo da próxima safra. Os preços ‘spot’ da laranja para indústria também mostram viés de alta no final da colheita, pois estão impactados pela desvalorização cambial.
 

            No feijão, o atraso do plantio da safra das águas, por fenômenos climáticos, criou escassez conjuntural nas últimas semanas, levando a preços ascendentes cuja expectativa de reversão depende dos volumes e do momento em que efetivamente inicie a oferta da safra das águas.


            No arroz, nesse período do ano, mesmo com a entrada de excedentes de produto novo dos países do MERCOSUL, apresentou-se um nível de exportação de produto de menor qualidade obtido recentemente junto a países africanos e asiáticos como principal evento causador do enxugamento dos estoques de passagem que possibilitaram uma recuperação dos preços.
 

            Na carne bovina, a redução do número de animais para o abate associada à proximidade das festas de final do ano contribuem para esta tendência de alta e impactam os preços.
 

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços nesta quadrissemana foram: batata (26,66%), tomate para mesa (19,20%), banana nanica (7,58%), algodão (2,60%) e trigo (2,45%) (Tabela 2).
 

            Na batata, a entrada de maior quantidade de produto reduziu os preços recebidos pelos seus produtores, mesmo fato que explica a reversão da trajetória dos preços do tomate de mesa. Ambas solanáceas, que configuram produto final perecível e, por isso mesmo, com preços com acirrada amplitude de variação conjuntural, em função da oferta de curto prazo, levam à gangorra de preços.
 

            Na banana verifica-se que, após o pico de preços em setembro-outubro, o aumento da temperatura e das chuvas acelera a formação dos cachos e antecipa a produção, ao mesmo tempo também cresce a competição com as demais frutas levando a preços em queda.
 

            O caso do algodão reflete, além dos impactos diretos da crise econômica nos preços dessa commodity (em especial a crise europeia), a baixa liquidez no mercado interno que rebaixam sua cotação.
 

            Para os triticultores, a anulação de recentes leilões do Programa de Escoamento da Produção (PEP) do governo federal manteve altos seus estoques (como acontece na maioria dos grandes produtores mundiais), reforçando a tendência baixista do preço do trigo.
 

            No período analisado, 11 produtos apresentaram alta de preços (7 origem vegetal e 4 de origem animal) e 9 apresentaram queda (7 vegetal e 2 animal).
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1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 09/11/2011 a 08/12/2011 e base = 09/10/2011 a 08/11/2011.

2 Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

 

Data de Publicação: 13/12/2011

Autor(es): Luis Henrique Perez (lhperez@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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