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Indicadores socioagronômicos da cafeicultura paranaense

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            Entre setembro e outubro de 2011, no Estado do Paraná, foram conduzidos os trabalhos de levantamento da estimativa de safra de café arábica 2011/122. Os estabelecimentos amostrados representam a totalidade da cafeicultura paranaense, estruturada em 16.658 cafeicultores ativos. A produção de café arábica foi estimada em 1.731.045 sacas de 60 kg de café beneficiado3.

Os resultados apurados permitiram constatar que 68% dos cafeicultores são produtores especializados nesta atividade, ou seja, cuja atividade principal concentra-se na cafeicultura. Entretanto, esse grupo responde por aproximadamente 90% e 88% da produção e da área cultivada do Estado, respectivamente (Figura 1).

Figura 1 – Grau de especialização do cafeicultor por atividade principal, área, número de pés e produção, 2011/12, Estado do Paraná. 

Fonte: Dados da pesquisa.
 
 

            Esses cafeicultores especializados são aqueles que possuem as lavouras em melhor estágio produtivo, uma vez que 44% deles declararam que seus talhões se encontravam em condições boas e ótimas (Figura 2). Contrariamente, os produtores especializados na pecuária bovina declararam que 70% de suas lavouras estão em condição regular e ruim. Quando o produtor declarou sua especialização na área de produção de grãos, a condição da lavoura de café (sua segunda atividade) situou-se mais próxima daquela exibida pelos cafeicultores especializados, com 53% de talhões em boa situação produtiva.
 

Figura 2 – Condição produtiva da lavoura dos produtores com atividade principal em café, 2011/12, Estado do Paraná. 

Fonte: Dados da pesquisa.
 
 

            A trajetória da cafeicultura paranaense tem sido pautada pela disseminação do modelo produtivo estruturado no adensamento dos talhões e na gestão familiar das unidades de produção. Aplicando-se uma correlação simples sobre as áreas de lavoura por classe de adensamento, confirmou-se que, a 10% de nível de significância, existe correlação negativa na ordem de 0,14 entre densidade e área, isto é, as menores áreas são as mais adensadas. Exemplificando esse resultado, quando se considera a área média de todas as regiões do Estado, obteve-se: 9,0 ha para a classe de adensamento de até 1.700 plantas/ha; 5,1 ha para a classe de adensamento entre 1.700 plantas/ha e 3.000 plantas/ha e 3,6 ha para a classe acima dos 3.000 plantas/ha.
 

            No aspecto densidade de plantas, embora se reconheça o esforço em disseminar o modelo em todas as regiões do Estado, existem heterogeneidades regionais. O maior êxito foi observado na chamada região noroeste, oeste e centro ocidental, onde 51% dos talhões são adensados acima de 3.000 plantas/ha. Já o norte Pioneiro, região onde se iniciou a cafeicultura no Estado, por possuir lavouras mais velhas, exibe 42% de lavouras até 1.700 plantas/ha (Figura 3).
 

Figura 3 – Classes de adensamento da lavoura por região, 2011/12, Estado do Paraná. 

Fonte: Dados da pesquisa.
 
 

            O modelo de cafeicultura familiar adensada já perfaz 41% das lavouras no Estado do Paraná. Estabelecendo-se uma correlação entre as produtividades oriundas dos talhões adensados, constatou-se que, ao grau de 0,1% de significância, ela é positiva, atestando o êxito do modelo.
 

            A entrada do Estado do Paraná no esforço de geração de estatísticas objetivas para a safra de café permitirá que outros fatores agronômicos e socioeconômicos dos sistemas produtivos no Estado venham à tona, trazendo mais e melhores informações sobre a estrutura e o desempenho da lavoura paranaense. Espera-se que essa melhor compreensão da cafeicultura permitirá ajustar ações públicas visando maior aderência à realidade produtiva.
 

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1Estudo integrante do Projeto BRA/03/034 – CONAB/PNUD.

2Levantamento piloto segundo metodologia probabilística apresentada em FRANCISCO, V. L. F. dos S. et al. Modelo estatístico e econômico para estimativa da safra brasileira de café. Informações Econômicas, São Paulo, v. 40, n. 12, p. 26-36, dez. 2010.

3FRANZINI, P. S. et al. Estimativa de safra cafeeira paranaense, 2011/12. Informações Econômicas, São Paulo, v. 42, 2012. No prelo.

Palavras-chave: adensamento, cafeicultura paranaense.

 

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Data de Publicação: 07/02/2012
Autor(es): Paulo Sérgio Franzini Consulte outros textos deste autor
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