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Cafezal Urbano Paulistano Recebe Certificação

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            No último dia 24 de maio, quando se comemora o Dia Nacional do Café, foi concedido um certificado de qualidade - o selo UTZ Kapeh - ao maior cafezal urbano localizado no Estado de São Paulo. Este espaço urbano cultivado com café é comparável ao dos vinhedos da colina de Montmartre, em Paris. A comparação entre estas duas áreas, que ocupam espaços públicos com cultivos de culturas importantes para seus países, é praticamente inevitável.
 

            Os vinhedos de Montmartre ocupam oficialmente uma pequena parcela na capital francesa desde 1933, no 18º arrondissement, apesar de sua vocação vitivinícola, que remonta à época da ocupação galo-romana2. Na antiga "Praça da Liberdade", um terreno baldio que até 1929 abrigava moradores de rua e aventuras de crianças, são cultivados atualmente cerca de 2.000 pés de uvas híbridas e de variedades clássicas das províncias vinícolas francesas (Figura 1).
 

 

Figura 1 – Vinhedos de Montmartre, Cidade de Paris, França.
Fonte: SOUZA, M. C. M. de. Foto dos vinhedos de Montmartre em Paris, França. 2010. 1 Fotografia.
 
 

            Todos os anos, no mês de outubro, durante a Fête des Vendanges, ocorre a vindima - ou a colheita das uvas -, além de manifestações folclóricas que reúnem associações locais e confrarias vinícolas de algumas províncias convidadas. As uvas são esmagadas numa cave da subprefeitura desta região parisiense, onde o vinho também é produzido e leiloado. A renda obtida no leilão é revertida para obras sociais locais.
 

            A origem dos pés de café da capital paulista é um pouco distinta, apesar de uma destinação semelhante da produção. O Instituto Biológico (IB), onde está situada a plantação paulistana, foi fundado em 1927 para atender, entre outras demandas, a necessidade de assistência técnica e controle de pragas e doenças das regiões cafeicultoras do Estado. O café era naquela época a principal cultura do Estado, de grande importância econômica.
 

            O cafezal foi implantado na sede do instituto, na Vila Mariana, que em meados dos anos 1950 era uma região considerada como zona rural. Contava então com 2.500 pés para fins de pesquisa científica e preservação de sua memória histórica. Com a expansão urbana ao longo dos anos, o edifício sede do IB atualmente se situa em área central da capital paulista (Figura 2).
 
 

 
Figura 2 – Cafezal Urbano do Instituto Biológico, Estado de São Paulo.
Fonte: SOUZA, M. C. M. de. Foto de cafezal urbano do Instituto Biológico. 2012. 1 Fotografia.
 
 

            Os cerca de 1.500 pés de café hoje existentes têm finalidade didática e cultural. Foram plantados nos anos 1980, ocupando uma área de aproximadamente 1 ha, com as variedades mundo novo e catuaí (Figura 3). O rendimento é de quase 1 t, que depois que os grãos são beneficiados chega a 500 kg. Os grãos da produção colhida nessa área, depois de torrados e moídos, são doados ao Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo3. A colheita seletiva, que prioriza os grãos maduros separando-os dos que ainda estão verdes, garante a qualidade do produto final.
 
 

 
Figura 3 – Grãos de Café Maduros Prontos para Colheita Seletiva.
Fonte: SOUZA, M. C. M. de. Foto de café maduros prontos para colheita seletiva. 2012. 1 Fotografia.
 
 

            Esta atividade tem início no Sabor da Colheita, um evento criado e promovido pela Câmara Setorial do Café, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, que reúne lideranças de vários setores da cafeicultura paulista. Realizado desde 2006, o evento representa um marco simbólico do início da colheita de café no Estado.
 

            No Sabor da Colheita de 2012, além da concessão do certificado, foram plantados 85 novos pés para celebrar o aniversário de fundação do Instituto Biológico (Figura 4).
 
 

 
Figura 4 – Plantio de Novas Mudas de Café no Instituto Biológico, Estado de São Paulo.
Fonte: SOUZA, M. C. M. de. Foto do plantio de novas mudas de café no Instituto Biológico. 2012. 1 Fotografia.
 
 

            O certificado UTZ Kapeh, que na língua maia significa "café bom", foi concedido durante a edição de 2012 do Sabor da Colheita. O selo UTZ é específico para o café e diz respeito a um conjunto de regras definidas por protocolos internacionais. Tem origem na Europa e é reconhecido nos Estados Unidos e no Japão, locais para onde o café brasileiro é exportado. Ele certifica a adoção de boas práticas agrícolas como padrão mínimo de qualidade ambiental e social.
 
 

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1Projeto CAPES/COFECUB 649/09, cadastrado no SIGA NRP 2581.

2FÊTE DES VENDANGES DE MONTMARTRE. Paris, 2012. Disponível em: <http://www.fetedesvendangesde
montmartre.com>. Acesso em: 25 maio 2012.

3INSTITUTO BIOLÓGICO. Conheça o cafezal do Instituto Biológico. São Paulo: Instituto Biológico, [s.d.]. (Folheto explicativo).
 
 

Palavras-chave: cafezal urbano, certificação, São Paulo.

 

 

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Data de Publicação: 05/06/2012
Autor(es): Maria Celia Martins De Souza (mcmsouza@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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