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Importações e Exportações de Pescado do Estado de São Paulo Entre os Anos de 2000 a 2009

 

Introdução
 

            A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) compõe o maior centro consumidor de pescado do país, sendo responsável pela importação dos principais produtos do setor. Este trabalho tem como objetivo descrever o complexo mercado de importação de pescado da RMSP, tendo em vista a caracterização do mercado atacadista e varejista, por meio de levantamento de estabelecimentos de comercialização e consumo, assim como de preços para estimar o consumo relativo de pescado nesta macrorregião.
 

            O Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior, denominado AliceWeb, da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), foi desenvolvido com vistas a modernizar as formas de acesso e a sistemática de disseminação dos dados estatísticos das exportações e importações brasileiras. Atualizado mensalmente, quando da divulgação da balança comercial, tem por base os dados obtidos a partir do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), sistema que administra o comércio exterior brasileiro. A análise do desempenho da balança comercial brasileira é divulgada, mensalmente, pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) como forma de orientar as avaliações de mercado e as tomadas de decisão de exportadores e importadores. Também são apresentados os rankings das exportações e importações do mercado mundial e dados das relações comerciais do Brasil com base no desempenho dos principais produtos negociados por unidades da Federação.
 

            Este estudo teve como principal objetivo levantar o volume e o valor das importações e exportações de pescado no Estado de São Paulo e no Brasil, recebidos e comercializados, assim como características e o seu tipo, comercialização e valores econômicos. Fornece uma panorâmica do mercado de importação de pescado da RMSP. A maior aglomeração urbana do hemisfério sul do nosso planeta tem 20 milhões de habitantes que consomem uma média de 15,1 kg de pescado per capita por ano1. Trata-se de um imenso mercado que movimenta mais de US$1,2 bilhão de dólares anualmente em produtos pesqueiros. Um mercado deste tamanho e com este dinamismo merece um monitoramento regular, senão constante, para o acompanhamento e a compreensão de sua evolução.
 

Material e Métodos
 

            Este trabalho fez parte do projeto realizado pelo INFOPESCA e financiado pelo Fundo Comum de Produtos Básicos (CFC) e publicado em Neiva et al.2 Foi realizado com base em informações do AliceWeb disponibilizadas, em base anual e acumulada, de janeiro de 2000 até o mês de dezembro de 2009, a partir de dados obtidos a partir do SISCOMEX3, oriundos do controle de contabilidade e volume de produtos, sistema que administra o comércio exterior brasileiro. A análise do desempenho da balança comercial brasileira é divulgada mensalmente pelo MAPA4 como forma de orientar as avaliações de mercado e as tomadas de decisão de exportadores e importadores.
 

            Estão disponíveis as seguintes informações, tanto para a exportação quanto para a importação: mercadoria e unidade da Federação e país. Os conceitos e definições relativos às variáveis de consulta disponíveis são: exportação (corresponde às mercadorias embarcadas para o exterior, sem retorno previsto); e importação (corresponde à entrada de mercadorias originárias do exterior, sem retorno previsto). As informações são expressas em dólares dos Estados Unidos, na condição de venda FOB (Free on Board), e em quilograma líquido.
 

            Neste estudo levantou-se a importância de produtos importados de pescado em São Paulo. Por avaliar as características de consumo de pescados na região metropolitana, os principais itens de pescados importados são: bacalhau, salmão e os filés de merluza, que estão diariamente na mesa do consumidor e fazem parte do cardápio e dos costumes alimentares do paulistano.
 

            Em 2009, Brasil exportou o valor de US$194.664.006,00 e importou US$675.113.505,00, tendo um déficit de US$480.469.499,00 na balança comercial da cadeia do setor de pescados, cujo recorde na exportação teve o valor de US$427.005.271,00 em 2004.
 

            O pescado é descarregado no porto de Santos, nos entrepostos de atacado, nos supermercados e na CEAGESP da região metropolitana. Apresentamos os dados brasileiros da importação da pesca pelo fato de o mercado paulista representar 49% das importações.
 

            A importação paulista de pescado cresceu ano a ano desde 2000, cujo valor era de US$159.203.862,00, até o ano de 2009, cujo valor foi de US$334.790.134,00. O aumento foi de 110%, e esse fenômeno é explicado pelo aumento da renda da população e das condições econômicas de mercado e taxas cambiais favoráveis ao consumo de pescados importados neste período (Figura 1).
 
 
 

 

Figura 1 - Evolução da Importação e Exportação de Pescado, Estado de São Paulo, 2000 a 2009.
Fonte: Elaborada pelos autores com base em SECEX/MDIC/MAPA/IEA.
 
 

            Destaca-se a importação paulista de bacalhau com 16.879.506 kg, com o valor de US$104.409.849,00, e a brasileira com 35.165.345 kg, com o valor de US$200.600.606,00, sendo o Estado de São Paulo responsável por 52% do mercado deste produto com origem norueguesa (Tabela 1). A importação paulista do salmão foi de 21.750.747 kg, com o valor de US$99.867.640,00, e a brasileira foi de 36.051.256 kg, com o valor de US$156.072.941,00, sendo 64% mercado consumidor deste produto fresco, resfriado, nobre e diferenciado com origem chilena. O filé de merluza, produto que é comercializado congelado, teve importação paulista de 31.394.884 kg, com o valor de US$92.103.877,00, e a brasileira de 66.876.977 kg, com o valor de US$186.494.613,00, responsável por 49% do mercado de consumo, com origem argentina. Os nomes científicos dos peixes comercializados também foram confirmados em FishBase5.
 

            Nas exportações, destaca-se o item "demais peixes" paulistas, com 1.361.448 kg e o valor de US$7.475.119,00, e brasileiro com 17.747.172 kg, com o valor de US$61.972.512,00; portanto; a participação paulista no mercado de exportação foi de 12% neste item.
 

            A exportação brasileira de lagosta teve volume de 2.096.331 kg, com valor de US$51.796.208,00, e sem participação de São Paulo.
 

            A exportação brasileira de camarão teve volume de 6.420.797 kg, com valor de US$29.500.806,00 e com participação de paulista de 0,6%.
 

Tabela 1 - Valor das Importações e Exportações de Pescado, Estado de São Paulo e Brasil, 2009
(continua) 

Fonte: Elaborada pelos autores com base em SECEX/MDIC/MAPA/IEA.
 
 

Tabela 1 - Valor das Importações e Exportações de Pescado, Estado de São Paulo e Brasil, 2009
(conclusão) 

Fonte: Elaborada pelos autores com base em SECEX/MDIC/MAPA/IEA.
 
 

Resultados e Discussões
 

            Este relatório aponta o aumento do consumo total da aglomeração, em toneladas, da ordem de 21,5% nestes últimos 12 anos, unicamente devido ao crescimento populacional da cidade neste período, pois o consumo per capita permaneceu praticamente igual, ou manifestou mesmo uma leve diminuição. A comparação entre os resultados dos relatórios e o presente aponta também diferenças qualitativas importantes, principalmente no âmbito dos canais de distribuição. Os supermercados e hipermercados se consolidaram como importantes pontos de venda varejista, deixando para trás os tradicionais mercados municipais, as peixarias e as feiras livres. Por outro lado, o relatório mostra claramente que o consumo de pescado em São Paulo se realiza em grande parte nos restaurantes. Entre suas diversas categorias, os de coletividades (cantinas), assim como os restaurantes orientais, além dos tradicionais restaurantes generalistas, são os grandes promotores de 58,5% do consumo de pescado na cidade. Para as faixas mais baixas de renda, o bacalhau apresenta preços menores do que para as mais altas. Isto demonstra que existe certa adaptação do preço do produto para atingir uma maior amplitude de faixas de renda, mas sem esquecer que o fator qualidade também está diretamente relacionado ao preço6.
 

            Estas são indicações valiosíssimas para qualquer produtor ou comerciante de pescado que queira vender seus produtos na capital paulista. Este relatório sobre o mercado de pescado da região metropolitana de São Paulo será de muita utilidade, em particular, para os produtores de outras regiões, para que possam organizar suas produções e suas logísticas de transporte e distribuição com um melhor conhecimento das oportunidades oferecidas pelo maior mercado do nosso continente.
 
 

__________________
1MARUYAMA, L. S. A pesca artesanal no médio e baixo Tietê (São Paulo, Brasil): aspectos estruturais, socioeconômicos e de produção pesqueira. São Paulo. 2007. 109 p. Dissertação (Mestrado em Aquicultura e Pesca) - Programa de pós-graduação do Instituto de Pesca, Santos, 2007.

2NEIVA, C. R. P. et al. O mercado de pescado da região metropolitana de São Paulo. Santos: FAO/INFOPESCA, 2010. 86p. (Série: O mercado do pescado nas grandes cidades latino-americanas).

3MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR.Secretaria de Comércio Exterior – MDIC/SECEX Sistema de análise das informações de comércio exterior. Brasília: MDIC/SECEX, 2010. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br>. Acesso em: jan. 2010.

4MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO - MAPA. Brasília: MAPA, 2010. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br/internacional/indicadores-e-estatisticas/balanca-comercial>. Acesso em: jan. 2010.

5FISHBASE. FishBase version (06/2012). Beijing, 2012. Disponível em: <http://www.fishbase.org>. Acesso em: 19 out. 2010.

6SONODA, D. Y. Caracterização do mercado de pescado no Brasil. Revista Aqüicultura & Pesca, São Paulo, ano III, n. 28, p. 40-44, jul./ago. 2007.
 

Palavras-chave: importação, bacalhau, salmão, merluza, volume financeiro (US$), SISCOMEX.

 

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Data de Publicação: 25/06/2012
Autor(es): Maximiliano Miura (miuramax@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Marcos Aureliano Silva Cerqueira (cerqueiramarcos@hotmail.com) Consulte outros textos deste autor
Lídia Sumile Maruyama (lidiamaruyama@gmail.com) Consulte outros textos deste autor