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Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Ano Agrícola 2011/12, 4º Levantamento, Abril de 2012

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            A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), realizou, entre 2 a 23 de abril de 2012, a 4ª previsão e estimativa da safra agrícola para as principais culturas do Estado de São Paulo (Tabela 1).
 

            Os resultados da 4a previsão e estimativa da safra agrícola 2011/12 foram obtidos por meio de levantamento, seguindo método subjetivo2, em todos os municípios (645) do Estado de São Paulo. Para a cultura da laranja, as informações são provenientes da compatibilização de dois levantamentos: método subjetivo e método por amostragem, ambos realizados no campo no mesmo período.
 

            A colheita de grãos nesta safra deve somar 6,9 milhões de toneladas, o que representa acréscimo de 8,0% em relação ao ano anterior, devido aos maiores volumes produzidos principalmente para milho safrinha (51,5%) e amendoim das águas (35,8%) e, em menor escala, para mamona, algodão, soja safrinha e milho. Apresentaram decréscimo em suas produções, principalmente, feijão da seca (30,7%), amendoim da seca (23,2%) e arroz e trigo (21,4%) e, em menor proporção, feijão das águas e de inverno, triticale e soja (Tabela 1).
 

            Para a elaboração dos índices que refletem a evolução da agricultura paulista no ano agrícola 2011/12 em comparação ao de 2010/11, foram selecionadas as atividades agrícolas mais significativas em valor da produção. Os resultados agregados indicam crescimento na produtividade da terra de 2,48%, resultando em 3,27% a mais no volume a ser produzido e em área plantada de 1,89% superior que a da safra passada. Tal fato reforça que a agricultura paulista avança graças à produtividade da terra, garantido safras cada vez maiores, mas com uma expansão menor da área plantada.
 

            O conjunto das culturas anuais apresenta acréscimo na produção (7,46%) e na produtividade da terra (5,13%), por conta especialmente do milho safrinha, com crescimento mais modesto da área plantada (2,21%). Para os grãos, o comportamento é similar. Aumentos são esperados para produção, para produtividade e para área plantada de 6,03%, 4,20 e 1,76%, respectivamente.
 

            Quando são consideradas as culturas perenes e semiperenes, observam-se aumentos menos acentuados que as culturas anuais, registrando 2,62% para a produção, 2,25% para a produtividade da terra e 1,81% para a área plantada (Tabela 2).
 

            A produção obtida para o amendoim, safra das águas, de 279,13 mil toneladas, é 35,8% superior à quantidade apontada na safra passada. Os preços favoráveis no período de plantio e a utilização de áreas de renovação de cana-de-açúcar resultaram, comparativamente a 2010/11, num incremento de 24,3% na área plantada, que se concentra no Centro-Oeste do Estado.
 

            A perspectiva para o algodão é de área menor (4,0%) por conta dos melhores preços do feijão e da soja na mesma região produtora. Muitos produtores perderam a lavoura por causa da falta de chuva na época própria, o veranico atrasou e levou a menor área no Sudoeste, grande região produtora paulista, agravado por preços baixos. Entretanto espera-se uma produtividade 5,6% acima da obtida na safra passada, influenciando o aumento de 1,4% na produção.
 

            Para a cultura do amendoim, a redução da área na safra da seca é uma tendência registrada nos últimos anos. A elevação de 15,0% na produtividade não foi suficiente para reverter a tendência de menor plantio (33,2%) e, em consequência, prevê-se uma produção de 292 mil sacas de 25 kg, 23,2% a menos a ser colhido na safra 2011/12, comparativamente à passada.
 

            É esperada uma produção de 77,83 mil toneladas de arroz (de sequeiro e várzea e irrigado), 21,4% inferior a obtida na safra passada, por conta principalmente de 24,5% a menos na área plantada, apesar de ganhos de 4,0% na produtividade. A baixa cotação do produto obtida pelos rizicultores justifica esse comportamento.
 

            Verificam-se no levantamento atual aumentos de área (26,9%) e de produção (22,9%) de batata da seca, graças à melhoria do padrão tecnológico das variedades plantadas, apesar de uma produtividade 3,1% inferior à da safra passada. Cenário similar está previsto para a safra de inverno que se inicia em abril, com a colheita a partir de agosto: aumentos de área (5,7%), produção (9,4%) e também de produtividade (3,5%).
 

            O plantio de cebola (cultivo de bulbos) para a safra agrícola 2011/12 indica manutenção de área (-0,8%). O volume a ser produzido de 31,18 mil toneladas, 7,2% superior à safra 2010/11, é por conta de ganhos de 8,0% na produtividade. Quanto à cebola de muda, há retração de 8,6% na área plantada e de 4,5% na produção esperada, embora o levantamento indique ganhos na produtividade da terra (4,4%).
 

            A expectativa de redução da área (22,3%) de feijão, da safra da seca, pode ser por conta do atraso da safra das águas, decorrente dos efeitos climáticos provocados pelo fenômeno "La Niña", que também influenciou a menor produtividade (10,8%), provocando uma produção 30,7% menor, relativamente à safra passada. Situação semelhante, porém em menor intensidade, foi verificada no primeiro levantamento de feijão de inverno, com redução da área esperada de 1,2%, da produção de 4,1% e de 3,0% na produtividade da terra.
 

            A área plantada com mandioca destinada à indústria, em 2011/12, apresenta retração de 7,8% e o volume a ser produzido pode ser superior a um milhão de toneladas, 2,6% inferior à produção de 2010/11, agravado pela expectativa de queda de 3,0% na produtividade, por conta das condições climáticas. Já para a mandioca de mesa, são esperados ganhos de área (6,5%), de produtividade (5,2%) e de produção (10,3%).
 

            Com uma boa comercialização em 2011, os produtores de milho de verão (cultura de sequeiro e irrigado) no Estado decidiram por um maior plantio, em relação à safra passada, de 4,8%, totalizando 567,19 mil hectares, com expectativa de colherem 3,4 milhões de toneladas do grão, superior em 4,4%, com praticamente manutenção da produtividade.
 

            Um plantio de milho safrinha com crescimento de 3,5% tende a refletir o quadro favorável de preços em 2011 e o perfil de plantio da soja possivelmente mais precoce a partir de setembro. O fator clima está sendo preponderante, visto que se espera uma produtividade 46,3% superior, influenciando no volume a ser produzido, podendo chegar a 1,2 milhão de toneladas, 51,5% a mais que a obtida na safra passada.
 

            A cultura da soja, no 4º levantamento, indica aumento de área (4,2%), mas a piora de 5,9% no rendimento agrícola poderá resultar em prováveis perdas de produção da ordem de 1,9%.
 

            A área cultivada prevista com tomate envarado (mesa) deve diminuir em 1,9%, relativamente à safra passada, enquanto a produção deverá decrescer 4,6%, consequência da retração de 2,9% na produtividade da terra.
 

            A previsão de safras de abril de 2012 indica que a área cultivada com tomate rasteiro (indústria) deve-se manter similar (+0,5%) a 2010/11, com ganhos esperados para a produção de 5,4% e para a produtividade da terra de 5,0%.
 

            Na cultura do trigo, este levantamento aponta redução de área (32,4%) devido a problemas climáticos, dólar desvalorizado e concorrência com o milho e, embora se espere rendimento agrícola acima do obtido na safra passada (16,3%), prevê-se produção de 103,09 mil toneladas, 21,4% a menos em relação à safra anterior. Os resultados para a cultura do triticale são similares: decréscimos de área (12,0%) e de produção (3,7%) e acréscimo de produtividade agrícola (9,4%), comparativamente à safra passada.
 

            Neste levantamento há indicação de aumento na área da banana (1,4%), mas a expectativa de produtividade menor (2,1%), por conta das condições climáticas, justifica um volume a ser produzido nesta safra, inferior a 1,3%, em comparação com a safra agrícola passada, podendo atingir a marca de 1,2 milhão de toneladas da fruta.
 

            O satisfatório regime de chuvas observado a partir do último trimestre de 2011 e primeiro de 2012, associado ao condizente pacote agronômico utilizado no manejo dos cafezais por parte dos cafeicultores, propiciou excelente recuperação vegetativa das plantas, após o longo período de estiagem ocorrido em 2011. Tal conjunto de condições possibilitou incremento na estimativa de produção no estado de São Paulo, alcançando 5.079,06 mil sacas de café beneficiado, representando alta de 29,6% frente à safra passada, em uma área plantada de 227,63 mil hectares, 2,1% a mais que a plantada anteriormente. A expectativa é de uma produtividade 28,9% superior, chegando a 24,4 sacas beneficiadas por hectare.
 

            A área estimada com plantio de cana-de-açúcar, na atual safra agrícola, apresenta aumento de 2,6% e a previsão de 1,2% a mais na produtividade da terra poderá acarretar um volume superior em 2,0%, no total de cana cortada, comparativamente à safra passada.
 

            A safra paulista de laranja, para a safra agrícola 2011/12 (safra industrial 2012/13) está estimada em 365,25 milhões de caixas de 40,8 kg, volume 5,1% inferior ao obtido na safra anterior, principalmente, por conta de fatores climáticos, como a baixa precipitação na época do pegamento, o que reduziu a quantidade de frutos por planta da primeira florada. Outro motivo bastante significativo é a maior incidência de doenças que vêm acometendo os pomares, como a pinta-preta, o cancro cítrico e o greening, provocados tanto pelos fatores climáticos ocorridos no início de 2012 - que contribuíram para uma maior incidência desses agentes fitopatogêncios -, como pela falta de investimento nos tratos culturais. Destas, 352,50 milhões de caixas de 40,8 kg, ou seja, 96%, são consideradas frutas comerciais (as demais são frutos provenientes de pomares não expressivos economicamente e perdas relativas ao processo produtivo e à colheita). A área total plantada está sendo prevista em 574,16 mil hectares (0,8% superior que a plantada na safra passada), sendo 526,57 mil hectares de pomares em produção. A expectativa dos produtores comerciais para essa safra quanto à produtividade média por hectare é de 670 caixas de 40,8 kg por hectare (Tabelas 1, 3 e 4).
 

            Os resultados deste levantamento, disponibilizados por Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR), encontram-se na tabela 4 e por Região Administrativa (RA), na tabela 5.
 

            O 5º levantamento das safras agrícolas do Estado de São Paulo, a ser realizado em junho, deverá trazer informações mais precisas sobre produções e produtividades, para o ano agrícola 2011/12, por conta das condições climáticas atípicas à época do ano, as quais o Estado de São Paulo enfrentou.

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1Os autores agradecem os comentários dos colegas pesquisadores do IEA. Também agradecem aos técnicos das Casas de Agricultura o desempenho no levantamento.

2Entende-se por método subjetivo a informação dada pelo técnico da Casa de Agricultura, em função de seu conhecimento regional e/ou da coleta do dado de forma declaratória, fornecida pelo responsável da unidade de produção.
 

Palavras-chave: previsão de safra, 4º levantamento, Estado de São Paulo

 

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Data de Publicação: 26/06/2012
Autor(es): Denise Viani Caser (caser@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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