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Deflação no Campo Paulista: Índice de Preços Recebidos pela agropecuária paulista inicia 2017 em queda e encerra um ano de comportamento atípico

O Índice de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 (que mede a variação dos preços recebidos pelos produtores paulistas) registrou queda de 2,49% no mês de janeiro de 2017 na comparação com o mês anterior, puxado pelo IqPR-V (grupo de produtos de origem vegetal), que recuou 1,81%, e principalmente pelo IqPR-A (produtos de origem animal), que terminou o primeiro mês do ano com redução de 4,00%. Na tabela 1 são apresentadas as variações do final de dezembro/2016 e das quatro quadrissemanas de janeiro/2017 para os índices com cana e sem cana (Tabela 1). 

 



Quando a cana-de-açúcar (que em dezembro teve alta na tonelada no campo de 0,50%, conforme tabela 2) é excluída do cálculo do índice na ponderação dos produtos, o IqPR (geral sem cana) registra uma queda mais robusta de 4,93%, 2,44 pontos percentuais acima do IqPR com cana (Tabela 1).

Os produtos do IqPR que apresentaram as maiores elevações nas cotações do mês de janeiro/2017 em relação a dezembro/2016 foram, pela ordem: laranja para mesa (9,36%), laranja para indústria (8,66%) e leite cru resfriado (4,89%) (Tabela 2).

 


A alta da laranja tanto para mesa (9,36%) quanto para indústria (8,66%), em janeiro/2017 em relação a dezembro/2016, pode ser remetida ao fato de que a atual safra do produto é uma das menores da história. A estimativa final da safra 2015/16 realizado pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo (ANGELO, 2017)3 apontou produção de 260 milhões de cx. 40,8 kg, 11,8% menor do que a safra anterior, o que levou a escassez da oferta da fruta tanto para a moagem quanto para o mercado in natura. Fato ainda importante é que a demanda pela fruta in natura nos meses de verão é maior, o que também explica o aumento da laranja para mesa.

A elevação de 4,89% dos preços do leite, em época de safra, pode ser explicada por dois fatores. Primeiramente, houve influência da queda de produção na região Sul devido à alta das precipitações em dezembro, o que reduziu o ritmo de crescimento da oferta de leite no país. Outro fator, segundo fontes da indústria, foi a melhora na qualidade do leite, o que levou algumas empresas a pagar valores mais altos aos produtores do Estado de São Paulo, tendo como resultado um preço médio mais elevado que o mês de dezembro.

Já os principais produtos que apresentaram quedas de preços no mês de janeiro/2017 foram: batata (37,74%), feijão (24,08%) e tomate para mesa (20,67%) (Tabela 2).

Após dezembro, no qual o mercado é mais intenso, culturas como batata, tomate de mesa e hortaliças em geral de verão estão em plena produção em janeiro. Numa realidade em que a demanda se acomoda, os preços nesse princípio de ano se reduzem.

A queda acentuada verificada nos preços recebidos pelos produtores paulistas de feijão no mês de janeiro em relação a dezembro de 2016 decorre principalmente da expressiva expansão da oferta verificada nos principais estados produtores do país, em resposta aos elevados níveis de preços em 2016, notadamente no período de maio a outubro.  O 5º levantamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) revela um aumento de 37% na produção nacional de feijão das águas safra 2016/17, relativamente à do ano anterior. Em São Paulo, o Instituto de Economia Agrícola estima expansão de 27% na área cultivada e uma elevação de 10% na produtividade com consequente aumento de 40% na produção paulista de feijão das águas safra 2016/17.

Em resumo, no mês de janeiro, 7 produtos apresentaram alta de preços (5 de origem vegetal e 2 de animal) e 11 apresentaram queda (8 vegetais e 3 de origem animal). Entre novembro de 2016 e janeiro de 2017 não foram apresentadas cotações do produto amendoim.

 

ACUMULADO DOS ÚLTIMOS 12 MESES

No acumulado dos últimos 12 meses (janeiro/2016 a janeiro/2017), o IqPR (geral) registrou alta de 16,80%, devido à forte valorização do IqPR-V (vegetal), que subiu 21,78%. Já o IpPR-A (animal) apresentou menor aceleração, 4,09% no período (Tabela 1 e Figura 1). 


                    


Na figura 1, observam-se as variações acumuladas mensalmente (base 100 = janeiro/2016) dos três índices (IqPR, IqPR-V e IqPR-A). De um modo geral, IqPR, e IqPR-V apresentam praticamente o mesmo comportamento com crescimentos de janeiro até o mês de março/2016, reflexo da desvalorização do real frente ao dólar. Para o mês de abril/2016, nota-se certa estabilidade no IqPR, que volta a subir nos meses de maio e junho/2016, puxados pelos produtos vegetais e pela recuperação dos produtos de origem animal (carnes, ovos e leite), que se estende até agosto de 2016.

No período de setembro a novembro/2016, IqPR-V e IqPR-A apresentaram comportamentos distintos: puxados principalmente pela cana-de-açúcar (que teve seus preços aumentados 11,56% no segundo semestre) e das altas nas laranjas (indústria e mesa), o índice geral (IqPR) acompanhou de perto o movimento apresentado pelo indicador dos produtos vegetais; enquanto isso, no mesmo período, o índice de origem animal (IqPR-A) apresentou desaceleração com as quedas nos preços do leite, ovos e das carnes de frango e bovina. Já em dezembro/2016, nota-se ligeira queda no IpPR, que fica mais acentuada em janeiro/2017, com a demanda encurtada no período pós-festas, e visualizam-se recuos em todos os indicadores, por conta das quedas das cotações de banana, batata, feijão, tomate e grãos (milho e soja) do grupo de produtos vegetais, e de ovos e carnes (suína e frango) do grupo de origem animal.

Reforçando a análise da comparação dos preços de janeiro/2016 em relação a janeiro/2017, os resultados das variações mostram que sete produtos recuaram em suas cotações: batata (-78,11%), tomate para mesa (-65,47%), feijão (-40,07%), trigo (-15,70%), milho (-11,06%), soja (-4,44%) e carne de frango (-4,07%). Sendo assim, a maior parte dos produtos apresentou altas significativas, acima do Índice de Preços Pagos pelos Produtores (IPP)4 em 2016 (4,42%). No grupo de origem animal, apresentaram as maiores elevações leite cru resfriado (21,96%) e carne suína (10,25%). No grupo de produtos vegetais, os maiores percentuais foram para banana nanica (129,12%), laranja para mesa (109,68%), laranja para indústria (99,94%), arroz (25,15%), cana-de-açúcar (23,62%), algodão (14,79%) e café (7,24%). Abaixo da inflação anual, destacou-se o reajuste com menor expressão dos preços da carne bovina (0,09%) (Tabela 2).

 

 

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1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 01/01/2017 a 31/01/2017 e base = 01/12/2016 a 31/12/2016.

2Artigo completo com a metodologia. PINATTI, E. et al. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v. 38, n. 9, p. 22-34, set. 2008. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573>. Acesso em: fev. 2017.

 

3Artigo completo: ANGELO, J. A. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do estado de São Paulo, 2° Levantamento, ano agrícola 2016/17 e levantamento final, ano agrícola 2015/16, novembro de 2016. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 12, n. 2, p.1-12, fev. 2017. Disponível em: <http://www.
iea.sp.gov.br/ftpiea/AIA/AIA-06-2017.pdf>.
Acesso em: fev. 2017.

 

4O Índice de Preços Pagos pelos Produtores (IPP) consiste em uma medida de caráter geral das variações nos preços dos insumos e serviços comprados pelos agricultores. Ele é composto por produtos de natureza industrial (como adubos, defensivos, vacinas, medicamentos, combustíveis, lubrificantes e outros), produtos de natureza agrícola (como sementes, mudas e adubos vegetais e animais), máquinas e equipamentos.

 

Palavras-chave: IqPR, índice, preços recebidos, índices agrícolas, variações, indicadores.


 

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Data de Publicação: 20/02/2017
Autor(es): Danton Leonel de Camargo Bini (danton@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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