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Amendoim: exportações do grão em alta e do óleo em queda

Em 2016, as exportações do agronegócio paulista cresceram 12,8% em relação ao ano de 2015, somando US$17,92 bilhões que contribuíram para o aumento de 23,4% no saldo comercial do setor1. Estes resultados são construídos a partir das exportações provenientes de várias atividades desenvolvidas pela agricultura paulista originária de distintas mercadorias. Neste universo, marcado pelo complexo sucroalcooleiro, carnes e sucos estão também as principais mercadorias da cadeia de produção do amendoim que, embora representem pouco menos de 1% das exportações do agronegócio paulista, tem no Estado de São Paulo, praticamente, a totalidade da produção e da comercialização brasileira de amendoim.

A dinâmica de produção e exportação das mercadorias com origem no amendoim mostra-se em expansão. Em 2016, as exportações brasileiras de amendoim em grão somaram 106 mil toneladas, 9% superior aos volumes registrados em 2015. Quando observados valores, são computados US$120 milhões, total 7% superior ao alcançado no ano anterior. A relação entre volumes e valores mostra que as cotações para a exportação do amendoim em grão apresentam queda nos valores praticados, especialmente quando observados os anos de 2012 e 2013, quando foram exportadas, em média anual, 71 mil toneladas para US$112 milhões (Figura 1).

O cenário de queda nos valores se constrói por meio da interação de elementos relacionados ao mercado consumidor de nozes e castanhas, da relação oferta, demanda, preço e qualidade, assim como das características culturais e dos padrões de consumo presentes nos principais países importadores do amendoim em grão brasileiro.

Os países europeus estão entre os principais destinos, porém, observam-se mudanças. Dentre esses países, a Holanda e seu entreposto comercial, no período de 2012 a 2014, representava mais de 30% das exportações do amendoim em grão; nos últimos dois anos, 2015 e 2016, foi o destino de pouco mais de 15% do total exportado. Do outro lado, está a Rússia, que em 2016 representou 29% das exportações brasileiras de amendoim em grão, bem acima dos 12% registrados em 2012 (Figura 2).

 

Nesse universo das exportações do amendoim em grão, outro país relevante é a Argélia, que no período de 2012 a 2016 foi o destino, em média, de 18% do total anual exportado. Da mesma forma, cabe destacar a diversificação de destinos do produto, especialmente nos anos 2015 e 2016 (Figura 2). Nesse movimento estão as exportações para países como Vietnã e África do Sul.

Para o óleo bruto de amendoim, o ano de 2016 registrou queda de 22% nos volumes exportados e de 15% quando considerados os valores. O resultado de retração, contrário ao comentado acima para o amendoim em grão, traz na sua dinâmica uma melhor relação entre valores e volumes quando comparados os totais alcançados em 2014 e 2015, distantes, porém, do período de cotações mais favoráveis vivenciadas nos anos de 2013 e 2014, impulsionadas pela demanda em contraponto a retração de oferta. Em 2013, foram exportadas 63 mil toneladas e US$101 milhões e, em 2016, esses totais somaram 45 mil toneladas e US$62 milhões (Figura 3).

 

As exportações brasileiras de óleo bruto de amendoim têm como destino atender às demandas das iguarias da culinária de dois países: China e Itália (Figura 4). Nos últimos três anos, 2014, 2015 e 2016, a China, um dos principais produtores mundiais de amendoim2, consumiu em torno de 3 milhões de toneladas de óleo de amendoim ao ano, das quais, em média, 130 mil toneladas são importadas anualmente3. Desse total, em 2016, o Brasil respondeu por 19%, sendo que a China foi o destino de 56% das exportações brasileiras do óleo.

Na Itália, o óleo de amendoim é parte da produção de Le chiacchiere e de outras preparações da sua culinária. No período de 2012 a 2016, o Brasil exportou mais de 130 mil toneladas de óleo de amendoim para a Itália, sendo destaque o ano de 2013, com 33 mil toneladas. Nos dois últimos anos, porém, observa-se retração nas exportações para este país, alcançando em 2016 pouco mais de 13 mil toneladas.

O cenário visitado indica a expansão das exportações de amendoim em grão pautadas em condições que colocam o aumento do número de países importadores e a retração dos valores das cotações praticadas. Para o óleo de amendoim, os destinos já estabelecidos, China e Itália, são mantidos e acompanhados da redução das exportações. A manutenção e a ampliação do espaço brasileiro nesses mercados tem relação com a evolução da produção paulista de amendoim, dos processos e práticas de garantia da qualidade e de atendimentos das exigências e critérios de exportação dessa mercadorias, assim como de ações como a assinatura do protocolo de intenções para o controle de aflatoxinas firmado entre a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Câmara Setorial do Amendoim, e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

 

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1VICENTE, J. R. Balança comercial dos agronegócios paulista e brasileiro no ano de 2016. Análise e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 12, n. 1, 9 p., jan. 2017. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/ftpiea/AIA/AIA-04-2017.pdf>. Acesso em: 3 mar. 2017.

 

2SAMPAIO, R. M. Tecnologia e inovação: evolução e demandas da produção paulista de amendoim. Informações Econômicas, São Paulo, v. 46, n. 4, p. 27-42, jul./ago. 2016. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/ftpiea/IE/2016/tec3-0816.pdf>. Acesso em: mar. 2017.

 

3UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE - USDA. Foreign Agricultural Service. Washington: USDA. Disponível em: <https://apps.fas.usda.gov/psdonline/app/index.html#/app/advQuery>. Acesso em: 8 mar. 2017.

 

4PRENDES, P. Protocolo proposto pela câmara setorial desburocratiza processo de exportação do amendoim. São Paulo: SAA, fev. 2017. (Assessoria de Comunicação). Disponível em: <http://www.agricultura.sp.gov.br/noticias/protocolo-proposto-pela-camara-setorial-desburocratiza-processo-de-exportacao-do-amendoim/>. Acesso em: 8 mar. 2017. 

 

Palavras-chave: Estado de São Paulo, oleaginosas, comércio exterior.


 

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Data de Publicação: 20/03/2017
Autor(es): Renata Martins (renata@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor