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IqPR de Maio de 2017: queda de 2,13%

O Índice de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1, 2, que mede a variação dos preços recebidos pelos produtores paulistas, registrou queda de 2,13% no mês de maio/2017 na comparação com abril/2017. O IqPR-V (grupo de produtos de origem vegetal) recuou 3,37%, e o IqPR-A (produtos de origem animal) terminou o período com variação positiva de 0,62% (Tabela 1). Na tabela 1 são apresentadas as variações do final de abril/2017 e das quatro quadrissemanas de maio/2017 para os índices calculados “com cana-de-açúcar” e “sem cana-de-açúcar”.

 

 

Quando a cana-de-açúcar (que em maio teve leve queda na tonelada no campo de 0,03%) é excluída do cálculo do índice na ponderação dos produtos, o IqPR (geral sem cana) registra queda de 3,85%, ou seja, 1,72 ponto percentual abaixo do IqPR com cana (Tabela 1). O recuo dos preços de cana-de-açúcar no mês em questão está relacionado com a qualidade da matéria-prima, que ainda apresenta menor quantidade de açúcar total recuperável (ATR) por tonelada, em função do início da safra e das chuvas ocorridas no período que dificultaram a colheita. O IqPR-V sem cana variou negativamente em 9,61%, ou seja, 6,24 ponto percentual abaixo do IqPR-V com cana (Tabela 1).

Os produtos do IqPR que apresentaram as maiores elevações nas cotações do mês de maio/2017 em relação a abril/2017 foram, pela ordem: feijão (21,32%), soja (6,48%), amendoim (4,01%) e leite (3,57%) (Tabela 2).

 

 

Para o feijão, no período analisado, as cotações continuam em alta em função predominante da baixa oferta advinda do Estado do Paraná (principal produtor nacional que abastece o mercado paulista e influencia nele os preços praticados), que teve as colheitas prejudicas pelas chuvas. Apesar disso, as cotações da leguminosa estão 12,24% mais baixas que em maio de 2016.

Para soja, no transcorrer do mês de maio de 2017, o preço médio recebido pelo produtor de soja alcançou R$59,31/sc. 60 kg, patamar 6,48% superior em relação ao praticado no mês anterior. A demanda firme configurada pelas indústrias de processamento para produção de óleo e farelo, assim como pelas exportações do grão, justifica o comportamento nos preços da oleaginosa.

         Já os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços no período foram: banana nanica (-37,48%), tomate para mesa (-34,24%), laranja para mesa (-24,95%) e laranja para indústria (-18,48%) (Tabela 2).

Para a banana nanica, a menor demanda por parte do consumidor e a boa oferta da fruta determinaram as quedas das cotações no período. Vale ressaltar que os consumidores têm considerado o preço elevado para o produto (mesmo com a queda no último mês, ainda apresenta-se 27,37% acima do valor praticado no mesmo período do ano passado).

No caso do tomate para mesa, observou-se boa oferta do fruto e demanda tímida, acentuada pela baixa qualidade do produto. Em relação às cotações, verificaram-se diferenças substanciais dependendo da região produtora. As regiões de Campinas e Itapetininga apresentaram queda em torno de 50% (na média) no período analisado, tendo a qualidade influenciada primordialmente tal comportamento; já em Itapeva e Mogi Mirim, os valores ficaram praticamente estáveis.

Em resumo, dos 18 produtos analisados no mês de fevereiro, 9 produtos apresentaram alta de preços (6 de origem vegetal e 3 de animal), 9 apresentaram queda (8 vegetais e 1 de origem animal) e um não apresentou variação (origem animal: carne de frango).

 

- ACUMULADO DOS ÚLTIMOS 12 MESES

No período de maio/2016 a maio/2017, o IqPR apresentou a maior alta no mês de junho e a maior queda em janeiro, mesmo comportamento para o IqPR-A. O IqPR-V teve o maior aumento no mês de março/2017 e maior baixa no mês de maio/2017 (Figura 1).

O IqPR apresentou variações positivas nos meses de maio a junho/2016, de agosto a novembro/2016, e fevereiro a março/2016, além de variações negativas em julho/2016, outubro/2016, dezembro/2016, janeiro/2017, abril/2017 e maio/2017 (Figura 1).

No acumulado dos últimos 12 meses (maio/2016 a maio/2017), o IqPR (geral) apresenta alta de 9,45%, por conta principalmente da valorização do IqPR-V (vegetal) que subiu 12,93%; o IpPR-A (animal) apresentou variação positiva menor de 1,43% no período (Tabela 1 e Figura 2).


 

Reforçando essa análise, apresenta-se a comparação dos preços de maio/2016 em relação a maio/2017. Ao relacionar os resultados das variações, mostra-se que oito produtos recuaram em suas cotações: batata (-55,91%), milho (-48,32%), soja (-18,98%), amendoim (-16,65%), feijão (-12,24%), trigo (-10,05%), carne bovina (-8,93%), laranja para indústria (-5,14%) e café (-4,66%). Apresentam variações positivas, no grupo de origem animal: carne suína (27,40%), leite cru refrigerado (18,79%) e ovos (17,31%). No grupo de produtos vegetais, os percentuais acumulados aconteceram com os produtos, na seguinte ordem: banana nanica (27,37%), cana-de-açúcar (19,82%), laranja para mesa (16,99%), arroz (5,71%), algodão (3,65%) e tomate para mesa (2,47%). Destaca-se a carne de frango, que não apresentou variação no acumulado de 12 meses (Tabela 2).



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1A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 01/05/2017 a 31/05/2017 e base = 01/04/2017 a 30/04/2017.

2Artigo completo com a metodologia: PINATTI, E. et al. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v. 38, n. 9, p. 22-34, set. 2008. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573>. Acesso em: jul. 2017.

 

 

Palavras-chave: IqPR, índice, preços recebidos, índices agrícolas, variações, indicadores.


 

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Data de Publicação: 07/07/2017
Autor(es): Danton Leonel de Camargo Bini (danton@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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