Amendoim: exportações do grão em expansão

 

A cultura do amendoim, importante na atividade agroindustrial de regiões da Alta Paulista e da Alta Mogiana, tem experimentado conquistas e desafios da sua recente expansão, que coloca o Estado de São Paulo como responsável por mais de 90% da produção nacional. No período de 2007 a 2017 a produção paulista de amendoim cresceu em média 12% ao ano1. Esse crescimento é permeado por retração de safra como as dos anos de 2010 e 2014 e por outras que indicam crescimento como as registradas nos últimos anos (Figura 1). Os ganhos na produtividade média também contribuíram de forma considerável para os resultados alcançados: em 2007 foi registrada a média de 2,4 t/ha e no último ano 3,7 t/ha2.

O avanço da produção é impulsionado pela demanda do mercado externo que tem como destino entre 60% e 70% do total de amendoim produzido. Essa ampliação acompanha o comportamento das exportações do agronegócio paulista que, em 2017 comparado a 2016, registrou alta de 5%, totalizando US$18,84 bilhões, que corresponde a 37% do total das exportações de mercadorias realizadas pelo Estado de São Paulo. Nesse universo, pautado pelo complexo sucroalcooleiro, que representou 43% das exportações do agronegócio paulista de 2017, a mercadorias relacionadas à produção de amendoim, o amendoim descascado e o óleo de amendoim em bruto atingiram em torno de 1% daquele total3.

Para o amendoim descascado, as exportações realizadas a partir de 2014 apresentaram comportamento de alta, tanto para volumes quanto para valores. Nos anos de 2015 e 2016 foram exportadas, respectivamente, 97 mil toneladas e 106 mil toneladas, revelando alta de 9%. Porém, ao se observar os valores exportados, a mesma comparação indica aumento de apenas 7% e, assim, cotações abaixo das registradas em 2015 (Figura 2).

 

Em 2017 as cotações retomam condições mais favoráveis e os valores exportados registram aumento de 61% em relação ao ano de 2016. Por outro lado, ao se considerar os volumes exportados verifica-se aumento de 45%; realidade composta pelos resultados alcançados na safra paulista 2016/17, quando foram produzidas 461 mil toneladas de amendoim em casca, 15% a mais que a produção registrada na safra anterior (Figura 1).

As exportações de amendoim descascado do ano de 2017 mantiveram tendência formada nos últimos três anos e ficaram concentradas em sete países que, juntos, representaram 86% do total das exportações4. Desse conjunto, três países se destacaram: Argélia, Holanda e Rússia. Ao se considerar as informações referentes a esses países, destino de 65% das exportações, é possível observar que a Holanda, entreposto comercial europeu, ofereceu a melhor relação preço/quantidade em um mercado caracterizado pela demanda por qualidade e destino de 18% do total exportado (Figura 3). Cabe destacar a importação em condições semelhantes de outros países membros da União Europeia, bloco econômico que representou 32% das exportações brasileiras de amendoim descascado.

Em 2017, a Rússia, o principal importador do amendoim brasileiro, respondeu por 33% do total, com negociações próximas, porém inferiores, aos valores registrados para a Holanda. Já a Argélia, destino de 14% dos volumes exportados, registrou apenas 13% do montante em valores, condicionado por cotações inferiores vinculadas à qualidade do produto demando por esse país (Figura 3).

 

Conforme pode ser observado na figura 4, em 2017, as exportações de óleo de amendoim bruto registraram retração de 16% na quantidade, acompanhando o comportamento de 2016. A retração também é verificada no total em valores exportados, em torno de 22%, e quando comparados os resultados com o ano de 2016, observa-se o recuo no valor por tonelada exportada.

Diferentemente das exportações de amendoim em grão, o óleo de amendoim tem espaço mais restrito na pauta de importações dos países e seu consumo está relacionado às características e particularidades culinárias das regiões e nações. Dessa forma, o destino das exportações brasileiras vem sendo dominado por dois países, Itália e China. Em 2017 a Itália representou 60% das exportações, 16% a mais que os volumes registrados em 2016. Por outro lado, em comparação a 2016, a China, destino de 38% das exportações de óleo de amendoim em 2017, reduziu em 42% suas importações do produto brasileiro; comportamento influenciado pela produção e pelo consumo doméstico chineses, o principal produtor e consumidor mundial de amendoim e seus derivados.

O desempenho das exportações, especialmente do amendoim descascado, a principal mercadoria da cadeia de produção, está diretamente relacionado ao comportamento da produção agrícola, não só por conta do comportamento das lavouras e dos volumes produzidos com reflexos no aumento das safras, mas também na qualidade e padrões alcançados propiciando acesso aos mercados de melhor remuneração. Para a safra 2017/18, em andamento, as previsões do Instituto de Economia Agrícola (IEA), realizadas em parceria com a Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI)5, indicam aumento na área plantada e na produção, estimada em 482 mil toneladas, 6% superior que a safra anterior.

 

 

 

1Cálculos elaborados pela autora com base nas estatísticas de produção do: INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Banco de dados. São Paulo: IEA. Disponível em: <http://ciagri.iea.sp.gov.br/nia1/subjetiva.aspx?
cod_sis=1&idioma=1>. Acesso em: fev. 2018.

 

2Op. cit. nota 1.

 

3OLIVEIRA, M. D. M.; ANGELO, J. A.; VICENTE, J. R. Balança comercial dos agronegócios paulista e brasileiro no ano de 2017. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 13, n. 1, p, 1-12, jan. 2018. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/ftpiea/AIA/AIA-03-2018.pdf>. Acesso em: fev. 2018.

 

4SAMPAIO, R. M. Amendoim: exportações do grão em alta e do óleo em queda. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 12, n. 3, p. 1-4, mar. 2017. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/
ftpiea/AIA/AIA-11-2017.pdf>. Acesso em: fev. 2018.

 

5MARTINS, V. A. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do Estado de São Paulo, 2º levantamento, ano agrícola 2017/18 e levantamento final, ano agrícola 2016/17, novembro de 2017. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 13, n. 2, p. 1-13, fev. 2018. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.
br/ftpiea/AIA/AIA-06-2018.pdf>. Acesso em: fev. 2018.
 

Palavras-chave: amendoim descascado, óleo de amendoim, safra, produção, comércio exterior.

 

Data de Publicação: 05/03/2018

Autor(es): Renata Martins (renata@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor