Dispêndio Familiar Inicia Ano em Alta no Município de São Paulo


 

O Índice de Preços da Cesta de Mercado Total2 (IPCMT), calculado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), apurou em janeiro de 2019 um acréscimo de 1,97% no dispêndio das famílias paulistanas para aquisição de produtos alimentícios. Esse valor está aderente ao valor de alta da inflação nacional, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) que, em janeiro, variou positivamente 0,32%3.

Segundo o levantamento do IEA, o grupo de alimentos de origem vegetal apresentou a maior oscilação positiva (+2,67%) (Figura 1).

As hortaliças foram responsáveis pela maior alta na cesta de mercado por agrupamento com índice de 3,70%, sendo que a cenoura apresentou a maior variação individual (19,11%). O preço médio da alface foi reajustado em 11,76%, enquanto o do tomate apresentou queda de 16,99%. Nesse período do ano, quando predominam altas temperaturas e fortes chuvas, as hortaliças têm sua qualidade e quantidade ofertadas comprometidas, o que afeta diretamente nos preços praticados. Em relação ao preço médio de tomate, é importante ressaltar os expressivos aumentos que ocorreram no último trimestre de 2018. Entretanto, a atual redução decorre do aumento de oferta do produto no mercado.

A tendência de consumo das famílias nesse período do ano devido às altas temperaturas é por uma alimentação baseada em frutas, legumes e verduras (FLV) e esse aumento de demanda tem reflexo direto nos preços deste agrupamento.

Para as frutas, o índice foi de +2,71%, que teve como responsáveis tanto a alta demanda por produtos mais saudáveis quanto a baixa oferta. O abacaxi foi a fruta com maior variação (+16,65%), enquanto as uvas comuns (niagara e rosada) apresentaram queda nos seus preços médios (-12,74%). Essa variedade de uva tem sua principal safra em janeiro e, por ser uma fruta de consumo típico das festas de final de ano das famílias paulistanas, tem sua maior cotação, historicamente, no mês de dezembro, sendo natural que haja uma baixa representativa no primeiro mês do ano.

Quanto aos produtos básicos da cesta de mercado do consumidor paulistano, o índice foi de +2,44%. O feijão é um dos produtos mais consumidos pelas famílias, sendo o responsável pela segunda maior variação individual da cesta de mercado (+17,99%). Em contraponto, o arroz, outro item fundamental da cesta, apresentou queda de preços
(-2,57%), não tão representativo quanto o feijão.

O Índice de Preços da Cesta de Mercado de Produtos de Origem Animal (IPCMA), índice que mede a variação de preços do grupo de origem animal, variou positivamente em 1,28% (Figura 1).

Os preços médios dos produtos derivados das carnes processadas apresentaram forte variação neste mês (+2,02%). A redução de preços foi observada em poucos itens deste grupo, destacando-se os cortes suínos, como o pernil, com queda de 5,90% nos preços médios.

Os ovos apresentaram índice negativo de 7,80%, o que, segundo analistas, indica que os preços do produto que vinham sofrendo alta ao longo de 2018, devido à maior demanda, agora se encontram em período de menor procura em virtude das férias escolares. Já o grupo de leites e derivados apresentou índice positivo de 0,86%, sendo o iogurte responsável pela maior alta (5,21%).

 

COMO INTERPRETAR A FIGURA 1

Na figura estão dispostos os seguintes resultados:

1)    Índice total, que equivale ao Índice de Preços da Cesta de Mercado Total (IPCMT),

divulgado mensalmente pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), é obtido pelo cálculo de variação de preços no mês atual em relação ao anterior, ponderados pela sua importância na cesta de mercado das famílias paulistanas;

2) Índice por grupos, que equivale ao IPCMA para os produtos de origem animal, e ao Índice de Preços da Cesta de Mercado de Produtos de Origem Vegetal (IPCMV) para os produtos de origem vegetal. É calculado de forma análoga ao índice total; a diferença é que é composta por produtos conforme a origem, animal ou vegetal;

3) Indicadores por subgrupos, que são calculados seguindo a mesma regra dos anteriores. O objetivo é indicar a contribuição do subgrupo na formação dos índices por grupos e total; e

4) Variação por produtos, cujo objetivo é mostrar quais produtos tiveram maior influência na formação do índice no mês.

 

1Um bom trabalho de acompanhamento de preços necessita de uma correta coleta de preços no campo e, por isso, o autor reconhece o fundamental trabalho realizado pelos técnicos Andréia Brazão, Cristina Almeida Paes e Valdecir Luchiari na coleta diária de preços em centenas de equipamentos varejistas. Também agradece o apoio na consolidação dos dados do assessor técnico Daniel Kiyoyudi Komesu.

 

2Entende-se por cesta de mercado, um conjunto fixo de produtos e quantidades adquiridas mensalmente por famílias paulistanas de tamanho médio.

 

3INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Índice de preços ao consumidor amplo (IPCA). Rio de Janeiro: IBGE, 2019. Disponível em: <https://ww2.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/
inpc_ipca/defaultinpc.shtm>. Acesso em: fev. 2019.

 

 

Palavras-chave: preços, índices, cesta de mercado, São Paulo.

 

Data de Publicação: 27/02/2019

Autor(es): Vagner Azarias Martins (vagneram@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Priscilla Rocha Silva Fagundes (priscilla@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor