voltar s






Estimativa Preliminar Safra de Laranja no Estado de São Paulo, Ano Safra 2011/12

 

 

1 - Introdução
 

            O resultado da estimativa de safra de laranja, no Estado de São Paulo é produto de parceria entre a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo (SAA) – Instituto de Economia Agrícola (IEA) e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), e a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), pertencente ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
 

            A metodologia de levantamento das informações baseou-se em desenho de amostra probabilística estratificada segundo CAMARGO & FRANCISCO (2011), porém com as seguintes alterações:
 
 

a) A distribuição do número de elementos nos estratos aleatórios foi alterada (Anexo 1); e
 

b) O sorteio foi realizado no sistema de referência constituído pelo Projeto LUPA atualizado sistematicamente de forma não probabilística para o ano civil 2011 (SÃO PAULO, 2011).

            Desta forma a amostra resultou em 608 elementos distribuídos no Estado de São Paulo (Anexo 2).
 

            As informações colhidas têm por referencia o período da safra 2011/12 e o período de coleta dos dados ocorreu entre março e abril de 2011, mediante aplicação de questionário estruturado junto ao responsável pela unidade de produção agrícola.
 
 

2 - Resultados do Levantamento
 

- Estimativas
 
 

Tabela 1 – Estimativas Preliminares da Safra de Laranja, Ano Safra 2011/12, Estado de São Paulo, Março de 2011
 

1Inclui produção de pomares não expressivos economicamente e perdas relativas ao processo produtivo e à colheita

Fonte: CONAB/CATI/IEA.







3 - Resultados e Discussão
 

            O volume a produzir no ano safra 2011/12 de laranja, no Estado de São Paulo, tende a ser maior que a do ano safra de 2010/11, pois os adventos climáticos acontecidos durante a safra passada marcou como ano atípico para a citricultura, com quebra de safra. Portanto, qualquer comparação entre as duas safras pode levar a ilação de que a safra 2011/12 terá produção muito maior, quando na verdade a citricultura paulista está apenas retornando a normalidade (Figura 1).
 
 

Figura 1 - Evolução do Volume Produzido de Laranja, Estado de São Paulo, 1983-2010
 

Fonte: IEA/CATI/SAA e CONAB/IEA/CATI/SAA


 

            Deste modo, para o ano safra 2011/12 estima-se produção comercial de 355,0 milhões de caixas de 40,8 kg de laranja, para o Estado de São Paulo e 14,2 milhões de caixas de 40,8 kg não expressivas economicamente e perdas2. Espera-se, também, que o destino da produção comercial se distribuirá da forma: 85% destinado às indústrias processadoras de suco e 15% terão como direção o mercado in natura, percentuais semelhantes aos obtidos na safra passada. Portanto, estimam-se 303,0 milhões de caixas de 40,8 kg para processamento industrial e 52,0 milhões de caixas para mercado in natura (Tabela 1).
 

            Em levantamento anterior estimou-se, quanto ao percentual de volume por variedade, que cerca de 90% da produção é composta pelas variedades Valencia, Pera, Hamlin e Natal.
 

            As influências climáticas ocorridas em 2010 foram excelentes, o longo período de estiagem que prejudicou a safra passada foi fundamental para estressar a planta e induzir a excelente florada. A chuva veio na hora certa, o que foi fundamental para o 'pegamento' dos frutos e continuou em quantidade adequada para que os chumbinhos pudessem se desenvolver. Tais influências também favoreceram as condições para os tratos fitossanitários dos pomares citrícolas. Assim sendo são aguardadas, para a presente safra, produtividades de 1,9 cx. 40,8 kg por planta (o que corresponde a 671,6 cx. 40,8 kg por hectare), 8,6% superior à obtida na safra passada que foi de 1,75 cx. 40,8 kg por planta (Tabela 1).
 

            O levantamento aponta para áreas de erradicação do pomar, que em visitas técnicas observou-se a principal causa a presença de HLB (greening), o que aumenta o custo de manutenção do pomar e aliado à descapitalização do citricultor, faz com que diversifiquem a atividade, mantendo parte do pomar, ou abandonem a cultura. Dos pomares totalmente erradicados, isto é, não há mais cultivo de laranja dentro da unidade de produção agropecuária 69% delas ocorreram em unidades menores, com pomares de até 48 ha, 17% em unidades com pomares de 48 a 120 ha; 8% em unidades com pomares de 120 a 300 ha e 6% em unidades com pomares superiores a 300 ha. Em quase totalidade dessas UPAs houve substituição pela cultura da cana-de-açúcar.
 

            Entre as unidades que ainda mantêm pomares com laranja, o levantamento indica, para o ano safra de 2012/13, que há intenção de renovação de pomar em cerca de 1,4% das áreas em produção, e erradicação de 1,9% do parque citrícola, ora existentes.
 

            Outro resultado que pode ser inferido do levantamento é a estimativa de percentual do volume produzido a ser colhido por mês. Estima-se que este ano a distribuição será a usual, isto é, 75,8% entre julho e novembro de 2011 (Tabela 1).
 
 

4 - Mão-de-obra na Cultura da Laranja
 

            Em março de 2011 a mão-de-obra ocupada nas atividades agrícolas permanentes das unidades produtivas com a cultura da laranja no Estado de São Paulo foi estimada em 65,6 mil pessoas. Desse total, as participações das categorias de trabalho permanente foram: proprietário, arrendatário, parceiro e seus familiares com 48,4%, mensalista com 28,8%, tratorista com 18,6% e 4,2% para administrador (Tabela 2). Os pomares até 48,0ha empregaram 52,6% do total estadual, seguidos pelos pomares acima de 300,1ha, com 18,7%.
 

            Proprietários, arrendatários, parceiros e seus familiares representaram 83,1% da mão-de-obra ocupada em pomares até 48,0 ha. A categoria mensalista fez-se relevante em pomares acima de 300,1ha (67,2%), em pomares de 120,1 ha a 300,0 ha (54,2%) e nos pomares de 48,1 ha a 120,0 ha (48,1%). Para tratoristas foram os pomares de 120,1 ha a 300,0ha aqueles com maior participação (31,2%). Contudo, esta categoria é representativa em todos os tamanhos de pomares considerados.
 

            Os volantes foram estimados em 145,1 mil trabalhadores com maior proporção nos pomares de 120,1 ha a 300,0 ha, ou seja, 48,5%, sendo que em seguida têm-se os pomares até 48,0 ha com 22,6%.
 

            É oportuno salientar que nesta época do ano a ocupação de mão-de-obra está nos tratos culturais e na colheita das frutas 'temporonas'.
 
 

Tabela 2 - Número de Pessoas Ocupadas na Cultura de Laranja, por Categoria de Trabalho, Estado de São Paulo, Março de 2011

Categoria de trabalho

Total Pomar até 

48,0 ha

Pomar de 48,

1 ha a 120,0 ha

Pomar de 120,

1 ha a 300,0 ha

Pomar 

acima de 300,1 ha

Proprietário, arrendatário, parceiro e seus familiares

31.736 28.718 1.945 764 309

Administradores 

2.754 980 861 639 273

Tratorista 

12.188 3.768 1.971 3.007 3.442

Mensalista 

18.954 1.075 4.422 5.212 8.245

Total

65.631 34.541 9.199 9.623 12.269

Volante

145.067 32.797 20.412 70.331 21.527
Fonte: CONAB/IEA/CATI.



_________________________
1Agradecimento à Equipe de Campo, da CATI, pelo desempenho na coleta dos dados.

2Considerou-se produção de pomares não expressivos economicamente e perdas relativas ao processo produtivo e colheita.
 
 

Referências bibliográficas

CAMARGO, F. P.; FRANCISCO, V. L. F. S. Estimativa de Safra de Laranja no Estado de São Paulo, Informações Econômicas, São Paulo, v.41, n.5, mai. 2011.
NIELSEN, Søren F. Nonparametric conditional mean imputation. Journal of Statistical Planning and Inference, v. 99, p. 129-150, 2001
OLINSKY, Alan; CHEN, Shaw; HARLOW, Lisa. The comparative efficacy of imputation methods for missing data in structural equation modeling. European Journal of Operational Research, v. 151, p. 53-79, 2003.
SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Agricultura e Abastecimento. Coordenadoria de Assistência Técnica Integral. Instituto de Economia Agrícola. Levantamento censitário de unidades de produção agrícola do Estado de São Paulo - LUPA 2007/2008. São Paulo: SAA/CATI/IEA, 2011. Acesso em jan. 2011.

Palavras-chave: previsão de safra, laranja, produção de laranja.
 
 

Anexo 1
 
 

Tabela A.1.1 - Distribuição dos Elementos Amostrais nos Estratos Aleatórios
 

Fonte: Elaborada com base em SÃO PAULO (2011).
 
 
 
 

Anexo 2
 

Figura A.1.1 - Localização Geográfica das Unidades de Produção Agropecuária, Levantamento Amostral, Março de 2011, Estado de São Paulo.

Fonte: Elaborada por ROQUE, Antoniane A. O. com base em São Paulo (2011).

 

 

 

enviar Envie este texto por email


Data de Publicação: 05/05/2011
Autor(es): Antônio José Torres (torres@cati.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Paulo André Ferreira da Silva Consulte outros textos deste autor
Bernardo Lorena Neto Consulte outros textos deste autor
Mauro Antonio Luchetti Consulte outros textos deste autor
Felipe Pires de Camargo Consulte outros textos deste autor
Vera Lucia Ferraz dos Santos Francisco (veralfrancisco@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Priscilla Rocha Silva Fagundes (priscilla@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Denise Viani Caser (caser@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Celma Da Silva Lago Baptistella (celma@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Maria Carlota Meloni Vicente (carlota@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Paulo José Coelho (coelho@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor