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Ocupação de Mão de Obra na Cultura da Laranja, Estado de São Paulo, 2011

(1)

            Boa safra é sinal de mais postos de trabalho, mais produtividade, mais dinheiro no campo. Até o fim do ano, muitas pessoas trabalharão na colheita da laranja. Isso é o resultado das boas condições climáticas que nesta safra foram favoráveis à cultura, resultando em florada homogênea e, consequentemente, em boa colheita.

            Para o ano safra 2011/12, estima-se produção comercial de 377,1 milhões de caixas de 40,8 kg para o Estado de São Paulo, aproximadamente 27% superior à safra passada, não incluindo neste total 6,3 milhões de caixas de 40,8 kg provenientes de pomares não expressivos economicamente e perdas. A produtividade aguardada para esta safra é de 1,92 cx. 40,8 kg por planta, correspondendo a 705 cx. 40,8 kg por hectare, que pode ser superior a 10% à obtida na safra passada, que foi de 1,75 cx. 40,8 kg por planta. Quanto ao percentual do volume produzido a ser colhido por mês, a estimativa é de que o pico de colheita seja entre agosto e outubro de 2011, quando se espera que 75,4% da safra neste ano já tenha sido colhida. Devido às condições climáticas favoráveis, a safra poderá se estender até fevereiro, totalizando dez meses de colheita2.

            Em março de 2011, época em que se realiza a primeira estimativa de safra da cultura, a mão de obra ocupada nas atividades agrícolas permanentes das unidades produtivas com a cultura no Estado de São Paulo foi estimada em 65,6 mil pessoas. Desse total, as participações das categorias de trabalho permanente foram: proprietário, arrendatário, parceiro e seus familiares com 48%, mensalista com 29%, tratorista com 19% e 4% para administrador. Os volantes foram estimados em 145,1 mil trabalhadores. É oportuno salientar que, nesta época do ano, a ocupação de mão de obra está nos tratos culturais e na colheita das frutas temporonas (Tabela 1)3.

            No segundo levantamento realizado em julho a agosto de 2011, a mão de obra ocupada na citricultura no Estado foi estimada em 264,6 mil pessoas, sendo 55,8 mil de caráter permanente e 208,8 mil volantes ou temporários. As participações das categorias no trabalho permanente foram: proprietário, arrendatário, parceiro e seus familiares com 43%, mensalista com 34%, tratorista com 18% e administrador com 5%.

Tabela 1 - Número de Pessoas Ocupadas na Cultura de Laranja, por Categoria de Trabalho, Estado de São Paulo, Março e Agosto de 2011

Categoria de trabalho
Março
Agosto
(N.)
(%)
(N.)
(%)
Proprietário, arrendatário,
31.736
48
23.996
43
parceiro e seus familiares
Administradores
2.754
4
2.547
5
Tratorista
12.188
19
10.186
18
Mensalista
18.954
29
19.040
34
Subtotal
65.631
100
55.768
100
Volante
145.067
208.840
Total geral
210.698
 
264.608
 

Fonte: Torres et al., 2011 (ver nota 3, no final do texto).
 

            Por ser esta cultura colhida de forma eminentemente manual, a ocupação de mão de obra volante é expressiva na época do levantamento e, certamente, nos meses subsequentes. Para o colhedor, esta é a principal época de trabalho, pois outras culturas estão sendo colhidas, como por exemplo a cana-de-açúcar e café.

            Para ambos os levantamentos, a metodologia de obtenção das informações baseou-se em desenho de amostra probabilística estratificada4.

            Em levantamento qualitativo, foi observado que, na região noroeste do Estado, a laranja está concorrendo com mão de obra na construção civil, nas indústrias e com a cultura de cana de açúcar, principalmente. A colheita da laranja não se dá o ano todo, sendo um dos fatores que levam o trabalhador a preferir migrar para outra atividade. Como mencionado, a oferta de emprego na região é grande e isso tem levando muitos trabalhadores a optar por contratações temporárias para poder migrar para trabalhos mais rentáveis quando estes aparecerem. Nessa região, a mão de obra em sua maioria é arregimentada por turmeiros.

            Ter a possibilidade de escolha favorece o valor de seu trabalho. No entanto, para os citricultores, este é um dos gargalos dada a concorrência com as outras atividades, o que afeta o valor pago por caixa colhida. Ressalte-se, também, a não especialização do indivíduo devido à migração contínua entre as atividades com melhor remuneração. Contudo, esta cultura tende a manter-se como importante fonte de ocupação de mão de obra nas regiões em que estiver instalada, devido à dificuldade de mecanização na colheita, a qual exige muita habilidade e cuidado com a integridade do fruto.

            Hoje, segundo os dados do Ministério do Trabalho5, a citricultura é a terceira atividade econômica agropecuária do Estado em importância na geração de empregos, atrás da cana de açúcar e pecuária.

            Alguns produtores e técnicos afirmam que, devido à concorrência com outros setores, a mão de obra que trabalha na colheita da laranja é desqualificada, o que acaba afetando a qualidade e rendimento do suco na indústria. A falta de treinamento tem provocado perdas maiores na colheita (de 10% a 20%), pois os frutos são colhidos ainda verdes e pequenos, inadequados para a moagem da fruta.

            Com o deslocamento dos pomares citrícolas principalmente para o centro e sul do Estado, tem-se observado que no período da colheita muitos produtores optam por contratar mão de obra especializada nas regiões tradicionais, fato que melhora significativamente a qualidade e rentabilidade da colheita, mas em contraponto vem colaborando para o aumento do custo de produção dessas regiões. Por outro lado, nestas regiões é difícil encontrar colhedores que não tenham registro em carteira. O item mão de obra tem tido crescimento expressivo, a cada ano, no custo de produção da laranja paulista.

            De acordo com estudo desenvolvido pela CITRUSBR (2011)6, a indústria, atualmente, é proprietária de 35% dos pomares que produzem laranja para suco e sua mão de obra contratada está enquadrada na legislação vigente. Não se constata em suas unidades trabalho infantil ou qualquer tipo de exploração, sendo o setor constantemente vigiado pelo Ministério Público, o que garante o cumprimento da lei.

            Além do crescimento de número de postos de trabalho, o salário dos funcionários também deve aumentar nesta safra. Eles recebem por caixa ou saco colhido e, com a alta na produtividade, a chance de colher mais é maior.

            De acordo com informações do levantamento de pagamento de empreita, realizado pelo IEA/CATI em 2010, o valor médio pago por caixa colhida de 25-27 kg no Estado de São Paulo foi de R$0,72, com produtividade média de 61 caixas (25-27 kg) colhidas por homem/dia. Com base nesses dados, a diária média ficou em torno de R$44,00. Para 2011, os valores passaram para R$0,76 por caixa e 63 caixas colhidas por homem/dia, o que resultou em uma diária de R$48,00 (9% superior à de 2010)7.

            O preço pago na região noroeste está, em média, de R$0,80 por caixa de 25-27 kg colhida, somado a competição de outros setores econômicos regionais que está ocasionando falta de mão de obra na cultura e, consequentemente, aumento no custo da colheita na laranja. Pomares homogêneos e com boa produção têm média de colheita na região de 65 caixas por homem/dia, e de 25 caixas por homem/dia em pomar que apresenta falhas e plantas doentes. Um bom colhedor chega a colher 120 cx/dia.

            Nas propriedades pequenas, usam-se sacolinha e caixas de 25-27 kg, e nas grandes o bag. Contudo, o material utilizado na confecção tanto da sacolinha quanto do bag tende a lacear no decorrer do tempo, aumentando a quantidade de laranja dentro deles. Uma das alternativas, neste caso, seria computar a colheita por quilograma, e não por caixa.

 

1As autoras agradecem à CONAB e à estagiária Natália Cruz de Sousa. Artigo integrante do projeto CONAB/CATI/IEA, Carta Acordo firmada em 2011.

2TORRES, A. J. et al. Segunda estimativa preliminar para a safra de laranja no estado de São Paulo, ano-
-safra 2011/12. Análise e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 6, n. 9, set. 2011. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=12210>. Acesso em: 12 set. 2011.

3______. et al. Primeira estimativa preliminar para a safra de laranja no Estado de São Paulo, ano-safra 2011/12. Análise e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 6, n. 5, maio 2011. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=12125>. Acesso em: 4 ago. 2011. 

4CAMARGO, F. P. ; FRANCISCO, V. L. F. S. Estimativa de safra de laranja no estado de São Paulo, Informações Econômicas, São Paulo, v. 41, n. 5, p. 33-46, maio 2011.

5MINISTÉRIO DO TRABALHO E EMPREGO – MTE. CADASTRO GERAL DE EMPREGADOS E DESEMPREGADOS (CAGED). Disponível em: <http://www.mte.gov.br/>. Acesso em: 19 set. 2011.

6ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS EXPORTADORES DE SUCOS CÍTRICOS – CITRUSBR. A indústria brasileira de suco de laranja. 69p. 2011.

7INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Banco de dados. Disponível em: <http/www.iea.sp.gov.br>. Acesso em: 20 ago. 2011.
 

Palavras-chave: laranja, trabalho rural, pagamento de empreita.


 

 

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Data de Publicação: 23/09/2011
Autor(es): Celma Da Silva Lago Baptistella (celma@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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