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Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Intenção de Plantio do Ano Agrícola 2015/16, e Levantamento Final do Ano Agrícola 2014/15, Setembro de 2015

1 - INTRODUÇÃO

Entre os dias 1 a 21 de setembro foi realizado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) o primeiro levantamento para a safra agrícola 2015/16, que sinaliza a provável área a ser plantada, em hectares, pelos agricultores do Estado de São Paulo. Os dados foram obtidos pelo método subjetivo2 que consolida e sistematiza as informações fornecidas pelos técnicos das Casas de Agricultura nos 645 municípios paulistas. Ainda neste levantamento, foram obtidos números finais da safra agrícola 2014/15 (para as culturas de inverno, café e banana) e, também, o levantamento que antecede a previsão final para as culturas de cana-de-açúcar, cebolas e laranja. 

 

2 - INTENÇÃO DE PLANTIO - SAFRA 2015/16

Para o total da área ocupada com os principais produtos no plantio das águas, o levantamento indica elevação de área de 2,2% comparativamente ao ano agrícola 2014/15, totalizando 1,42 milhão de hectares (Tabela 1). Desse total a ser plantado, a principal cultura em área é a de soja, que participa com 54,8%, seguida de milho com 31,9%, amendoim (7,9%), feijão das águas (3,6%), arroz (0,9%), batata das águas (0,6%) e algodão (0,3%).

O levantamento a ser realizado no campo em novembro, referente ao ano agrícola 2015/16, deverá caracterizar melhor o quadro da agricultura paulista, com as primeiras informações de produção e produtividade para essas culturas.

As informações sobre a intenção de plantio estão disponibilizadas por Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) na tabela 6, e por Região Administrativa (RA) na tabela 9. 



 

2.1 - Algodão

A expectativa é de elevação de 4,8% para a área de algodão, atingindo 4,8 mil hectares plantados. Mesmo confirmando esse pequeno acréscimo de área no transcorrer da safra, o quadro da tendência de declínio dessa atividade no estado não será revertido. A perda gradativa da importância da cultura do algodão em termos de área ocupada no estado e as razões para esse comportamento foram discutidas por Bueno e Caser3.

 

2.2 - Amendoim das Águas

Para o amendoim, a comparação entre as estimativas de intenção de plantio da safra das águas 2015/16 e a safra anterior aponta aumento de 6,6% na área plantada no Estado de São Paulo, refletindo a elevação de 38% nos preços recebidos pelos produtores paulistas entre os meses de julho e outubro.

 

2.3 - Arroz

No cultivo de arroz (de sequeiro e várzea e irrigado), a área plantada apresenta perspectiva de estabilidade 0,3% na intenção de plantio, sendo esperados 12,2 mil hectares. A região do Vale do Paraíba (formada pelos EDRs de Guaratinguetá e Pindamonhangaba) é a principal produtora do Estado de São Paulo, com 62,3% da área cultivada, predominantemente de arroz irrigado, seguido pelos EDRs de Registro (12,6%) e de Itapeva (9,1%).

2.4 - Batata das Águas

Para a batata das águas, a estimativa inicial apresenta uma área estadual de 9,0 mil hectares, 34,6% maior que a registrada na safra anterior. Caso essas informações se confirmem, as regionais (EDRs) de Itapetininga, de Itapeva e de Avaré vão concentrar mais de 75% da área cultivada no estado.

 

2.5 - Feijão das Águas

A intenção de plantio da safra 2015/16 apresenta elevação de 10,1%, ante o ano agrícola anterior. Essa variação pode ser explicada pela boa cotação da saca do feijão nos últimos meses. Em setembro de 2015, os preços médios recebidos pelos produtores paulistas estavam 75% maiores do que há um ano.

 

2.6 - Milho (Primeira Safra)

A intenção de plantio da área de milho primeira safra 2015/16 (safra verão) apresenta leve declínio de 1,4%, quando comparada à safra 2014/15. Dos 454,8 mil hectares de área a serem plantadas, aproximadamente 90% são em áreas sem irrigação. As principais regiões (EDRs) de cultivo são: São João da Boa Vista, Itapetininga, Itapeva e Avaré, que representam 33% da área a ser cultivada no Estado de São Paulo. A cultura irrigada deverá apresentar redução de 0,7% na área a ser plantada, em comparação com os resultados do ano anterior, ocupando 45,6 mil hectares.

 

2.7 - Soja (Primeira Safra)

A área a ser plantada com soja (safra verão 2015/16) está prevista em 780,5 mil hectares, com crescimento de 3,0% em relação à anterior. O cultivo da oleaginosa tem crescido no Estado em função das condições de mercado desse grão e de seus derivados, muito favorecidos pela elevação do câmbio.

 

3 – PREVISÕES DA SAFRA AGRÍCOLA PARA CANA-DE-AÇÚCAR, CEBOLAS E LARANJA, QUE ANTECEDE O FINAL DA SAFRA EM NOVEMBRO DE 2015

Os números do levantamento de setembro de 2015, que antecede a previsão final da safra 2014/15, estão disponibilizados na tabela 2 para o total do Estado de Sâo Paulo, na tabela 7 por Escritório de Desenvolvimento Rural (EDR) e na tabela 10 por Região Administrativa (RA).

 

 

3.1 - Cana-de-açúcar

O quarto levantamento de safra da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo aponta que a área explorada permanece nos mesmos patamares da safra 2013/14. Esses números são decorrentes das condições desfavoráveis que o setor sucroalcooleiro vem enfrentando desde 2008. Já em relação à produção de 428,3 milhões de toneladas, constata-se elevação de 6,0% em termos estaduais, influenciada pela produtividade de 5,3% maior, indicando que os efeitos danosos dos baixos índices pluviométricos da safra passada estão superados, embora a produtividade (76,8 t/ha) esteja abaixo do potencial desta cultura (Tabela 2).

 

3.2 - Cebola de Muda e Plantio Direto

A produção de cebola em São Paulo é realizada em três cultivos: bulbinhos (soqueira), finalizado no mês de junho, cebola de muda e plantio direto. A cebola de muda ocupa 2.374 hectares em 2015, mostrando uma redução de 11,5% quando comparada a 2014. Enquanto a produção esperada é de 85.837 toneladas, semelhante ao do ano passado, a produtividade de 36,2 t/ha deverá ser 13,1% maior, em relação a 2014, pois nesse ano as condições climáticas estão mais favoráveis para o desenvolvimento deste sistema de cultivo.

O cultivo de cebola em plantio direto na palha é o principal do estado. A área cultivada em 2015 foi de 2.645 hectares, 10,5% maior em relação à safra passada, com produção 31,7% maior, atingindo 130.540 toneladas. A principal justificativa para o aumento do rendimento observado é o fato de que, em 2014, a produtividade foi baixa devido ao excesso de chuvas em fevereiro, época do plantio, e à falta de água de maio a setembro, enquanto em 2015 houve regularização climática.

 

3.3 - Laranja

  O volume total esperado para a cultura da laranja, decorrente do levantamento realizado no campo em setembro de 2015 poderá ser de 295,40 milhões de caixas de 40,8 kg (12.052 mil toneladas), 1,6% superior ao obtido na safra de 2014 (291,2 milhões de caixas de 40,8 kg equivalente a 11.860 mil toneladas). A combinação das condições climáticas mais adequadas, enfrentada pela cultura ao longo do seu desenvolvimento, levou aos ganhos de produtividade da ordem de 3,0%, ou seja, choveu mais. Em contrapartida, a temperatura também aumentou, pouco acima da média do ano, devido à continuidade do fenômeno El Niño. Estima-se produtividade agrícola de 27.132 kg/ha, equivalente a 1,81 cx./pé ou 665 cx./ha.

Esses números incluem tanto as frutas comerciais e as provenientes de pomares não expressivos economicamente, quanto as perdas relativas ao processo produtivo e colheita.

Quanto à área total plantada (que inclui área com plantas ainda não produtivas), o levantamento prevê menor área cultivada (1,8%), relativamente à do ano agrícola 2013/14. Na atual safra, continua o decréscimo das plantas em produção, já registrado em levantamentos anteriores, levando à dedução da continuidade no processo de erradicação, por conta da eliminação de pomares comprometidos com a incidência de problemas fitopatológicos, principalmente o cancro cítrico e o HLB (greening). Assim sendo, a área total plantada atinge a marca de 472,56 mil hectares para a safra 2014/15 (em 94,0% desta área deverá ser feita a colheita). Não obstante, fatos como a disseminação mais intensa dos problemas fitopatológicos, agravados pelo aumento do custo de produção da cultura e aliado à alta dos preços dos defensivos, poderão contribuir para a diminuição da área de citros no estado.

 

4 - ESTIMATIVAS FINAIS DA SAFRA 2014/15

 Na pesquisa efetuada em setembro, foram também obtidos alguns números finais para a safra agrícola 2014/15, descritos na tabela 3 para o total do estado, na tabela 8 os dados por EDR e na tabela 11 por RA.

 

4.1 - Banana

Nos números finais da safra 2014/15 da bananicultura, na comparação com a safra anterior, foram observadas redução de 0,8 % na área plantada (58,7 mil hectares) e perdas de 0,6% na produção com 1,2 milhão de toneladas. O rendimento de 21.256 kg/ha registrou leve recuo (0,3%) em relação à 2013/14.

O EDR de Registro é a maior região produtora de banana no Estado de São Paulo e representa cerca de 60% da área plantada e 70% da produção paulista (813,7 mil toneladas). Sua produtividade de 24.036 kg/ha é 13,2% maior do que a média estadual.

 

 


4.2 - Batata de Inverno

A batata de inverno, com início de colheita em setembro de 2015, ocupou 11.346 hectares, a mesma registrada no ano anterior. A produção final foi estimada em 321.613 toneladas e rendimento de 28,3 t/ha, e ambas apresentaram decréscimos de 1,0% em relação à safra de 2014.

 

4.3 - Café

O levantamento final subjetivo da safra de café 2014/15 indicou variação negativa de 1,14% frente ao levantamento anterior (junho/2015). Estima-se que a safra totalizou 4.086 milhões de sacas no estado, equivalente a 245,19 mil toneladas. Nos cinturões em que a anomalia climática foi menos severa (regiões montanhosas e sudoeste) e que contam com cafeicultura irrigada (EDR de Marília), houve incremento da produção. Nas demais, as estimativas se mantiveram ou exibiram ligeiro declínio.

O comportamento do clima continuará sendo o fator decisivo para estabelecer estimativas sobre a próxima colheita (2015/16). Em setembro a forte onda de calor coincidiu com a primeira e principal florada, ocasionando abortamento excessivo de flores. Outras floradas se seguiram e se não houver mais surpresas com o clima, pode haver elevação no patamar da colheita estadual.

 

4.4 - Feijão de Inverno

No Estado de São Paulo, a produção de feijão é realizada em três cultivos: safra das águas, da seca e de inverno. Totalizando os três cultivos da safra 2014/15 (Tabela 4), a produção obtida foi de 198,1 mil toneladas, 8,6% inferior a safra passada, devido à menor área cultivada em 18,0%, mas com ganhos de produtividade de 11,5% (2.151 kg/ha).

 


 

Destacam-se que os dados da estimativa de feijão de inverno (incluindo o irrigado) registraram queda de 4,0% de área plantada com 28,0 mil hectares, apresentando, porém, ganhos de 11,8% na produção obtida (66,1 mil toneladas), reflexo da produtividade 16,5% superior, comparativamente à safra passada. Esse resultado positivo é reflexo das condições climáticas favoráveis para o cultivo nesta safra, fato que não ocorreu na safra passada.

 

4.5 - Milho Safrinha        

Os números finais do milho safrinha mostram evolução desta cultura em relação à última safra e à confirmação de boa produtividade devido à ótima condição climática observada neste ano. A área em produção avançou 12,8% em relação ao ano de 2014, totalizando 363,9 mil hectares e alcançando uma produção de 31.190.899 sacas de 60 kg (1.871,5 mil toneladas), 26,8% maior que a última safra. O rendimento em 2015, comparado ao observado em 2014, cresceu 12,5%, com 85,7 sacas por hectare. A faixa sudoeste do estado concentra a maior área em produção de milho safrinha, em especial, os EDRs de Assis, Ourinhos e Itapeva que, juntos, respondem por quase 60% da área e da produção desta cultura. Na tabela 5 pode-se observar os números destes EDRs para área, produção e rendimento. Destaca-se que a posição das regiões se altera em função da variável considerada, o EDR de Assis concentra a maior área e produção, enquanto o EDR de Itapeva possui o melhor rendimento.

 


 

4.6 - Trigo e Triticale     

A produção de trigo de 238,9 mil toneladas, na safra 2014/15, esteve acima da anterior em 2,3%, com a área cultivada maior em 3,5% (78,2 mil hectares). Foram registradas, porém, perdas de produtividade de 1,1% ante a safra 2013/14.

A intensificação da elevação da taxa de câmbio por ocasião da época de plantio do trigo foi um fator importante para reverter a perspectiva de redução da área cultivada com trigo em 2015. A redução era esperada face às baixas cotações internacionais do produto. O resultado foi a expansão da área cultivada, ainda que modesta, como mostra o resultado final do levantamento de setembro. A incerteza com relação à continuidade da política de desvalorização do real e as condições de cada produtor quanto à aquisição dos insumos impediram que houvesse expansão de área mais expressiva.

A cultura do triticale finaliza a safra com área 43,7% menor, produzindo 14,7 mil toneladas, com rendimento na ordem de 2,370 kg/ha, 24,6% inferior à safra passada.  

______________________________________

1Os autores agradecem aos técnicos do DEXTRU, das Casas de Agricultura e diretores dos EDRs, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) pelo desempenho no levantamento. Também agradecem aos comentários dos pesquisadores do CPDEEA do IEA, dos técnicos de apoio Getúlio Benjamin da Silva, Maria Cristina T. J. Rowies e a estagiária Maristela Maria da Silva do CPDIEA, Irene Francisca Lucatto do Departamento Administrativo e a equipe do Núcleo de Informática para os Agronegócios do IEA. 

2Entende-se por método subjetivo a coleta e sistematização de dados fornecidos pelos técnicos da Casa de Agricultura, em função de seu conhecimento regional e/ou da coleta de dados de forma declaratória, fornecida pelo responsável pela unidade de produção. 

3BUENO, C. R. F.; CASER, D. V. Algodão no Estado de São Paulo, 2005 a 2014. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 10, n. 9, set. 2015

Palavras-chave: previsão de safra, área e produção, estimativas, produção agrícola, estatísticas agrícolas.


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Data de Publicação: 13/11/2015
Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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