Estimativa do Valor da Produção Agropecuária Paulista em 2015, por Região: resultado final

O Valor da Produção Agropecuária (VPA) calculado por região permite que se observe a evolução das diversas atividades agropecuárias e mostra como se distribui geograficamente a renda gerada por elas no Estado de São Paulo, constituindo-se em material subsidiário nas análises econômicas do setor. As regiões consideradas foram aquelas representadas pelos 40 Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDRs), da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI). Os produtos florestais (madeira de eucalipto, madeira de pínus e resina de pínus) não foram considerados por indisponibilidade dos dados de produção e preços deles em níveis regionais. Foram considerados para o cálculo 50 produtos e selecionados os de maior participação na renda bruta da agropecuária paulista.

Os dados de produção são os dos levantamentos sistemáticos de Previsões e Estimativas de Safra realizados em todos os municípios pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela CATI. Os dados de preços são os levantados pelo IEA, organizados segundo a Metodologia dos Preços Médios Recebidos pela Agricultura Paulista (PMR), obtidos no banco de dados do instituto, inclusive os da cana-de-açúcar que, a partir de maio de 2015, voltou a ser calculado por essa metodologia1. Os de produtos olerícolas (exceto batata, cebola, mandioca para mesa e tomate) e frutas (exceto banana, laranja para mesa, limão e tangerina) são os da Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), ponderados por variedade para cada espécie e decompostos a partir dos preços de venda no atacado2. Os preços médios recebidos pelos produtores são valores correntes de janeiro a dezembro de 2014 e 2015.

O VPA paulista final estimado para 2015 resultou em R$63,9 bilhões e, portanto, 14,6% maior que o do ano anterior. Quando deflacionados os preços, esse valor cai para R$57,1 bilhões, revelando ainda um crescimento real 2,4%.

Sem os produtos florestais, o VPA resultante foi de R$60,8 bilhões, contra R$53,0 bilhões estimados para 2014, acusando, portanto, uma elevação de 14,7% (Tabela 1).

 


Em valores constantes, com preços de 2015 deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontou uma inflação anual em 2015 de 10,67%3, o VPA se situa em R$54,3 bilhões, 2,4% superior ao de 2014, igual crescimento independente da participação dos produtos florestais.

A região que apresenta o maior VPA é a correspondente ao EDR de São João da Boa Vista, seguida pela do EDR de Barretos, ambos com participação de 4,8% do VPA total do estado. Além de se destacar por ocupar a primeira colocação no ranking, merece ser realçado também o fato de que São João da Boa Vista, embora seu VPA da cana-de-açúcar ocupe a primeira colocação, encontra-se em um nível equilibrado referente aos VPAs dos outros quatro produtos. O predomínio do VPA de cana-de-açúcar é discreto, mostrando uma distribuição mais equilibrada no que se refere à diversificação das atividades agropecuárias, ao passo que, entre os cinco produtos de maior VPA no EDR de Barretos, o de cana-de-açúcar responde por 67%. Ocupando a segunda posição no ranking estadual em 2014, ascendeu à primeira em 2015 (Tabela 2).

A região delimitada pelo EDR de Itapeva, que ocupava o sexto lugar no ranking em 2014, evoluiu para a terceira colocação em 2015. Entre as cinco de maior VPA, é a única em que a cana-de-açúcar não figura entre os cinco produtos de maior VPA; também apresenta boa diversificação de atividades, destacando-se a produção de cereais, e o VPA de soja e o de milho ocupam respectivamente a segunda e a quarta colocação, sendo o maior VPA do grupo de cereais do estado. Tem, entre os cinco produtos de maior VPA, duas olerícolas: tomate para mesa é o de maior VPA e batata ocupa a quinta colocação. Itapeva é exceção entre os oito EDRs de maior VPA, onde cana-de-açúcar é a primeira colocada em todos os outros. A cana-de-açúcar figura entre os cinco produtos de maior VPA em 33 dos 40 EDRs, sendo o produto de maior VPA para 26 EDRs.

O EDR de Assis também se caracteriza pela produção de cereais, e é onde o VPA de milho apresenta o maior valor entre os EDRs e o da soja o segundo. O VPA da região saiu da 11ª posição em 2014 para a 7ª em 2015, movimento em grande parte alavancado pelos aumentos de preços do cereal e da leguminosa. Esses dois produtos ainda se destacam em outras nove regiões, figurando entre os cinco de maior valor. Essa região é a única em que o VPA da mandioca para indústria se apresenta entre os cinco de maior valor.

O VPA de feijão só aparece entre os cinco de maior valor no EDR de Avaré, ocupando o quinto lugar.

O VPA de amendoim encontra-se entre os de maior valor em três regiões: nos EDRs de Marilia, Tupã e Dracena. As duas primeiras galgaram posições, respectivamente, de 34ª para 33ª, e 14ª para 12ª, e a região correspondente ao EDR de Dracena permaneceu na 31ª posição.

(continua)

Além de Itapeva, cana-de-açúcar também não aparece entre os cinco produtos de maior VPA em outros seis EDRs. O VPA do EDR de Sorocaba ocupa a 19ª posição no ranking estadual e se apresenta com uma agropecuária bastante diversificada. A participação de cada um dos cinco produtos de maior valor é bem semelhante, variando de 10,1% (para o de maior valor, que é a cenoura) a 8,8% (para a carne de frango, que é o de menor valor). Ademais, a participação de outros produtos é de 54,1%, evidenciando o elevado número de produtos, próprio de região considerada como cinturão verde, estando beterraba e alface na segunda e na terceira colocação, respectivamente. Da mesma forma, os EDRs de Mogi das Cruzes, Registro e o São Paulo também se enquadram na categoria de cinturão verde. A ausência de predominância da ocorrência de cana-de-açúcar está associada também a outros fatores, por exemplo a topografia das regiões, fator importante para caracterizar um grau de especialização, como é o caso do EDR de Bragança Paulista, onde se verifica maior especialização na pecuária com o VPA de carne de frango ocupando a primeira colocação, seguido pelo de carne bovina e o de leite e culturas perenes, com café e tangerina na quarta e quinta colocação. No EDR de Guaratinguetá, carne bovina e leite ocupam respectivamente a primeira e segunda colocação. Trata-se de região já destacada como importante bacia leiteira, mas também é uma região onde se consolidou a produção de arroz irrigado, única em que o VPA do produto encontra-se entre os cinco de maior VPA.

A carne bovina ocupa a primeira colocação em 5 EDRs e está entre os cinco produtos de maior VPA em 38 dos 40 EDRs. Presidente Prudente é o que apresenta o maior VPA de carne bovina, seguido dos EDRs de Presidente Venceslau, General Salgado, Andradina, Marilia, Jales, Dracena, Lins, São José do Rio Preto e Araçatuba. Nessa ordem, representam os dez EDRs de maiores VPAs de carne bovina, mostrando, portanto, maior concentração da atividade na região noroeste do estado.

A carne de frango encontra-se entre os cinco produtos de maior VPAs em 18 EDRs e ocupa a primeira colocação em 3 deles, pela ordem decrescente: Bragança Paulista, Itapetininga e Campinas.

O VPA de ovo de galinha aparece entre os cinco produtos de maior VPA em nove EDRs e ocupa a primeira colocação apenas no EDR de Tupã, revelando alta concentração geográfica. Considerando como VPA total de ovo de galinha no Estado de São Paulo apenas os valores dos EDRs em que aparece entre os cinco maiores VPAs, o VPA desse produto no EDR de Tupã representaria 69% do VPA desse produto no estado.

A maior importância relativa de leite se verifica nos EDRs de Guaratinguetá e Pindamonhangaba, que são compostos por municípios pertencentes à bacia leiteira do Vale do Paraíba. Em ambos situa-se em segundo lugar entre os cinco produtos de maior VPA, participando, respectivamente, com 30,9% e 21% do VPA total da região. Também figura entre os cinco VPAs de maior valor em seis das dez regiões onde a carne bovina ocupa lugar de destaque.

O VPA da carne suína só aparece entre os cinco de maior VPA no EDR de Piracicaba, que também é o único em que as três carnes figuram entre os cinco de maiores VPAs.

O VPA do café beneficiado figura entre os cinco maiores em sete EDRs, adquirindo maior importância relativa nos de Marilia e São João da Boa Vista (em segundo lugar nos dois), participando, respectivamente, com 25,6% e 14,9% do VPA da região.

O VPA de laranja para indústria encontra-se entre os cinco de maior valor em 18 dos 40 EDRs, atingindo os maiores valores nos de Barretos, Avaré e Itapetininga. No EDR de Barretos, o VPA de laranja para mesa também encontra-se entre os de maior valor. O VPA de laranja para mesa figura entre os cinco também nos EDRs de Araraquara e Lins. O VPA de limão aparece entre os maiores no EDRs de Catanduva e Jaboticabal (segunda colocação), com participação de 20,7% e 11,2%, respectivamente. Aparece também no EDR de Jales em quarto lugar, com 7,9% do total regional.

No EDR de Registro, o VPA de banana encontra-se em primeiro lugar, com uma participação de 82,7%, a maior verificada para um produto. O VPA de banana ainda ocupa lugar de destaque nos EDRs de São Paulo, na primeira colocação, respondendo por 47,1% do VPA do EDR, e no de Pindamonhangaba, em terceiro lugar. A cultura de banana no EDR de São Paulo é uma extensão dos bananais do vizinho EDR de Registro. Outras frutas cujos VPAs aparecem entre os maiores são: manga, no EDR de Jaboticabal; abacaxi, no de Andradina; figo para mesa, no de Campinas; caqui, no de Mogi das Cruzes; uva para mesa, no de Jales; e tangerina, nos EDRs de Bragança Paulista, Catanduva e Registro.

O VPA de borracha adquire maior importância nos EDRs de São José do Rio Preto e General Salgado, figurando na quinta colocação entre os de maior valor em ambas as regiões.

O crescimento real de 2,4% no valor da agropecuária paulista indica ao setor uma resposta econômica positiva.

O conhecimento do comportamento dos mercados para os produtos e do desempenho das regiões é uma ferramenta para as análises econômicas e posicionamento dos diversos agentes envolvidos na produção da agropecuária. 

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1INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Banco de dados.  São Paulo: IEA. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/bancodedados.html>. Acesso em: mar. 2016.

 

2COMPANHIA DE ENTREPOSTOS E ARMAZÉNS GERAIS DE SÃO PAULO - CEAGESP. Banco de dados. São Paulo: CEAGESP. Disponível em: <http://www.ceagesp.gov.br/>. Acesso em: abr. 2016.

 

3INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Banco de dados. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <http://www.portaldefinanças.com/ipca_ibge.htm>. Acesso em: abr. 2016. 

 

Palavras-chave: Valor da Produção Agropecuária regional, São Paulo.

Data de Publicação: 29/04/2016

Autor(es): José Roberto Da Silva (josersilva@sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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