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Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas do Estado de São Paulo, Ano Agrícola 2016/17, Abril de 2017

1 – INTRODUÇÃO

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio do Instituto de Economia Agrícola (IEA) e da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), realizou, entre 3 e 27 de abril de 2017, o levantamento da Previsão e Estimativa da Safra Agrícola 2016/17 para as principais culturas do Estado de São Paulo (Tabela 1).

Os resultados foram obtidos aplicando o método subjetivo, que consiste da coleta e sistematização dos dados fornecidos pelos técnicos das Casas de Agricultura, em cada um dos 645 municípios do Estado de São Paulo.

 

2 – INDICADORES GERAIS

A colheita de grãos nesta safra está prevista em 9,57 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 14,2 % em relação ao ano anterior.

As culturas que apresentaram, por um lado, os maiores aumentos em percentual de volumes produzidos e esperados foram: feijão das águas (34,52%), feijão de inverno irrigado (31,9%), milho safrinha (28,7%) soja irrigada (20,5%) feijão de inverno total (16,0%), amendoim da seca (15,4%). Por outro, as maiores quedas em produções previstas foram: triticale (-48,5%), feijão de inverno sem irrigação (31,6%), algodão (-27,8%) e feijão da seca (-4,4%). Essas quedas são reflexos da diminuição das áreas cultivadas, uma vez que essas culturas apresentaram ganhos de produtividade, com exceção do algodão (Tabela 1).

Para a elaboração dos índices que refletem a evolução da agricultura paulista no ano agrícola 2016/17, em comparação ao de 2015/16, foram selecionadas as atividades mais significativas em valor da produção no estado calculado pelo IEA. Os resultados agregados indicam ganhos na produtividade de 2,0%, o que resultou no aumento de 2,9% no volume produzido, em uma área plantada 0,5% maior que a da safra passada (Tabela 2).

 

 

Tabela 1 – Previsões e Estimativas das Safras Agrícolas, Comparativo de Área, Produção e Produtividade, Estado de São Paulo, Safra Agrícola 2016/17, Abril de 20171

Produto

Área (1.000 ha)

 

Produção (1.000 t)

 

Produtividade (kg/ha)

Final
2015/16

Abr./2017
2016/17

Var.
%

 

Final
2015/16

Abr./2017
2016/17

Var.
%

 

Final
2015/16

Abr./2017
2016/17

Var.
%

 

 

Algodao

4,8

3,6

-24,0

 

14,5

10,4

-27,8

 

3.017

2.865

-5,0

Amendoim total

112,9

123,8

9,7

401,6

460,4

14,6

3.559

3.719

4,5

  Amendoim da seca

1,3

1,7

35,4

3,8

4,3

15,4

2.998

2.557

-14,7

  Amendoim das águas2

111,6

122,1

9,4

397,9

456,1

14,6

3.565

3.735

4,8

Arroz total

10,9

11,1

2,2

61,6

65,1

5,7

5.679

5.872

3,4

  Arroz de sequeiro e várzea

2,4

2,4

-1,0

7,9

8,2

3,5

3.315

3.465

4,5

  Arroz irrigado

8,5

8,7

3,1

53,7

56,9

6,0

6.346

6.523

2,8

Banana3

57,9

57,7

-0,4

1.139,0

1.125,6

-1,2

21.280

21.118

-0,8

Batata das águas4

7,6

6,6

-12,7

213,2

190,4

-10,7

28.219

28.831

2,2

Batata da seca

7,1

8,6

20,1

223,2

278,6

24,8

31.364

32.593

3,9

Batata de inverno

11,9

11,8

-1,4

338,3

360,5

6,6

28.360

30.644

8,1

Café3

211,3

212,7

0,7

364,3

265,9

-27,0

1.814

1.321

-27,2

Cana para forragem

82,8

75,6

-8,7

4.851,8

4.455,8

-8,2

58.595

58.952

0,6

Cana para indústria3

6.081,5

6.047,9

-0,6

438.595,1

441.066,8

0,6

78.754

79.386

0,8

Cebola de bulbinho

0,7

0,6

-15,7

27,3

24,5

-10,3

37.599

40.020

6,4

Cebola de muda

2,6

2,5

-4,3

94,5

85,2

-9,8

36.074

34.002

-5,7

Cebola de plantio direto

2,5

2,3

-8,0

123,3

115,1

-6,7

49.324

50.043

1,5

Feijão das águas4

54,8

67,8

23,7

123,7

166,4

34,5

2.256

2.454

8,8

Feijao da seca

15,9

15,1

-5,4

31,7

30,4

-4,4

1.995

2.016

1,1

Feijao de inverno total

29,6

30,4

2,8

66,4

77,0

16,0

2.243

2.532

12,9

  Feijao de inverno irrigado

19,7

23,1

17,1

49,8

65,6

31,9

2.525

2.845

12,7

  Feijao de inverno s/ irrigaçao

9,9

7,3

-25,8

16,6

11,4

-31,6

1.681

1.549

-7,9

Laranja3

439,9

446,5

1,5

10.629,6

12.460,3

17,2

25.919

29.718

14,7

Mandioca para indústria3

51,3

49,6

-3,5

976,4

953,9

-2,3

28.610

28.792

0,6

Mandioca para mesa3

19,8

19,5

-1,6

232,5

232,2

-0,1

16.163

16.303

0,9

Milho total (primeira safra)

441,6

436,7

-1,1

2.718,3

2.789,1

2,6

6.156

6.388

3,8

  Milho (primeira safra)

390,1

388,7

-0,4

2.258,9

2.340,3

3,6

5.791

6.021

4,0

  Milho irrigado (primeira safra)

51,5

48,0

-6,8

459,4

448,8

-2,3

8.924

9.356

4,8

  Milho safrinha (segunda safra)

428,9

417,3

-2,7

1.704,6

2.193,3

28,7

3.974

5.256

32,3

Seringueira3

111,1

112,5

1,3

180,9

198,2

9,6

2.466

2.533

2,7

Soja total (primeira safra)

834,9

904,5

8,3

2.740,7

3.119,5

13,8

3.282

3.449

5,1

  Soja (primeira safra)

792,0

855,9

8,1

2.574,7

2.919,6

13,4

3.251

3.411

4,9

  Soja irrigada (primeira safra)

42,9

48,5

13,1

166,0

199,9

20,5

3.868

4.120

6,5

Tomate envarado (mesa)

9,8

9,1

-7,8

731,7

668,5

-8,6

74.396

73.735

-0,9

Tomate rasteiro (indústria)

3,0

3,4

10,5

244,1

256,6

5,2

80.333

76.471

-4,8

Trigo

76,3

73,6

-3,4

226,3

224,0

-1,0

2.968

3.042

2,5

Triticale

7,2

3,7

-48,5

18,4

9,5

-48,5

2.561

2.558

-0,1

Uva para indústria2, 3

0,1

0,1

6,6

1,5

1,5

1,0

19.352

18.908

-2,3

Uva para mesa3

7,1

6,9

-3,0

 

241,8

242,2

0,1

 

34.634

35.611

2,8

1Este levantamento foi efetuado de 3 a 27 de abril de 2017.

2Estimativa final da safra agícola 2016/17.

3Somatória da área nova e área em produção, e produtividade calculada a partir da área em produção.

4Estimativa final da safra agrícola 2016/17, dados de fev./2017.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral.

 

 

Tabela 2 - Evolução da Agricultura no Ano Agrícola 2016/17 Relativamente a 2015/16, Estado de São Paulo

Culturas/produtos

Produção1

Área2

Produtividade

da terra3

Anuais4

108,76

103,41

105,17

      Grãos5

114,16

103,54

110,26

Perenes e semiperenes6

101,09

99,62

101,08

Total

102,86

100,49

101,99

1Índice Laspeyres; ano-base 2015/16 e base de ponderação 2015/16=100.

2Índice simples de área cultivada; 2015/16=100.

3Índice Laspeyres de produção/índice simples de área em produção.

4Abóbora; abobrinha; alface; algodão; amendoim; arroz em casca; batata; batata doce; beterraba; cebola; cenoura; feijão; melancia; milho; pimentão; repolho; soja; sorgo granífero; tomate; e trigo.

5Algodão; amendoim; arroz em casca; feijão; milho; soja; sorgo; e trigo. 

6Abacate; abacaxi; banana; café; cana para indústria; caqui; figo para mesa; goiaba; laranja; limão; mandioca; manga; maracujá; pêssego para mesa; seringueira; tangerina; e uva para mesa.

Fonte: Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral.

 

O conjunto das culturas anuais apresenta maior produção (8,8%) por conta da produtividade positiva (5,2%) em uma área plantada maior (3,4%). No caso dos grãos, houve comportamento similar, porém, com ganhos de produtividade (10,3%) e de produção (14,2%) mais intensos.

Quando são consideradas as culturas perenes e semiperenes, observa-se que os índices se mostram estáveis: produtividade (1,1%), produção (1,1%) e área plantada (-0,4%) (Tabela 2).

 

3 – ACOMPANHAMENTO DA SAFRA AGRÍCOLA 2016/17

3.1 – Amendoim

A safra de amendoim 2016/17 traz estimativas de alta da produção para os dois plantios realizados no Estado de São Paulo. No plantio da seca, que representa pouco mais de 1% da área total e é realizado principalmente no oeste paulista, o levantamento de abril/2017 acompanha de perto os resultados alcançados na coleta de dados de fevereiro/2017, apontando aumento de 23,48% na área planta e de 12,52% na produção. Para o plantio das águas, as previsões mostram o bom desempenho da lavoura com aumento de 4,72% na produtividade e seus reflexos para o incremento de 14,59% na produção. As estimativas finais favoráveis acompanham o posicionamento das exportações do amendoim em grão e do óleo de amendoim.

 

3.2 – Algodão

A cotonicultura paulista apresenta forte retração em 2016/17 quando a área estima-

da em 3,64 mil hectares, 25% menor que a verificada na safra anterior. A produção deve ser de 10,4 mil toneladas, 28,0% a menos que a obtida no ano passado. Esse quadro consiste acirramento do desestímulo à atividade verificado nos últimos anos em virtude de condições de mercado mais favoráveis de outras lavouras no processo de competição por área.

As condições do mercado internacional delineadas para 2017, em que elevados estoques e baixa cotação da fibra sintética determinam preços mais baixos para a fibra natural, justificam o comportamento de cautela em termos nacionais, o que pesa mais ainda para a cotonicultura paulista.

 

3.3 – Arroz

A previsão de safra de abril mostra uma produção esperada de 65,1 mil toneladas de arroz (de sequeiro, várzea e irrigado), 9,5% superior à obtida na safra passada, por conta do ganho de áreas (3,1%) na cultura irrigada, e pequena queda no sequeiro (1,0%) e elevação na produtividade (7,3%).

 

3.4 – Batata da Seca e de Inverno

No mês de julho de 2016, a colheita do cultivo da batata seca foi finalizada em São Paulo. A área foi de 7.120 hectares, produção de 223.190 toneladas e produtividade de 31,4 t/ha. Em 2017, a área estimada é de 8.555 hectares (20,1 % maior), a produção será de 278.630 toneladas e produtividade 32,6 t/ha, apresentando um incremento de 3,9% em relação à safra passada. Esse cultivo tem como principais Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDRs) produtores: Itapetininga, Itapeva e São João da Boa Vista. O aumento de preços observado em 2016 estimulou o plantio desse cultivo em 2017.

 A batata de inverno em 2016 ocupou 11.930 hectares e sua produção foi de 338.270 toneladas, com produtividade 28,4 t/ha. Os principais EDRs produtores são: São João de Boa Vista, Itapeva e Itapetininga, com 74,5% do total. Em 2017, apesar de pequena redução na área cultivada, que será de 11.760 ha, apresentou aumento na produção de 6,6%, chegando à 360.490 toneladas e consequente aumento da produtividade, que será de 30,6 t/ha (8,1 % maior).

 

3.5 - Cebolas Bulbinho, de Muda e Plantio Direto

A produção de cebola em São Paulo é realizada em três cultivos: bulbinho (soqueira), cebola de muda e plantio direto. A área total em 2016 foi de 5.872 hectares e a produção de 245.029 toneladas. A área cultivada com bulbinhos, que participou com 12,3% do total cuja colheita, foi finalizada em junho de 2016 e teve área de cultivo de 725 hectares, produção de 27.259 toneladas, com aumento da produtividade (38,0 t/ha). A previsão de abril de 2017 mostra uma área de 610 hectares (15,7% menor que a anterior), produção de 24.450 toneladas e produtividade 40,0 t/ha, fazendo com que a produção esperada seja 10,3% menor que a da última safra.

A cebola de muda em 2016 teve área de 2.620 hectares (44,8% do total), produção 94.460 toneladas e produtividade 36,07 t/ha. Os principais EDRs produtores são: Jaboticabal, Sorocaba, Itapeva e São João da Boa Vista com 93,5% do total. Em 2017, a área será de 2.510 hectares (4,3% menor que a anterior), produção de 85.240 toneladas (9,8% menor que a anterior) e 34,0t/ha de produtividade (5,7% menor).

O cultivo de cebola em plantio direto na palha é o principal do estado. A área cultivada em 2016 foi de 2.500 hectares (42,7% do total), com produção de 123.310 toneladas. Os principais EDRs produtores são: São João da Boa Vista e Jaboticabal. Em 2017, a área ocupada será de 2.300 hectares (8,0% menor), a produção prevista é de 115,1 toneladas (6,7% menor), com produtividade 50,0 t/ha.

Em 2016, a área total com cebola foi de 5.874 hectares e produção de 245.030 toneladas. Em 2017, a área total será de 5.420 hectares e a produção de 224.790 toneladas (7,3% menor que em 2016).

 

3.6 - Feijão da Seca e de Inverno

O cultivo do feijão no Estado de São Paulo é realizado em três safras, conforme o calendário agrícola: águas (setembro a janeiro), seca (fevereiro a junho) e de inverno (abril a setembro). Porém, essa regra do calendário não é fixa, podendo ocorrer um plantio mais cedo (precoce) ou mais tardio, dependendo do clima e da conjuntura de mercado. O feijão da safra das águas de 2016/17, já finalizada, é a de maior cultivo dentre os 3 tipos, e foram colhidas 166,4 mil toneladas em 67,8 mil hectares.

Para o feijão da seca, o levantamento de abril refere-se ao acompanhamento da safra 2016/17 que se encerra em junho, e os números apontam diminuições de 5,4% na área cultivada (15,1 mil hectares) e de 4,4% na produção em relação à safra passada, sendo esperados uma colheita de 30,4 mil toneladas. Já a produtividade média de 2.016 kg/ha apresenta ganho de 1,1%. A safra da seca é a menor no estado e vem diminuindo seu cultivo a cada ano agrícola, em parte por opção dos produtores de cultivarem outras culturas como a do milho, e também para evitar a propagação da mosca branca (praga), principalmente em áreas após a colheita a soja.

No caso do feijão de inverno (irrigado e sem irrigação), foram obtidas as primeiras informações da safra 2016/17. Em relação à safra anterior (2015/16), a expectativa é de incremento de 16,0% na produção com a estimativa de serem colhidas 77,0 mil toneladas do grão. Esse resultado positivo é por conta do aumento de 12,9% na produtividade (2.532 kg/ha), uma vez que a área cultivada de 30,4 mil hectares é 2,8% maior que a da safra passada. Destaque para o plantio irrigado, que apresenta expansão de 17,1% na área e representa 75% do total da safra de inverno.

Somando as produções das três safras (águas, seca e de inverno), a produção paulista poderá atingir 275 mil toneladas de quantidade colhida nesta safra, 23,8% superior à safra 2015/16.

 

3.7 – Tomate

Em abril, é feito o segundo levantamento da safra de 2017 do tomate envarado (para mesa) e do rasteiro (para indústria). No tomate envarado para consumo in natura, na comparação com a safra passada, foram observadas quedas de 8,6% na produção, com a estimativa de serem colhidas 668,6 mil toneladas, e de 7,8% na área plantada (9,1 mil hectares). Números que confirmam as informações do primeiro levantamento realizado em fevereiro/2017, que apontou essa tendência de diminuição da lavoura, podem ser atribuídos em parte à situação de mercado com os preços recebidos pelos tomateiros no ano de 2016 ficarem muito perto do custo de produção. Quanto à produtividade, tem-se ligeira queda de 0,9% (73,7 t/ha), que representa 700 kg/ha a menos em relação ao ano passado.

Para o tomate rasteiro ou com finalidade para as indústrias, a área cultivada foi de 3,4 mil hectares, com crescimento de 10,5% em relação à safra 2015/16, e espera-se uma produção de 256,6 mil toneladas, 5,2% superior, com queda, porém, de 4,8% na produtividade, com 76,5 t/ha ante a 80,3 t/ha registrada na safra passada. O Estado de Goiás é o principal produtor nacional com 85% e o Estado de São Paulo participa com 12%.

 

3.8 - Mandioca para Indústria e para Mesa

O levantamento de abril aponta redução de 2% na produção paulista de mandioca industrial, ainda reflexo do longo período de preços baixos praticados em 2014 e 2015. A partir de novembro de 2015, os preços recebidos pelos mandiocultores paulistas iniciaram um processo de recuperação, mas ainda insuficiente para estimular os produtores, lembrando que o ciclo de produção da raiz é relativamente longo.

O cultivo de mandioca para mesa permaneceu praticamente estável nesse levantamento de abril, com pequena redução na área cultivada de 1,6%; a produção ficou 0,1% menor e a produtividade teve um leve aumento (0,9%).

 

3.9 – Milho

Neste levantamento são apresentados os resultados do terceiro levantamento de milho 1ª safra (irrigado e não irrigado) e o segundo do milho safrinha. Em relação ao milho de 1ª safra, observa-se queda de área de 1,1% em relação à safra 2015/16, com aumentos de 2,6% na produção e de 3,8% na produtividade (milho total). Essas variações devem se alterar muito pouco no próximo levantamento (fechamento de safra), dado que a colheita já está em andamento na maioria das regiões. Os EDRs de São João da Boa Vista, Itapeva, Avaré e Itapetininga são responsáveis por aproximadamente 41% do volume total produzido no estado. Em relação ao milho safrinha, os resultados apontam uma área 2,7% menor em comparação à safra passada, com produção e produtividade, porém, se recuperando da quebra ocorrida no último ano. Esta recuperação pode ser confirmada ao confrontar a produtividade obtida na safra 2014/15 (85,7 sc. 60 kg/ha) com a produtividade atual (87,6 sc. 60 kg/ha). Nesta safra, os EDRs de Assis e Itapeva concentram metade da produção de milho safrinha no estado (Tabela 3).

 

Tabela 3 - Área, Produção e Produtividade e Variação dos Milhos de Primeira Safra e Segunda Safra (Safrinha), Estado de São Paulo, Safra Agrícola 2015/16 e Levantamento de Abril de 2017 (Safra 2016/17)

Item

Milho

Área

(ha)

Produção

(sc. 60 kg)

Produtividade

(sc. 60 kg/ha)

Safra 2015/16

 

1ª safra

   390.081,2

    37.648.822,2

      96,5

1ª safra (irrigado)

    51.476,5

     7.656.136,7

      148,7

1ª safra total

   441.557,7

    45.304.958,9

      102,6

2ª safra ou safrinha

   428.927,0

    28.410.600,1

      66,2

Abr./2017

 

1ª safra

   388.682,7

    39.005.246,0

      100,4

1ª safra (irrigado)

    47.968,7

     7.480.020,0

      155,9

1ª safra total

   436.651,4

    46.485.266,0

      106,5

2ª safra ou safrinha

   417.273,4

    36.554.625,0

      87,6

Var. %

 

1ª safra

-0,4

3,6

4,0

1ª safra (irrigado)

-6,8

-2,3

4,8

1ª safra total

-1,1

2,6

3,8

2ª safra ou safrinha

-2,7

28,7

32,3

Fonte: Instituto de Economia Agrícola e Coordenadoria de Assistência Técnica Integral.

 

3.10 – Soja

O cultivo da soja segue em expansão no Estado de São Paulo em face do crescimento de 8,0% na área plantada, que alcançou 855,9 mil hectares em 2016/17. A produção é estimada em 2,92 milhões de toneladas, 13,4% maior que a obtida na safra passada. As condições climáticas favoráveis aliadas à adoção de tecnologias propiciaram o aumento de 4,9% na produtividade. A demanda firme pelo grão e derivados – óleo e farelo - nos mercados doméstico e internacional justifica o comportamento do cultivo da oleaginosa.

 

3.11 – Trigo

Os números do segundo levantamento da safra paulista de trigo indicam queda de

3,4% na área cultivada (73,6 mil hectares) com a produção prevista em 223,9 mil toneladas, 1,0% menor também que a da safra anterior. Os números apurados no segundo levantamento de Previsão e Estimativa de Safra Agrícola de 2016/17 levam a crer que a redução de área e produção estimadas têm relação com o comportamento de mercado do produto que, conforme a CONAB, apresenta baixos preços de mercado. Os produtores paulistas, além dos preços do produto desfavoráveis, têm que se preocupar com os efeitos negativos do clima no início e no final da cultura.

 

3.12 - Banana

Abril é o terceiro acompanhamento da safra da cultura da banana no Estado de São Paulo, que está sinalizando pequena redução de área (-0,4%), produção (-1,2%) e produtividade (-0,8%), relativamente aos dados finais de 2015/16. A atividade poderá atingir o total de 1.125,6 mil toneladas da fruta. Os principais EDRs produtores são: Registro, com totais de área de 34,7 mil hectares e produção 798,5 mil toneladas, São Paulo, com 4,4 mil hectares e 66,3 mil toneladas, Jales, com 3,4 mil hectares e 35,6 toneladas e Avaré, com 1,1 mil hectares e 30,6 mil toneladas. No entanto, os EDRs de Jales, Fernandópolis e General Salgado são os que indicaram maiores áreas novas plantadas com a cultura, de 971 hectares, 575 hectares e 539 hectares, respectivamente.

 

3.13 - Café

No terceiro levantamento de estimativa de safra paulista de café de 2016/17, não se registraram variações significativas frente ao levantamento anterior (fevereiro/2017). Verificou-se incremento de produção na margem de 2,25%, ou seja, a quantidade a ser colhida passou a ser estimada em 4,43 milhões de sacas (265,85 mil toneladas), representando, porém, queda de 27,02% frente à produção de 6,07 milhões de sacas colhidas na safra anterior.

Mais de 80% da oscilação na safra decorre da intensa bienalidade registrada no cinturão francano (EDR de Franca) que, de 2,60 milhões de sacas colhidas na safra anterior, encaminha-se para colheita apenas de 1,23 milhão na corrente safra.

 

3.14 - Cana-de-açúcar

O segundo levantamento da safra da cana-de-açúcar no Estado de São Paulo aponta que, em relação ao levantamento de novembro de 2016, houve uma queda na área nova de 3,9% e na área em produção 0,2%, ficando praticamente estável.

A produção de 441,0 milhões de toneladas manteve-se praticamente inalterada (0,6%) em relação à safra 2015/16, e a produtividade apresentou um ligeiro aumento de 0,6%.

Esta estabilidade em termos estaduais ainda é decorrente da crise que se instalou no setor no final dos anos 2000, que se refletem em aspectos como menores investimentos na renovação de canaviais e plantio de áreas novas nos últimos anos.

 

3.15 – Laranja

A segunda estimativa preliminar da safra agrícola para a cultura da laranja, decorrente do levantamento realizado em todos os municípios do Estado de São Paulo, em abril de 2017, foi de 305,4 milhões de caixas de 40,8 kg (12.460 mil toneladas), 17,2% superior ao obtido na safra de 2016 (260 milhões de caixas de 40,8 kg, equivalente a 10.629 mil toneladas). O clima mais ameno e úmido tem sido favorável ao desenvolvimento das plantas, influenciando positivamente o período das floradas e do pegamento. Além disso, a retomada dos investimentos em tratos culturais, impulsionada pelos maiores preços de 2016, reforça a expectativa de aumento na produção. Como consequência, estima-se produtividade agrícola de 29.718 kg/ha, equivalente a 1,9 cx./pé ou 728 cx./ha.

No volume de caixas divulgado estão computados o volume a ser destinado ao mercado, as caixas perdidas no processo produtivo e na colheita, bem como os frutos provenientes de pomares não expressivos economicamente.

Quanto à área total plantada (que inclui área com plantas ainda não produtivas), o levantamento prevê área cultivada maior em 1,5% relativamente ao ano agrícola anterior. Na atual safra registra-se discreto crescimento tanto na área nova quanto na área em produção, embora seja conhecido que há continuidade no processo de erradicação, por conta da eliminação de pomares comprometidos com a incidência de problemas fitopatológicos, principalmente cancro cítrico e HLB (greening).

A área de laranja no estado também tem sido influenciada pelo aumento do custo de produção da cultura e à alta dos preços dos defensivos. Assim sendo, a área total plantada atinge a marca de 446,5 mil hectares para a safra 2017/18, e em aproximadamente 94,0% desta área deverá ser feita a colheita.

 

4 – RESULTADOS COMPLEMENTARES

A tabela 4 fornece o total do estado para as demais culturas, enquanto resultados complementares deste levantamento encontram-se na tabela 5 por EDR e na tabela 6 por Região Administrativa (RA) e Região Metropolitana (RM). O próximo levantamento das safras agrícolas do Estado de São Paulo, a ser realizado em junho, deverá trazer informações mais precisas sobre produções e produtividades para o ano agrícola 2016/17.

 

 

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1Os autores agradecem aos técnicos do DEXTRU, das Casas de Agricultura e diretores dos EDRs, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), pelo desempenho no levantamento. Também agradecem os comentários dos pesquisadores do IEA: Renata Martins Sampaio, Rejane Cecília Ramos, Katia Nachiluk, Celso Luis Rodrigues Vegro, José Roberto da Silva, Marisa Zeferino Barbosa. Também agradecem a colaboração das técnicas de apoio do CPDIEA Talita Tavares Ferreira e Maria Cristina T. J. Rowies, da Oficial de Apoio à Pesquisa Irene Francisca Lucatto do Departamento Administrativo e da equipe do Núcleo de Informática para os Agronegócios do IEA.

Palavras-chave: previsão de safras, área e produção, estimativas, produção agrícola.

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Data de Publicação: 22/06/2017
Autor(es): Vagner Azarias Martins (vagneram@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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