Estimativa de Oferta e Demanda de Milho no Estado de São Paulo em 2019


 

O milho é o sétimo produto do Valor Produção Agropecuária Paulista, com R$2,7 bilhões, antecedido pela cana-de-açúcar, carne bovina, laranja, carne de frango, soja e ovos1. A produção paulista de milho ocupa a sexta colocação no ranking brasileiro, atrás dos seguintes estados: Mato Grosso, Paraná, Goiás, Minas Gerais e Rio Grande do Sul2. São Paulo é, também, o quinto maior exportador, com US$73 milhões deste grão3, atrás de Mato Grosso, Goiás, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Este texto pretende divulgar a Estimativa de Oferta e Demanda de Milho no Estado de São Paulo, a qual contribui para a discussão dos dados, gerando informações e análises para o planejamento estratégico setorial com fins de subsidiar os agentes do mercado nas tomadas de decisões sobre compra, venda e investimento em estoques de milho.

Estima-se que, em 2019, a oferta de milho no Estado de São Paulo esteja apenas 1,4% acima da registrada em 2018, em função do desempenho das diversas variáveis que compõem a oferta, a saber: perda de 14,3% na produção da primeira safra paulista, recuperação de 37,7% na produção da segunda, e declínio de 4,0% nas importações de milho provenientes de outros estados brasileiros (Tabela 1).

A produção de milho obtida na primeira safra paulista foi de 1,94 milhão de tonelada. A redução de 14,3% em relação ao ano anterior pode ser atribuída aos decréscimos tanto da área plantada – pois o produtor tem preferido plantar a soja nesse período devido à maior rentabilidade da oleaginosa -, quanto da produtividade. Inversamente, a segunda safra, com incremento de 37,7%, produziu 2,38 milhões de toneladas em decorrência do ganho de 44,6% na produtividade, pois a área plantada diminuiu 4,8%. Como resultado do desempenho de ambas as safras, a produção de milho no Estado de São Paulo foi 8,2% acima da verificada na safra 2017/18. Ainda, considerando-se que o estoque inicial foi mantido constante, a quantidade de milho disponível para abastecer o mercado doméstico é estimada em 5,02 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 7,0% na disponibilidade interna em relação ao ano passado (Tabela 1).


         No entanto, esse montante não é suficiente para cobrir a demanda estadual, estimada em 9,03 milhões de toneladas, requerindo que o Estado de São Paulo adquira milho de outras unidades da Federação para abastecer seu mercado. Estima-se que a aquisição paulista proveniente de outros estados totalize 4,69 milhões de toneladas, quantidade 4,0% aquém da importada em 2018. Assim, a melhor produção do cereal possibilitou não só a redução das compras de milho produzido em outros estados, mas também contribuiu para que a oferta total de São Paulo aumentasse 1,4% em relação ao ano anterior, alcançando de 9,71 milhões de toneladas. Verifica-se, portanto, que o volume ofertado está 7,5% acima da demanda.

A demanda paulista por milho é composta basicamente por três segmentos de mercado: alimentício (consumo industrial e/ou humano, animal e autoconsumo), insumos/sementes e exportação (Figura 1).

 

 

A estimativa da demanda por alimentação animal, em 2019, é de 6,6 milhões de toneladas, cerca de 73,8% da demanda total e 32,4% superior à disponibilidade de milho no estado. O consumo animal engloba os vários segmentos produtores de proteína animal e criações de animais, sendo que a avicultura de corte responde por 40,3% do total, seguida pela avicultura de postura e pela suinocultura que absorvem 19,5% e 14,7%, respectivamente. O consumo industrial refere-se à quantidade de milho consumida pela indústria de processamento (moagem úmida e moagem seca), para fins de alimentação humana de derivados de milho. Esse segmento absorve 15,6% da demanda total de milho e cresce 0,7% em relação a 2018.

Nesse momento da economia mundial e brasileira, o desempenho do mercado de milho depende do desfecho na relação comercial entre China e Estados Unidos, uma vez que o segundo é o principal fornecedor do primeiro. Mas, considerando-se que a peste suína saiu do controle chinês, o país asiático forçosamente aumentará suas importações de carne, o que amplia as brechas para aumento das exportações brasileiras desse produto. Nesse sentido, o agropecuarista brasileiro tenderá a aumentar sua produção – não só pela de tendência melhores preços adquiridos no mercado externo, como também, no interno. Esse aumento na produção de carnes traz implícito um acréscimo na demanda de milho para consumo animal, o que indiretamente beneficia o produtor de milho que, no curto prazo, poderá receber melhores preços pelo cereal.

  

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1SILVA, J. R. et al. Valor da produção agropecuária do estado de São Paulo: resultado final 2018. Análises e indicadores do agronegócio, São Paulo, v. 14, n. 5, p. 1-6, maio 2019. Disponível em: http://www.iea.
sp.gov.br/out/TerTexto.php?codTexto=14605. Acesso em: maio 2019.

 

2COMPANHIA NACIONAL DE ABASTECIMENTO. Safra 2018/19 - sétimo levantamento. Acompanhamento da safra brasileira de grãos, Brasília, v. 6, n. 7, p. 1-69, abr. 2019. Disponível em: https://www.conab.gov.br/index.php/info-agro/safras/graos. Acesso em: maio 2019.

 

3MINISTÉRIO DE AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. Agrostat: estatísticas de comércio exterior do agronegócio. Brasília: MAPA, 2019. Disponível em: http://agrostat2.agricultura.gov.br/index.htm. Acesso em: abr. 2019. 

 

Palavras-chave: milho, São Paulo, produção, consumo.


 

Data de Publicação: 03/06/2019

Autor(es): Maximiliano Miura (miuramax@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Silene Maria de Freitas (silene@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor