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Demanda de Amido deve favorecer a Cultura da Mandioca

            A produção brasileira de mandioca em 2010, conforme levantamento de abril do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)1, deverá se situar em 27,3 milhões de toneladas, acusando um crescimento de 5% relativamente ao volume obtido no ano anterior, sendo o recorde da década. Entre as cinco regiões geográficas do País o destaque é para as duas maiores produtoras, a Sul e a Nordeste com, respectivamente, 12,2% e 6,7%. Salienta-se o fato de a região Sudeste ter sido a única a acusar decréscimo, de 4,4%, capitaneado por São Paulo com decréscimo estimado em 4,9%.

            A elevação da produção brasileira esta fortemente influenciada pelo aumento de 18% na produção paranaense decorrente da expansão de 28% na área a ser colhida. A produção paranaense é a segunda maior do País, precedida pela do Pará, porém com perfil predominantemente comercial, maior responsável pelo abastecimento das indústrias de fécula e de farinha de mandioca.

            Examinando os preços recebidos pelos produtores paulistas de mandioca, verifica- -se que estão estáveis em termos reais desde janeiro de 2008 enquanto no mercado atacadista da cidade de São Paulo, no mesmo período, os preços da farinha de mandioca começaram a se elevar em setembro de 2009 e, até março de 2010, cresceram 33% (Figura 1). Por outro lado, a fécula de mandioca, cuja produção vem aumentando, apresenta mudança de patamar de preços, de R$800,00 a R$850,00 por tonelada FOB-fábrica em maio de 2009 para R$1.265,00 na primeira semana de maio de 2010, acusando elevação de 55% nos preços praticados no Estado do Paraná, para uma variação de 2,95% no Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) no período.

            A farinha de mandioca e a fécula são os dois principais produtos obtidos a partir do processamento da raiz de mandioca. Enquanto a farinha é um produto final, adquirido pelos consumidores na rede varejista, a fécula, também comercializada no varejo para uso doméstico, é predominantemente um insumo industrial para diversos segmentos, como as indústrias alimentícia, têxtil, papel e celulose, farmacêutica, entre outras. Se o consumo de farinha de mandioca diminui com o aumento da renda, o de amidos aumenta, uma vez que este último é insumo de produtos de maior valor agregado cujo consumo evolui no mesmo sentido da renda, por exemplo, na indústria alimentícia, os processados, os embutidos como salame, mortadela e outros, os congelados, a indústria cervejeira, a de refrigerantes, biscoitos, doces, alimentos em pó, sopas, molhos, etc. Também produtos do vestuário, tanto os de fibras de algodão como de fibra sintética. Na indústria papeleira é utilizado para fortalecer a massa de papel e também para diversificar qualitativamente os produtos.

Figura 1 - Preços Recebidos pelos Produtores Paulistas de Mandioca e de Farinha de Mandioca no Atacado e no Varejo na Cidade de SãoPaulo, Período 2000 a 2010.

Fonte: IEA (2010)2.

            A denominação de fécula se dá aos amidos obtidos de raízes e tubérculos. As principais fontes mundiais de amido são os cereais e as raízes, destacando-se: milho, trigo, batata e mandioca, dependendo da região, assim, no Brasil, o produto é extraído do milho e da mandioca. Em função da fonte, o amido tem especificidades e, portanto, dependendo do objetivo é melhor um ou outro, e, muitas vezes, são substitutos e sua escolha se dá em função dos preços de mercado. A produção brasileira de amido, segundo estimativa do Prof. Olivier Vilpoux, em 2005, foi de 1,8 milhão de toneladas3, das quais, conforme informações da Associação Brasileira da Indústria de Amido de Mandioca (ABAM), 395,4 mil toneladas foram de fécula de mandioca, 22% do total, entretanto, neste ano e no anterior, a produção de fécula ficou abaixo dos patamares vigentes desde 2002, superiores a 500 mil toneladas, sendo que em 2009 a produção brasileira de fécula foi de 583,85 mil toneladas4.

            Nas regiões Sul e Sudeste, notadamente nos Estados do Paraná e Santa Catarina e em São Paulo e Minas Gerais, respectivamente, a indústria de farinha de mandioca compete com a indústria de fécula pela raiz de mandioca. Na região Centro-Oeste, no Estado do Mato Grosso do Sul, o parque industrial de mandioca tem expressão, principalmente voltado para o processamento da raiz para a obtenção da fécula. Os Estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo são os principais produtores de fécula de mandioca, com, respectivamente, 71%, 14% e 13%. Santa Catarina e Goiás são responsáveis cada um pela produção de apenas 1%.

            A atual conjuntura é alvissareira para o mercado de amido, em função de melhoria da renda da população e consequente aumento da procura por produtos mais elaborados, como embutidos, iogurtes, entre outros, que contêm amido. De acordo com trabalho elaborado pelo Centro de Pesquisas Sociais da Fundação Getúlio Vargas sobre as classes econômicas, nas seis principais metrópoles do País, de dezembro de 2002 a dezembro de 2009, a classe média, junção das classes A, B e C, aumentou de 55,22% para 69,21% da população5.

            Empresas processadoras de mandioca em São Paulo, nos últimos anos, vêm fomentando o cultivo de mandioca para garantir o suprimento das fábricas, principalmente através de contratos com agricultores. No final dos anos 1990 poucas grandes empresas líderes do mercado de amido no Brasil, que atuavam basicamente no processamento de milho, adaptaram suas unidades industriais para também processar mandioca e assim operar com as duas principais fontes de amido. Agora assisti-se ao movimento de grandes empresas processadoras de mandioca construindo unidades processadoras de milho, tornando-se assim mais competitivas no mercado de amido.

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1INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Levantamento sistemático da produção agrícola - LSPA. Pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras agrícolas no ano civil. Rio de Janeiro: IBGE, 2010. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em: 08 jun. 2010.

2INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA – IEA. Banco de dados. São Paulo: IEA, 2010. Disponível em: <http:// www.iea.sp.gov.br/out/banco/menu.plp>. Acesso em: jun. 2010.

3VILPOUX, O. Competitividade da mandioca no Brasil, como matéria-prima para o amido. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.11, nov. 2008.

4ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PRODUTORES DE AMIDO DE MANDIOCA - ABAM. Produção brasileira de amido de mandioca 1990 a 2009. Disponível em: <http://www.abam.com.br>. Acesso em: 08 jun. 2010.

5NERI, M. C. (Coord.). A pequena grande década: crise, cenários e a nova classe média. Rio de Janeiro: FGV, 2010. Disponível em: <http://www.dayaneiglesias.com.br/pdf/cpsfgv.pdf >. Acesso em: 7 jun. 2010.

Palavras-chave: amido, fécula, mandioca.

 

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Data de Publicação: 18/06/2010
Autor(es): José Roberto Da Silva (jrsilva@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor