Preços agropecuários encerram mês de Maio com alta de 3,38%

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 encerrou o mês de Maio de 2009 em alta de 3,38%. O índice dos produtos de origem vegetal (IqPR-V) fechou com variação positiva de 4,77%, enquanto que o índice dos produtos de origem animal (IqPR-A) terminou o mês com variação negativa de 0,05% (Tabela 1).

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, os índices do IqPR e o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) caem consideravelmente mas fecham positivamente em 0,78% e 1,57%, respectivamente (Tabela 1).

Tabela 1 - Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, Maio de 2009 e Acumulado nos Últimos 12 Meses.
Índice Acumulado
São Paulo
São Paulo - sem cana
Variação Maio/09
Acumulado nos últimos 12 meses
Variação Maio/09
Acumulado nos últimos 12 meses
IqPR
3,38 % 
4,34 %
0,78 % 
- 4,42 %
IqPR-V
4,77 % 
4,94 %
1,57 % 
- 6,87 %
IqPR-A
- 0,05 % 
- 2,52 %
Fonte: Instituto de Economia Agrícola

            Para o acumulado dos últimos 12 meses, os resultados dos índices mostram variações positivas para o IqPR em 4,34%, e para o IqPR-V em 6,94%, já o IqPR-A (origem animal) a variação acumulada ficou negativa em 2,52%. Desconsiderando a cana-de-açúcar do cálculo do índice, os resultados acumulados apresentam quedas significativas e terminam o período com variações negativas, o IqPR fecha com -4,42% e o IqPR-V em -6,87% (Tabela 1).

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, Maio de 2009.




            Os produtos do IqPR que registraram altas no mês de Maio, em comparação com o mês anterior, foram: feijão (18,74%), cana de açúcar (7,12%), leite tipo C (6,85%), milho (6,42%) e soja (6,17%) (Tabela 2).

            Em relação ao feijão, a estiagem na região Sul do Brasil provocou redução na safra anunciada e os preços começam a reagir com maior intensidade. Entretanto, mostra-se fundamental atentar que os mesmos partem de patamar muito baixo, inferiores mesmo ao custo médio de produção, tanto assim que ainda os preços estão bastante menores que os verificados no mesmo período de 2008. Logo, tem-se ainda um processo de recuperação da rentabilidade dessa lavoura.

            Os preços da cana-de-açúcar apresentaram ganhos em função do aumento dos preços internacionais do açúcar e conseqüente incremento das exportações de açúcar, fato proporcionado pela quebra de safra em grandes produtores mundiais.

            As altas nas cotações dos leites (principalmente o tipo C) são em virtude da diminuição da oferta do produto, já que as pastagens estão com baixa qualidade pela falta de chuva em algumas regiões (Centro Sul) e pelo excesso em outras (Norte-Nordeste). Entretanto este aumento não justifica os altíssimos preços praticados no varejo, esta majoração é observada para o leite UHT ('caixinha'), já o leite pasteurizado ('saquinho') e o leite em pó não apresentaram um aumento tão expressivo.

            Em relação ao milho, houve recuo da situação vivida em 2008 quando as exportações brasileiras do produto foram relevantes. A queda dos preços internacionais vem sendo compensada pela retomada do consumo interno, pressionado pela quebra da safra de verão. Além disso, trata-se ainda de um processo de acomodação dado que os preços ainda estão menores que no mesmo período de 2008.

            Na soja, produto no qual o Brasil constitui-se em relevante agente internacional, os preços internacionais e a desvalorização cambial explica o movimento ascendente dos preços internos que já estão superiores aos verificados em igual período de 2008.

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços no mês de Maio foram: tomate (29,39%), carne suína (12,86%), amendoim (8,34%), ovos (4,77%) e arroz (2,88%) (Tabela 2).

            Para o tomate, a maior disponibilidade do produto no mercado fez com que sua cotação recuasse.

            Para a carne suína, a queda das cotações está associada à redução do consumo, provavelmente pelas noticias da gripe A (H1N1), chamada erroneamente de gripe suína (os meios de comunicação continuam a utilizar o termo, apesar dos esclarecimentos das autoridades).

            No caso dos ovos, a queda dos preços é decorrência da redução do consumo no período posterior a quaresma, quando sua cotação estava em alta devida a demanda aquecida, porém a tendência para as próximas semanas é de elevação dos preços.

            Em Maio, dos produtos analisados, 11 apresentaram alta de preços (8 de origem vegetal e 3 de origem animal) e 6 apresentaram queda (4 de origem vegetal e 2 produtos de origem animal).

            Na comparação dos preços de Maio de 2009 com o mesmo período do ano anterior, somente 3 produtos tiveram variações positivas e 14 variações negativas. As altas registradas no período de 12 meses foram: cana de açúcar (17,34%), soja (8,95%) e café (0,69%). Já as maiores quedas (variações negativas) foram verificadas nas cotações do amendoim (53,04%), tomate (44,08%), feijão (42,04%), trigo (33,57%), carne suína (28,35%), banana (25,57%) e milho (21,88%) (Tabela 2).

            O algodão não apresentou variação nos últimos 12 meses devido à escassez do produto naquela época do ano.
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¹A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 01/05/2009 a 31/05/2009 e base = 01/04/2009 a 30/04/2009.

²Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

Data de Publicação: 04/06/2009

Autor(es): Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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