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Preços Agropecuários: encerram o mês de Julho em queda de 2,95%

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 encerrou o mês de Julho de 2010 com variação negativa de 2,95%.O IqPR-V (produtos de origem vegetal) registrou queda de 5,53%, enquanto que o IqPR-A (produtos de origem animal) encerrou o mês com variação positiva de 3,43% (Tabela 1).

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, os índices IqPR e IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) terminaram o mês com índices negativos, fechando em 1,84% e 6,86%, respectivamente (Tabela 1).

Tabela 1 - Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, Julho de 2010 e Acumulado nos Últimos 12 Meses.

Índice Acumulado
São Paulo
São Paulo - sem cana
Variação 

Julho/10

Acumulada 

12 meses

Variação 

Julho/10

Acumulada 

12 meses

IqPR
- 2,95 % 
28,61 %
- 1,84 %
30,77 %
IqPR-V
- 5,53 %
40,28 %
- 6,86 %
61,59 %
IqPR-A
3,43 %
1,82 %
-
-

Fonte: Instituto de Economia Agrícola

            Para a variação dos índices acumulados nos últimos 12 meses, os resultados mostram expressivas variações positivas para o IqPR de 28,61% e para o IqPR-V (vegetais) de 40,28%. Para o IqPR-A (animais) o acumulado fechou positivamente em 1,82%.

            Desconsiderando a cana-de-açúcar no cálculo acumulado dos índices, o IqPR fecha em 30,77% e o IqPR-V em 61,59%, ambos positivamente (Tabela 1), puxados, principalmente, pelas elevações dos preços da laranja para mesa (95,91%), do amendoim (52,94%), do algodão (43,13%), da banana nanica (42,31%) ,do café (24,14%) e do feijão (24,13%). Os preços da cana-de-açúcar elevaram-se em 24,75% (Tabela 2). Ressalte-se que para o feijão, laranja para mesa e amendoim, os preços de 2009 estiveram entre os mais baixos, e que, para a maioria dos produtos, em especial nos de safra anual, houve considerável redução do plantio e da oferta. Já a cana-de-açúcar, mesmo com a apreciação cambial vigente, teve preços refletindo a alta da demanda internacional.

            Ainda em relação ao período acumulado, nota-se que os preços dos grãos mostram comportamentos distintos, principalmente do milho (-12,81%), do trigo (-24,09%) e da soja (-22,69%), não apenas por conta do reajuste da oferta das principais nações produtoras, como também da redução da demanda com a diminuição das compras internacionais (Tabela 1).

Tabela 2 - Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, Julho de 2010.

Origem
Produto
Unidade
Cotações (R$)
Variação mensal (%)
Variação Jul/09-Jul/10 (%)
Junho/10
Julho/10
VEGETAL
Algodão
15 kg
52,62
56,40
7,19
43,13
Amendoim
sc.25 kg
32,12
29,06
-9,53
52,94
Arroz
sc.60 kg
36,04
33,65
-6,63
-3,92
Banana nanica
cx.21 kg
11,45
11,97
4,54
42,31
Batata
sc.60 kg
55,65
32,34
-41,88
-26,20
Café
sc.60 kg
276,04
292,90
6,11
24,14
Cana-de-açúcar 
t de ATR
369,60
352,80
-4,55
24,75
Feijão
sc.60 kg
134,39
105,95
-21,16
24,13
Laranja p/ Indústria
cx.40,8 kg
13,98
14,54
3,99
...
Laranja p/ Mesa 
cx.40,8 kg
16,77
14,37
-14,33
95,91
Milho
sc.60 kg
15,25
15,12
-0,91
-12,81
Soja
sc.60 kg
34,13
34,64
1,48
-22,69
Tomate p/ Mesa
cx.22 kg
23,19
11,55
-50,20
-41,06
Trigo
sc.60 kg
23,00
23,00
0,00
-24,09
ANIMAL
Carne Bovina
15 kg
80,44
81,77
1,65
3,42
Carne de Frango
Kg
1,35
1,57
15,52
-13,51
Carne Suína
15 kg
49,68
50,19
1,02
25,95
Leite B
Litro
0,84
0,83
-1,60
0,08
Leite C
Litro
0,79
0,78
-1,55
0,21
Ovos
30 dz
40,68
39,37
-3,23
3,88
Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Falando das variações dos produtos do IqPR no mês de julho, os que registraram as maiores altas foram: carne de frango (15,52%), algodão (7,19%), café (6,11%), banana nanica (4,54%) e laranja para indústria (3,99%) (Tabela 2).

            Para a carne de frango, a variação positiva mostra de um lado a recuperação dos preços praticados nos meses anteriores e, de outro, corresponde a uma resposta ao aumento dos preços do substituto representado pela carne bovina.

            No caso do algodão os preços respondem à queda dos estoques internacionais e à quebra da safra dos cerrados, principal região produtora brasileira, que atingiu até 20% em razão da seca.

            A oferta de um produto de melhor qualidade, junto a um aumento da demanda internacional tem elevado os preços do café.

            A oferta reduzida de banana tem afetado os preços, estando esta ocorrência associada à continuidade de baixas temperaturas (com a redução na umidade do ar) que vêm retardando o crescimento da fruta desde o final de maio, prolongando o tempo necessário à formação dos cachos de banana e gerando a escassez que provoca aumento nos preços.

            Na laranja para indústria a prevalência dos contratos sustenta a alta de preços numa realidade de queda expressiva dos preços das vendas de laranja 'in natura'.

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços em Julho foram: tomate para mesa (50,20%), batata (41,88%), feijão (21,16%), laranja para mesa (14,33%) e amendoim (9,53%) (Tabela 2).

            Para o tomate para mesa, na esperada reversão da tendência de alta, os preços se ajustam à maior entrada de produto, em movimentos tanto para cima como para baixo, com variações de amplitude elevada.

            Os preços da batata derivam da diferença do alto valor cotado no início da safra (começo de maio) com os valores menores das últimas semanas, em decorrência da maior entrada de produto no mercado desta olerícola.

            No feijão, conforme esperado, as colheitas do final da safra das secas (que em muitos casos havia tido plantio atrasado por limitações climáticas) e as primeiras expectativas da produção da safra de inverno, reverteram as tendências dos preços no sentido da diminuição.

            Na laranja de mesa, o frio mais intenso produziu a redução da demanda de laranja 'in natura' para sucos caseiros e nos bares, restaurantes e mesmo hotéis produzindo com isso queda significativa dos preços. Com isso praticamente são igualados os preços das destinações de mesa e de indústria, esta última com pequeno aumento.

            Para o amendoim, a retração do preço reflete a queda da demanda com o final do período das festas juninas que caracterizam o pico de consumo. Porém, os preços atuais para o produtor estão 53% mais alto do que o mesmo período do ano passado.

            No período analisado, 8 produtos apresentaram alta de preços (5 de origem vegetal e 3 de origem animal) e 11 apresentaram queda (8 de origem vegetal e 3 de origem animal) e o preço do trigo não teve variação no período.

            Olhando os preços nos últimos doze meses, as principais quedas ficaram por conta das olerícolas - tomate para mesa (-41,06%) e batata (-26,20%) - fundamentalmente face à situação conjuntural: neste ano a grande oferta se contrapõe à situação de 2009 quando se teve preços altos.

            No caso dos grãos, produtos que são commodities relevantes do mercado internacional, nota-se queda dos preços do trigo (24,09%) e da soja (22,69%) e em menor grau do milho (12,81%) e do arroz (3,92%). Para as culturas da soja e do milho a menor renda dos lavradores deriva de exportações que sofreram os impactos dos preços internacionais cadentes e do câmbio valorizado. No trigo e no arroz, as possibilidades de importações mais baratas dessa quadra da conjuntura macroeconômica é que derrubam os preços internos.

            Os preços mais baratos dos ingredientes da ração animal (soja e milho), de certa forma, compensam a queda do preço internacional da carne de frango (13,51%), dada a redução do ritmo das vendas externas.

            Em situação inversa de altas expressivas, em relação ao similar período de 2009, destaca-se a laranja para mesa (95,91%), que reverte a situação de vigência dos menores preços da década vivenciada há 12 meses.

            Em seguida, têm-se o amendoim (52,94%) e o algodão (43,13%) mostrando situação em que a oferta brasileira, nesta safra, está manifestamente menor que a demanda interna. No caso do amendoim, o Brasil ocupa posição de destaque no mercado internacional e no algodão a agroindústria têxtil enfrenta a diminuição dos estoques internacionais neste ano.

            Nos casos da banana (42,31%) e do feijão (24,13%) os preços, no corrente ano, se mostram bastante mais elevados que os vigentes no ano passado quando estiveram muito baixos. Ao lado dessas duas lavouras de mercado interno, também apresentam preços mais altos, em relação ano anterior, como decorrência dos maiores preços internacionais, a cana-de-açúcar (24,75%) e o café (24,14%) cujas cotações internas crescem mesmo com o câmbio valorizado.

            Nos produtos animais a maior elevação nos últimos doze meses, alta também derivada do mercado internacional, ocorreu com a carne suína (25,95%), patamares muito maiores que os do ovo (3,88%) e da carne bovina (3,42%) que se revelaram inferiores à inflação.

            Interessante verificar que os preços agropecuários tiveram aumento puxado pelos produtos vegetais que crescem de julho de 2009 a maio de 2010, tendo recuado nos últimos dois meses pelo recuo dos preços da cana-de-açúcar. Os produtos animais mostram queda e estabilidade até janeiro de 2010, mantendo-se crescentes nos meses seguintes (Figura 1).

Figura 1. Evolução do Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, Julho de 2009 a Julho de 2010. 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

___________________
1 A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 01/07/2010 a 31/07/2010 e base = 01/06/2010 a 30/06/2010.

2 Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573 

 

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Data de Publicação: 05/08/2010
Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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