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Preços Agropecuários: queda de 2,35% na primeira quadrissemana de agosto

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 registrou queda de 2,35% na primeira quadrissemana de agosto de 2010. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) também fechou com variação negativa de 4,63% e o IqPR-A (produtos de origem animal) teve alta de 3,30% (Tabela 1).

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana de Agosto de 2010.

São Paulo
São Paulo s/cana
IqPR
- 2,35
- 1,31
IqPR-V
- 4,63
- 5,69 
IqPR-A
3,30 
-
Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, o IqPR e o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) fecham negativamente em 1,31 e 5,69%, respectivamente (Tabela 1).

Tabela 2 – das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 1ª Quadrissemana - Agosto de 2010.

Origem
Produto
Unidade
Cotações (R$)
Variação quadrissemanal (%)
1ª Julho/10
1ª Agosto/10
VEGETAL
Algodão
15 kg
53,76
56,25
4,63
Amendoim
sc.25 kg
31,38
28,92
-7,85
Arroz
sc.60 kg
35,65
33,89
-4,93
Banana nanica
cx.21 kg
11,72
11,97
2,13
Batata
sc.60 kg
53,38
30,30
-43,24
Café
sc.60 kg
281,16
296,55
5,47
Cana-de-açúcar 
t de ATR
365,60
351,53
-3,85
Feijão
sc.60 kg
126,54
102,33
-19,13
Laranja p/indústria
cx.40,8 kg kg
14,07
14,48
2,87
Laranja p/Mesa 
cx.40,8 kg
16,12
14,26
-11,54
Milho
sc.60 kg
15,18
15,27
0,61
Soja
sc.60 kg
33,94
35,56
4,76
Tomate p/ Mesa
cx.22 kg
20,17
12,24
-39,31
Trigo
sc.60 kg
23,00
23,00
0,00
ANIMAL
Carne Bovina
15 kg
80,83
82,41
1,94
Carne de Frango
Kg
1,38
1,60
16,06
Carne Suína
15 kg
49,48
50,35
1,75
Leite B
Litro
0,84
0,83
-1,41
Leite C
Litro
0,79
0,78
-1,53
Ovos
30 dz
41,45
38,57
-6,96

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas nesta quadrissemana foram: carne de frango (16,06%), café (5,47%), soja (4,76%), algodão (4,63%), laranja para indústria (2,87%) e banana nanica (2,13%). (Tabela 2).

            Para a carne de frango, os preços muito baixos do segundo trimestre do ano levaram à redução do alojamento de pintos e à conseqüente adequação da oferta, provocando a recuperação das cotações, além de que a demanda externa tem pressionado os preços internos.

            A oferta de um produto de melhor qualidade, junto a um aumento da demanda internacional tem elevado os preços do café, que vem mostrando elevações internas a despeito da valorização cambial.

            Ademais em regiões relevantes de produção de commodities (grãos), como a soja, têm-se apresentado problemas climáticos de seca na Austrália, Rússia e Ucrânia que afetam esses produtos. Esse fenômeno eleva preços e forma expectativas no mercado financeiro de aposta na alta dos alimentos no mercado futuro. Embora o maior aumento esteja atingindo o trigo, seu efeito ainda não se fez sentir no Brasil (Tabela 2), que ainda consome estoques adquiridos a preços baixos. O mesmo acontece com o milho e apenas a soja mostra início de alta.

            No caso do algodão os preços respondem à queda dos estoques internacionais e à quebra da safra dos cerrados, principal região produtora brasileira, que atingiu até 20% em razão da seca. Por outro lado a demanda interna que aumenta com o crescimento econômico gerando impacto sobre os preços.

            Na laranja para indústria a prevalência dos contratos sustenta a alta de preços numa realidade de queda expressiva dos preços das vendas de laranja 'in natura'. Tanto assim que fruto dessa proteção contratual os preços da laranja para indústria superou os da fruta 'in natura'.

            A oferta reduzida de banana tem afetado os preços, estando esta ocorrência associada à continuidade de baixas temperaturas que vêm retardando o crescimento da fruta desde o final de maio, prolongando o tempo necessário à formação dos cachos de banana e gerando a escassez que provoca aumento nos preços.

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços na primeira quadrissemana de agosto foram: batata (43,24%), tomate para mesa (39,31%), feijão (19,13%), laranja para mesa (11,54%) e amendoim (7,85%) (Tabela 2).

            Os preços da batata apresentam queda acentuada em decorrência da maior entrada desse produto no mercado no momento atual, diferente das altas cotações que ocorreram no segundo trimestre.

            Para o tomate para mesa, o movimento de preços é muito semelhante ao da batata, e ambos passam de vilões da inflação nos meses anteriores para fatores de redução do custo de vida nos meses atuais.

            No feijão, conforme esperado, as colheitas do final da safra das secas (que em muitos casos havia tido plantio atrasado por limitações climáticas) e as primeiras expectativas da produção da safra de inverno, reverteram as tendências dos preços no sentido da diminuição.

            Na laranja de mesa, o frio mais intenso produziu a redução da demanda de laranja 'in natura' para sucos caseiros e nos bares, restaurantes e mesmo hotéis produzindo com isso queda significativa dos preços. Com isso praticamente são igualados os preços das destinações de mesa e de indústria, esta última com pequeno aumento.

            Para o amendoim, a retração do preço reflete a queda da demanda com o final do período das festas juninas que caracterizam o pico de consumo. Porém, os preços atuais para o produtor estão mais altos do que o mesmo período do ano passado (o preço médio de agosto de 2009 foi de R$18,00).

            No período analisado, 9 produtos apresentaram alta de preços (6 origem vegetal e 3 de origem animal) e 10 apresentaram queda (7 vegetal e 3 animal) e o preço do trigo não teve variação no período.

____________________________
1 A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 09/07/2010 a 08/08/2010 e base = 09/06/2010 a 08/07/2010.

2 Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573 

 

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Data de Publicação: 11/08/2010
Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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