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Preços Agropecuários: alta de 3,21% na segunda quadrissemana de setembro

            O Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista (IqPR)1,2 continuou registrando alta de 3,21% na segunda quadrissemana de setembro de 2010. O IqPR-V (produtos de origem vegetal) encerrou com elevação de 2,33%, e o IqPR-A (produtos de origem animal) fechou com alta significativa de 5,38 (Tabela 1).

Tabela 1. Variação Percentual do IqPR, Estado de São Paulo, 2ª Quadrissemana de Setembro de 2010.



            Quando a cana-de-açúcar é excluída do cálculo do índice, devido a sua importância na ponderação dos produtos, tanto o IqPR e quanto o IqPR-V (cálculo somente dos produtos vegetais) fecham, positivamente e com maior intensidade, em 6,00% e 6,59%, respectivamente (Tabela 1). Isso mostra que a queda dos preços da cana-de-açúcar (0,79%) tem impactos relevantes na renda da agropecuária paulista, reflexo tanto do ponto de vista da ocupação do espaço territorial, como na renda bruta e nas exportações da agricultura estadual.

Tabela 2 – Variações das Cotações dos Produtos, Estado de São Paulo, 2ª Quadrissemana - Setembro de 2010.

 

Fonte: Instituto de Economia Agrícola (IEA).

            Os produtos do IqPR que registraram as maiores altas nesta quadrissemana foram: tomate para mesa (31,11%), algodão (21,21%), trigo ( 15,82%), milho (13,48%), laranja para mesa (11,20%), carne suína (9,39%), soja (8,11%), carne bovina (7,90%) e carne de frango (7,10%) (Tabela 2).

            No caso do tomate de mesa, a atual majoração de preços ganhou intensidade, devido às baixas temperaturas nas primeiras semanas de agosto que, em conjunto com a estiagem prolongada, afetaram a produção. Porém, em comparação com o mesmo período do ano passado, o preço está menor em 60%, isto se deve à expansão da área cultivada pelos produtores.

            Para o algodão, os reduzidos estoques internacionais associados à produção brasileira não suficiente para atender a pressão de demanda, decorrente da economia em crescimento, pressionam os preços internos da fibra para cima, processo que tem como limite a entrada da nova safra.

            Na soja, milho e trigo, problemas climáticos de seca na Austrália, Rússia e Ucrânia e a nova estimativa americana com redução na produtividade do milho, elevaram os preços no mercado internacional e criaram expectativas no mercado financeiro de aposta na alta dos alimentos no mercado futuro. Esses preços continuam com perspectivas de alta, nas principais bolsas formadoras dos preços internacionais que, nas condições brasileiras, superam a valorização cambial, aliviando no curto prazo os impactos da política cambial.

            Para a carne suína, o consumo interno aquecido do produto propiciou a elevação dos preços, mesmo com as exportações em declínio não permitindo um aumento maior no período. Cabe salientar que os custos de produção de suínos estão subindo, em virtude dos aumentos das cotações do milho e da soja, o que possivelmente acarretará um movimento altista para os próximos meses.

            Para carne bovina, as cotações continuam em ascensão em função do período de entressafra que reduziu a oferta de boi gordo. Esse movimento de alta afeta diretamente o preço da carne de frango que passa a ter maior procura pelos consumidores no varejo e, consequentemente, apresenta aumento de seu preço para o produtor.

            Com uma menor produção na atual safra de laranja pêra, seus preços atuais in natura, para os produtores paulistas, apresentam reajustes maiores que 100% em relação ao mesmo período de 2009.

            Os produtos que apresentaram as maiores quedas de preços na segunda quadrissemana de setembro foram: batata (20,48%), ovos (3,84%), amendoim (3,47%), leite tipo C (0,94%) e cana-de-açúcar (0,79%) (Tabela 2).

            Os preços da batata apresentam queda acentuada em decorrência da maior entrada desse produto no mercado no momento atual, diferente das altas cotações que ocorreram no segundo trimestre. Mais uma vez manifesta-se a gangorra de preços, típica dos mercados de perecíveis agropecuários em conjunturas de volatilidade, derivadas de fenômenos climáticos.

            A oferta de ovos vem acompanhando os movimentos da demanda com suprimento um pouco maior que o consumo, seja doméstico seja na agroindústria de panificação, levando a quedas dos preços.

            Para o amendoim, a retração do preço se deve a ajustes nos estoques de passagem, ainda que os preços atuais para o produtor estejam mais altos do que o mesmo período do ano passado. Dessa forma, com oferta superior à demanda manifesta nas transações internas, produz-se tendência de preços declinantes no curto e médio prazo.

            A queda de preços do leite C em plena entressafra é devida à maior oferta do produto no mercado nacional ocasionada pela importação do produto, principalmente do Uruguai.

            No período analisado, 13 produtos apresentaram alta de preços (9 origem vegetal e 4 de origem animal), 6 apresentaram queda (4 origem vegetal e 2 origem animal).
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¹A fórmula de cálculo do índice (IqPR) é a de Laspeyres modificada, ponderada pelo valor da produção agropecuária paulista. As cotações diárias de preços são levantadas pelo IEA e divulgadas no Boletim Diário de Preço. As variações são obtidas comparando-se os preços médios das quatro últimas semanas (referência) com os preços médios das quatro primeiras semanas (base), sendo a referência = 16/08/2010 a 15/09/2010 e base = 16/07/2010 a 15/08/2010.

² Artigo completo com a metodologia: Pinatti, E.; Sachs, R.C.C.; Angelo, J.A.; Gonçalves, J.S. Índice quadrissemanal de preços recebidos pela agropecuária Paulista (IqPR) e seu comportamento em 2007. Informações Econômicas, São Paulo, v.38, n.9, p.22-34, set.2008. Disponível em: http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=9573

 

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Data de Publicação: 20/09/2010
Autor(es): José Alberto Angelo (alberto@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
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