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Amendoim: perspectivas para a safra paulista 2010/11

            Nas últimas cinco safras a produção paulista de amendoim tem atingido em média 200 mil toneladas por ano, plantadas em duas safras que somam em média quase 80 mil hectares e produtividade em torno de 2.600 kg/ha. Particularmente na safra 2009/10, as produtividades médias1 tanto da safra das águas quanto da seca ficaram abaixo daquela cifra. Assim, mesmo para uma área plantada próxima das safras anteriores, os patamares de produção ficaram abaixo das duas safras anteriores, em torno de 186 mil toneladas (Figura 1).

Figura 1 - Área e Produção de Amendoim, Estado de São Paulo, 2006 a 2010.

Fonte: INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA – IEA. Área e produção dos principais produtos da agropecuária. Banco de Dados, São Paulo: IEA, 2010. Disponível em: <http://ciagri.iea.sp.gov.br/bancoiea/subjetiva. aspx?cod_sis=1>. Acesso em: 08 nov. 2010.

            Esse cenário que atinge a safra 2009/10 encontra respaldo nas varáveis externas que afetam a produção agrícola, em especial as climáticas. Além disso, deve-se considerar a decisão de investimentos por parte dos produtores. No período que se estende do plantio à colheita – setembro a março, os preços médios mensais recebidos pelos produtores estavam em torno de R$21,502 a saca de 25 kg, condicionando, assim, o comportamento da produção das águas e do plantio e condução da safra da seca, que registrou produtividade 50% menor que as médias alcançadas no período de 2006 a 2009.

            O comportamento dos preços médios recebidos pelos produtores acompanha a demanda interna do produto, mas também sofre influências das condições externas de mercado, pois boa parte da produção paulista de amendoim é exportada, principalmente em grão descascado e em óleo bruto. Esses dois produtos juntos respondem por mais de 90% das exportações vinculadas à cadeia de produção do amendoim. Porém, o amendoim descascado continua sendo o carro chefe, respondendo por 60% dos valores exportados.

            A figura 2 apresenta a evolução das exportações de amendoim descascado para os nove primeiros meses de cada ano. Na sequência é possível observar, por um lado, o aumento constante dos volumes exportados como consequência dos níveis de produção. Por outro, ao se considerar valores, as resultados mostram estabilidade a partir de 2008. Dessa forma, para os mesmos valores exportam-se maiores volumes com cotações menores evidenciadas pelo comportamento cambial. A mesma dinâmica pode ser observada nas exportações de óleo bruto, porém o produto apresenta cotações superiores ao amendoim descascado o que de certa forma explica o aumento de volume de óleo exportado em 2009 (Figura 3).

Figura 2 - Quantidade e Valor Exportado de Amendoim Descascado, Brasil, Período de Janeiro a Setembro de 2007 e de 2010.

Fonte: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR. SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR - SECEX. Sistema de análise das informações de comércio exterior (ALICE-web). Brasília: SECEX, 2010. Disponível em: <http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br>. Acesso em: 9 nov. 2010.

            Ao se considerar os dados de exportação, agrupados por trimestres, do amendoim descascado, é possível notar que a cada trimestre os volumes exportados são crescentes, com destaque para o segundo trimestre de 2009, com 15,8 mil toneladas e o terceiro trimestre de 2010 com 16,6 mil toneladas exportadas; quantidades acima das registras em 2007, em torno de 8 mil toneladas e, em 2008, de 10 mil toneladas. Para o óleo bruto de amendoim, os volumes trimestrais ficam entre 3 e 8 mil toneladas, com exceção para o segundo trimestre de 2009 com 12 mil toneladas.

Figura 3 - Quantidade e Valor Exportado de Óleo Bruto de Amendoim, Brasil, Período de Janeiro a Setembro de 2007 e de 2010

Fonte: MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR. SECRETARIA DE COMÉRCIO EXTERIOR - SECEX. Sistema de análise das informações de comércio exterior (ALICE-web). Brasília: SECEX, 2010. Disponível em: <http://aliceweb.desenvolvimento.gov.br>. Acesso em: 9 nov. 2010.

            A ampliação das exportações e o equilíbrio do destino da produção entre amendoim descascado e óleo bruto têm garantido o escoamento da produção e os níveis de estoque dentro de patamares que oferecem alguma estabilidade de preços no mercado interno. Tanto que nos quatro primeiros meses de 2010, os preços médios recebidos pelos produtores apresentam tendência de alta3, em torno de 13%, quando comparados com os preços praticados no mesmo período de 2009. Cabe destacar que esse período corresponde à entrada da produção da safra das águas e, portanto, da possibilidade de queda de preços.

            A tendência de alta dos preços é mantida ao longo dos meses inclusive no período de agosto a outubro de 20104, quando se iniciam o planejamento e o plantio da próxima safra das águas. Para essa safra os custos de produção apresentam pequeno aumento quando comparados à anterior, devido principalmente aos ajustes nos valores de arrendamento de terras e de alguns insumos utilizados. Dessa forma, o custo de produção estimado5 para as variedades rasteiras é de R$2.811,00/ha e para as variedades eretas em torno de R$2.545,00/ha.

            A dinâmica das safras de amendoim dos últimos três anos tem apresentado certa estabilidade em relação à área plantada no Estado de São Paulo, principalmente para o plantio das águas. Nesse sentido, espera-se que na safra 2010/11 essa tendência seja mantida, mesmo considerando suas características de plantio, atreladas às áreas de renovação de canaviais e, portanto, às expectativas de planejamento das usinas produtoras de açúcar e etanol. A mesma perspectiva pode ser considerada em relação ao volume de produção, embora as condições climáticas e de investimentos na produção sejam variáveis fundamentais para acomodar essa visão. A conjunta de mercado, vinculada ao aumento do consumo interno de produtos à base de amendoim e às exportações, principalmente pela conquista de espaço em países da Europa e da América Latina, torna-se um elemento chave no comportamento da safra de amendoim paulista.

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1CASER, D. V. et al. Previsões e estimativas das safras agrícolas do estado de São Paulo, ano agrícola 2009/10, junho de 2010. Informações Econômicas, São Paulo, v. 40, n. 8, p. 01-18, ago. 2010.

2INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Preços médios mensais recebidos pelos produtores. Banco de Dados. São Paulo: IEA, 2010. Disponível em: <http://ciagri.iea.sp.gov.br/nia1/Precos_Medios. aspx?cod_sis=2>. Acesso em 09 nov. 2010.

3ANGELO, J. A. et al.Preços agropecuários encerram o mês de maio com alta de 8,66%. Destaques, São Paulo: IEA, jun. 2010. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=11911>. Acesso em: 8 nov. 2010.

4______. Preços agropecuários encerram o mês de outubro em alta de 2,37%. Destaques, São Paulo: IEA, nov. 2010 Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/verTexto.php?codTexto=12003>. Acesso em: 10 nov. 2010.

5Estimativa baseada na metodologia de custos de produção do IEA. Coeficientes técnicos fornecidos pela COPLANA e pela COPERCANA e preços de insumos praticados em julho de 2010.

Palavras-chave: amendoim, safra 2010/11, exportações, São Paulo.

 

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Data de Publicação: 17/11/2010
Autor(es): Renata Martins (renata@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor