Valor da Produção Agropecuária por Região, Estado de São Paulo, 2014: resultado final

O cálculo do resultado final da estimativa de valor da produção agropecuária (VPA) do Estado de São Paulo para o ano de 2014 revelou que o mesmo ficou situado em R$57,0 bilhões, o que implica queda de 0,9% relativamente ao resultado obtido no ano de 2013, de R$57,5 bilhões, em valores correntes (Tabela 1). Quando os valores foram deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)1, de 6,41%, a queda foi de 6,9%, em termos reais.

Neste trabalho, foi calculada a estimativa final do VPA de 2014 por região, visando analisar a distribuição geográfica de renda das atividades produtivas da agropecuária do estado. Para tanto, foi considerada a regionalização da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI), que agrupa os 645 municípios paulistas nas 40 regiões agrícolas, administradas por Escritórios de Desenvolvimento Rural (EDRs). A escolha dos produtos e o método para o cálculo são os mesmos utilizados para trabalho similar que focou o estado como um todo. Para o VP regional, por não haver informações regionalizadas, não são considerados os produtos florestais.

 Os dados da produção vegetal e animal foram obtidos de levantamentos sistemáticos de previsões e estimativas de safra realizados em todos os municípios do estado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) e pela CATI, ambos da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Quanto aos preços dos produtos agropecuários (valores médios correntes de janeiro a dezembro de 2013 e 2014), estes foram obtidos das seguintes fontes:

1) Banco de Dados do IEA2

2) Companhia de Entreposto e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP)3, para produtos olerícolas (exceto batata, cebola, mandioca para mesa e tomate) e frutas (exceto banana, laranja para mesa, limão e tangerina), ponderando-se por variedade para cada espécie e por decomposição dos preços de venda no atacado; e

3) Conselho de Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Pau-

 

 

lo (CONSECANA), que tem como fonte os preços fornecidos pela Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (ORPLANA) para preço médio recebido pelos produtores de cana-de-açúcar.

A produção agropecuária em São Paulo em 2014 foi afetada com maior ou menor intensidade, dependendo do produto e da época do ano em que ocorreu o seu desenvolvimento, pela falta de chuvas, altas temperaturas e radiação solar, que acarretaram perdas econômicas, por redução de produtividade e/ou por decisão dos agropecuaristas de não plantarem ou de reduzirem áreas e/ou rebanhos, tendo em vista a elevação dos riscos4, 5.       Os EDRs que apresentaram os cinco maiores VPAs foram, em ordem decrescente, os de Barretos, São João da Boa Vista, Orlândia, Presidente Prudente e Jaboticabal.

A participação do VPA de cada EDR no VPA total do estado variou de 5,1%, para o VPA de Barretos, a 0,2%, para o do EDR de São Paulo (Tabela 1). O VPA do EDR de Itapeva apresentou redução de 12%, ocupando a oitava posição em 2014, ante a terceira no ranking em 2013, por conta, principalmente, da queda das produções de carne bovina e de milho, e da queda dos preços de tomate de mesa e batata, produtos pertencentes ao grupo dos cinco principais dessa regional.

Dos cinco EDRs de maior VPA, em quatro o VPA da cana-de-açúcar responde por mais de 50% do valor, sendo que, no EDR de Orlândia, a participação deste produto é de 79,4%, seguido de 72,5% para o EDR de Barretos, 64,1% para o de Jaboticabal e 50,6% para o de Presidente Prudente. No EDR de São João da Boa Vista, segundo colocado no ranking entre as 40 regionais, embora a cana-de-açúcar ainda seja seu produto de maior VPA, verifica-se situação mais equilibrada, uma vez que, nesta regional, os VPAs de café beneficiado, carne de frango, batata e laranja para indústria também têm participação expressiva. Em 18 dos 40 EDRs, a soma dos VPAs dos cinco primeiros produtos do ranking representou 90% ou mais do VPA regional; em 12 destes, a cana-de-açúcar é o produto de maior VPA e em 3 deles a cana figura na segunda colocação. Em quatro EDRs, a soma dos VPAs dos cinco primeiros colocados representou 95% ou mais do VPA da região, o que mostra baixa diversificação de produtos e consequente especialização regional (Tabela 2).

Diferentemente desses EDRs que apresentam concentração de atividade agrícola, verifica-se que há maior diversificação naqueles cujos VPAs atingem menores níveis de participação. No EDR de Sorocaba, a distribuição é mais equânime entre os cinco produtos de maior VPA, variando essa participação de 7,7% para o VPA da beterraba até 9,9% para o VPA da alface. Além disso, o grupo de VPA de outros produtos, com participação de 56% do VPA total regional, dá ideia por um lado de quão diversificada é a região, mas mostra também, por outro lado, um grau de especialização, no caso na produção de hortaliças. 

        
                      Fonte: Dados da pesquisa.


                  

                     Fonte: Dados da pesquisa.

A posição relativa dos EDRs no ranking pelo VPA não variou muito entre 2013 e 2014, com algumas exceções, como Franca, que saiu da 19ª colocação em 2013 e foi para a 12ª, e Andradina, que ocupava a 11ª colocação e subiu para a 9ª. Na regional de Franca, o VPA do café beneficiado ocupa a primeira colocação entre os cinco primeiros de maiores valores, seguido bem de perto pelo VPA da cana-de-açúcar. A mudança de colocação pode ser atribuída ao fato de que os preços do café tiveram expressiva ascensão no período, enquanto os da cana-de-açúcar apresentaram-se em níveis menos elevados. No caso da regional de Andradina, o que provocou o deslocamento de posição no ranking foi a firmeza dos preços da carne bovina, comparativamente à estabilidade em patamares relativamente baixos dos preços da cana-de-açúcar.

O VPA do EDR de Presidente Prudente figurava em sexto lugar com uma participação de 3,9% do VPA total do estado em 2013, passando para a quarta colocação em 2014, com 4,0% do total do VPA estadual, fato que também pode ser atribuído aos melhores preços da carne bovina. Neste EDR, o VPA da cana-de-açúcar (50,6%) e o da carne bovina (26,7%) respondem por 77,3% do regional.

O EDR de Presidente Prudente é o que apresenta o maior VPA regional da carne bovina do Estado de São Paulo, seguido pelos de Presidente Venceslau, Andradina, General Salgado e Marilia (Tabela 2). O VPA da carne bovina ocupa a primeira colocação nos EDRs de Presidente Venceslau, Marília, Jales, Guaratinguetá e Pindamonhangaba, sendo que, nestes dois últimos, o VPA da carne bovina tem a maior participação percentual do VPA regional, respectivamente de 50,5% e 48,9%, e tem como segundo colocado o VPA do leite. Na regional de Guaratinguetá, carne bovina e leite respondem por 87,1% do VPA da regional, e Pindamonhangaba por 71,7%. O VPA da carne bovina só não figura entre os cinco primeiros nos EDRs de São João da Boa Vista, Mogi das Cruzes e São Paulo (Mogi das Cruzes por haver predominantemente produtores de olerícolas e frutas).

Os EDRs de São Paulo e Registro são os únicos em que o VPA da banana aparece em primeiro lugar. Considerando os rankings regionais, para o EDR de Registro, por ser composto pelos municípios do Vale do Ribeira, o VPA da banana representa 83,5% do re­gional, seguido pelo da carne bovina (9,2%), totalizando 92,7%. No EDR de São Paulo, destacam-se na produção de banana os municípios de Itanhaém e Peruíbe, que, por sua localização na Serra do Mar, vizinhança aos municípios do Vale do Ribeira, têm a banana como produto importante em sua economia.

A cana-de-açúcar é a primeira colocada do ranking de VPAs regionais em 62,7%% dos casos e está entre os cinco primeiros em 34 deles. Os 4 EDRs onde a cana-de-açúcar não se sobressai são os que não apresentam características mínimas que favoreçam seu cultivo ou apresentam características organizacionais produtivas mais competitivas para outras atividades. No EDR de São Paulo, onde predomina o cultivo da banana, há pouca atividade agrícola, o que justifica o menor VPA estadual. No EDR de Guaratinguetá, a cana-de-açúcar também não figura entre os cinco principais produtos, reflexo da topografia e de estar inserida em importante bacia leiteira; nesta regional, a cultura do arroz aparece entre os cinco primeiros VPAs. A produção de arroz irrigado no Vale do Paraíba é muito antiga e, portanto, a região tem instalada importante infraestrutura para essa atividade, inclusive agroindustrial. O EDR de Registro também não apresenta condições favoráveis ao cultivo da cana-de-açúcar. A regional de Itapeva, quinta colocada no Estado, se destaca pela produção de grãos, embora o VPA do tomate de mesa ocupe o primeiro lugar do ranking regional, produto que não aparece, entre os cinco primeiros do ranking, em nenhum outro EDR.

A mandioca para indústria aparece entre os cinco maiores VPAs nos EDRs de Assis, Tupã e Presidente Venceslau, regional que, localizada no Pontal do Paranapanema, concentra muitos assentamentos de reforma agrária e algumas unidades de processamento da raiz cujo cultivo apresenta elevada demanda por mão de obra.

O VPA de ovos de galinha aparece entre os cinco primeiros em apenas seis EDRs, sendo encontrado no EDR de Tupã o maior VPA desse produto, onde ocupa a primeira colocação (55,4%).

O VPA da carne de frango aparece entre os cinco maiores em 18 EDRs, sendo os maiores VPAs de frango encontrados, pela ordem, os EDRs de Bragança Paulista (produto na primeira posição regional), Piracicaba (produto na segunda posição regional) e Itapetininga (produto na primeira posição regional).

Os EDRs de Mogi das Cruzes, de Registro e de São Paulo são os únicos cujos maiores VPAs são compostos por frutas e olerícolas.

Regionais com participação estadual abaixo de 1,3% somam R$1.834,89 milhões: EDRs de Fernandópolis, Guaratinguetá, Pindamonhangaba, Mogi das Cruzes e São Paulo. Na regional de Fernandópolis, a cana-de-açúcar é o produto de maior VPA (46,4% de participação regional).

Quanto aos produtos olerícolas, estes se destacam entre os cinco maiores VPAs nos EDRs de menor VPA, como os de São Paulo e Mogi das Cruzes. Na regional de São Paulo, destacam-se alface e repolho; na de Mogi das Cruzes, destacam-se alface, cenoura e beterraba, produtos típicos do chamado cinturão verde. No EDR de Sorocaba, que se encontra na 22ª posição, considerando o ranking dos 40 EDRs, aparecem produtos olerícolas entre os cinco maiores VPAs. No caso, alface em primeiro lugar e beterraba em quinto.

O leite encontra-se entre os cinco maiores VPAs em 42,5% dos 40 EDRs do estado. Entre os cinco menores, ocupa participação significativa em Guaratinguetá e Pindamonhangaba, situados na bacia leiteira do Vale do Paraíba, ocupando o segundo lugar em ambos, precedidos pelo VPA da carne bovina, reflexo do rebanho de gado misto.

Os decréscimos de VPA mais significativos foram registrados nos EDRs de Mogi das Cruzes (21,5%), Itapeva (11,9%), Limeira (11,5%), São João da Boa Vista (9,6%), Lins (8,3%), Araçatuba (8,2%), Araraquara (7,9%), Assis (7,4%) e Jaboticabal (6,4%). Os EDRs que apresentaram os maiores acréscimos do VPA foram os de São Paulo (51,4%), por conta dos acréscimos dos VPAs de banana, alface e repolho, de Bauru (29,1%), por causa da elevação dos VPAs de seus principais produtos (laranja para indústria, laranja para mesa e carne de frango), e de Franca (24,6%), puxado pelo aumento de café beneficiado, que ocupa lugar de destaque nesse EDR e cujos preços e produção tiveram expressivas elevações no período, de carne bovina e da laranja para indústria.

A severa e atípica estiagem que ocorreu na região Sudeste do país, durante todo o ano de 2014, em grande parte pode ser responsabilizada por esse comportamento controverso do VPA dos diversos produtos e regiões do estado, seja por elevações expressivas no preço de alguns produtos, seja por queda ou elevação da produção.

 

_________________________________________________________

1INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE. Sala de Imprensa. Rio de Janeiro: IBGE. Disponível em: <http://saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?idnoticia=2807&view=noticia>. Acesso em: 28 maio 2015.

 

2INSTITUTO DE ECONOMIA AGRÍCOLA - IEA. Banco de dados. São Paulo: IEA. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/bancodedados.html>. Acesso em: maio 2015.

 

3COMPANHIA DE ENTREPOSTOS E ARMAZÉNS GERAIS DE SÃO PAULO - CEAGESP. Banco de dados. São Paulo: CEAGESP. Disponível em: <http://www.ceagesp.gov.br>. Acesso em: 3 mar. 2014.

 

4BUENO, C. R. F. et al. Anomalia climática e seus efeitos sobre as lavouras paulistas. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 9, n. 2, fev. 2014. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.
php?codTexto=12880>. Acesso em: 28 maio 2015.

 

5VEGRO, C. L. R. et al. Anomalia climática e seus impactos sobre as culturas temporárias e perenes do Estado de São Paulo. Análises e Indicadores do Agronegócio, São Paulo, v. 9, n. 10, out. 2014. Disponível em: <http://www.iea.sp.gov.br/out/LerTexto.php?codTexto=13506>. Acesso em: 28 maio 2015. 

Palavras-chave: agricultura, pecuária, produção, preços, renda bruta.

Data de Publicação: 02/07/2015

Autor(es): José Roberto Da Silva (jrsilva@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Denise Viani Caser (caser@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Paulo José Coelho (coelho@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Eder Pinatti (pinatti@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Carlos Roberto Ferreira Bueno (crfbueno@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Danton Leonel de Camargo Bini (danton@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor
Eduardo Pires Castanho Filho (castanho@iea.sp.gov.br) Consulte outros textos deste autor